AS chama Brasil de “triturador de treinadores” após saída de Diniz

Jornal espanhol AS destaca as 19 demissões de treinadores no Brasileirão e aponta contraste entre instabilidade nos clubes e domínio brasileiro na Libertadores.

São Paulo, SP, 8 (AFI) – A saída de Fernando Diniz do Corinthians ampliou para 19 o número de demissões de treinadores no Campeonato Brasileiro e chamou a atenção da imprensa espanhola. Em análise publicada nesta quinta-feira, o jornal AS classificou o futebol brasileiro como um “triturador de treinadores”, destacando o contraste entre o protagonismo dos clubes do país na América do Sul e a instabilidade nos trabalhos.

Diniz deixou o Corinthians na quarta-feira, depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio. O revés foi o sétimo consecutivo do time paulista no Brasileirão e manteve a equipe na 16ª posição, com 32 pontos, apenas um acima do próprio Internacional, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.

DINIZ FOI DEMITIDO PELA SEGUNDA VEZ NO BRASILEIRÃO

Contratado em abril para substituir Dorival Júnior, Fernando Diniz encerrou sua passagem pelo Corinthians com 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas em 33 partidas. A demissão, porém, não foi a primeira do treinador nesta edição do campeonato.

Diniz também havia deixado o Vasco em fevereiro. Com isso, as 19 demissões registradas no Brasileirão correspondem a 18 profissionais diferentes, já que o técnico aparece duas vezes na relação.

Além de Corinthians e Vasco, São Paulo, Botafogo, Chapecoense e Remo também trocaram de treinador mais de uma vez durante a competição.

TÍTULOS RECENTES NÃO GARANTIRAM CONTINUIDADE

O levantamento destacado pelo AS também chama atenção para técnicos que perderam seus cargos mesmo após conquistas recentes.

Filipe Luís deixou o Flamengo em março, poucos meses depois de comandar o clube nos títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores de 2025. Tite também foi demitido pelo Cruzeiro após a conquista do Campeonato Mineiro.

Dorival Júnior, por sua vez, perdeu o cargo no Corinthians mesmo tendo participado de uma sequência recente de títulos, com a Copa do Brasil de 2025 e a Supercopa do Brasil de 2026.

ATÉ O G-4 NÃO GARANTIU SEGURANÇA

A instabilidade também atingiu equipes que apresentavam bons resultados no momento da mudança. Hernán Crespo foi demitido pelo São Paulo após iniciar o Brasileirão sem derrotas, com três vitórias e um empate.

Roger Machado assumiu o comando, mas também acabou desligado em maio. Na ocasião, o São Paulo estava no G-4 do Campeonato Brasileiro e liderava seu grupo na Copa Sul-Americana, mas a eliminação na Copa do Brasil contribuiu para a mudança.

BRASILEIROS DOMINAM A LIBERTADORES

O cenário descrito pelo jornal espanhol ganha outro peso quando comparado ao desempenho dos clubes brasileiros nas competições continentais. Flamengo, Palmeiras e Fluminense estão nas semifinais da Libertadores, garantindo que o país tenha pelo menos um representante na decisão.

Para o AS, o desempenho internacional contrasta com a dificuldade dos clubes brasileiros em manter projetos de longo prazo. Enquanto as equipes seguem protagonistas na América do Sul, os bancos de reservas passam por constantes mudanças ao longo da temporada.

A demissão de Diniz no Corinthians, portanto, tornou-se mais um capítulo de um Brasileirão marcado pela alta rotatividade entre os treinadores. Com a competição ainda em andamento, a quantidade de mudanças já chama atenção dentro e fora do país.