Quem confere o diploma de quem comanda seu time? Caso Diego Souza expõe cobrança sobre os clubes
Cancelamento do registro do técnico do Joinville amplia debate sobre fiscalização das licenças
CBF atribui aos clubes a responsabilidade pela veracidade dos documentos apresentados
Antes de um treinador aparecer à beira do campo, sua documentação precisa passar pelo processo de registro. O caso de Diego Souza, que teve a inscrição cancelada pela CBF após uma denúncia envolvendo licença falsa, coloca essa etapa sob questionamento: quem confirma que o certificado apresentado por um profissional é verdadeiro?
A resposta da Confederação Brasileira de Futebol aponta para os clubes. Segundo a entidade, cabe a eles assegurar a veracidade dos documentos inseridos no Sistema Nacional de Registros. A CBF cita o artigo 13 de seu Regulamento Geral de Registros ao explicar essa responsabilidade.
Diego Souza aparecia autorizado a trabalhar como treinador desde 27 de agosto. Em 8 de outubro, o registro foi cancelado. O intervalo entre a inscrição e a identificação da irregularidade desloca o debate da compra do documento para a fiscalização que antecede a autorização profissional.
O documento entrou no sistema
A licença apresentada pelo técnico do Joinville era atribuída à Associação de Técnicos do Futebol Argentino, a ATFA. Consultada durante a investigação jornalística que revelou o caso, a entidade informou que os nomes apresentados não constavam de seus registros.
A ATFA também afirmou que Diego Souza não possui licença homologada na Conmebol, documentação exigida no procedimento de registro citado para profissionais com formação em outro país.
O caso foi encaminhado pela CBF à Comissão de Ética e à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, para apuração das responsabilidades. O cancelamento da inscrição é uma medida administrativa; a definição sobre a conduta de cada envolvido depende dos procedimentos de investigação.
O que diz o Joinville
O Joinville informou que está levantando as circunstâncias relacionadas à documentação e ao registro do treinador. O clube também avalia medidas jurídicas, administrativas e de regularização.
Na manifestação, a equipe ressalta que Diego Souza recebeu os documentos em 2023, antes de seu vínculo com o JEC, acreditando na legitimidade do processo.
A informação ajuda a estabelecer quando o certificado foi adquirido, mas permanece a questão sobre quais verificações foram realizadas na apresentação da licença para o registro em 2026. A nota divulgada pelo clube não detalha essas etapas.
Como a conferência pode encontrar inconsistências
A investigação jornalística sobre os documentos atribuídos ao argentino Alejandro Mancuso identificou sinais que poderiam ser confrontados com os registros da instituição emissora.
Entre eles estavam códigos QR que não direcionavam a páginas válidas de verificação, inconsistências nas datas e erros nas informações dos certificados. Documentos legítimos examinados na mesma investigação permitiam consultar dados do aluno e da escola responsável pela emissão.
Esses exemplos mostram a diferença entre receber um papel com aparência oficial e confirmar sua origem. Uma cópia autenticada, por si só, também não comprova que a instituição indicada emitiu o certificado.
Treinador afirma que foi enganado
Diego Souza diz que recebeu a documentação quando ainda atuava pelo Grêmio. Segundo seu relato, Mancuso se apresentou como diretor internacional da ATFA e ofereceu uma licença destinada a jogadores renomados.
O técnico afirma que acreditou na oferta por conhecer a trajetória do argentino e por consultar outros jogadores que haviam recebido documentos semelhantes. Em entrevista coletiva, disse ainda que solicitou o cancelamento do registro após descobrir possíveis irregularidades e que seus advogados tomarão as medidas cabíveis.
Mancuso nega ter vendido licenças e afirma que apenas facilitava contatos. A ATFA, por sua vez, declara que ele não integra sua direção nem tem autorização para representá-la.
A CBF informou que ampliou a conferência dos registros de treinadores que atuam no Brasil usando apenas licenças argentinas e pediu o endosso da Conmebol. O alcance do caso, portanto, ultrapassa uma contratação: envolve os mecanismos utilizados para verificar quem está habilitado a comandar uma equipe.





































































































































