Final de 1987 renasce 39 anos depois e vale retorno ao futebol nacional

União São João e São José voltam a decidir um título quase quatro décadas depois de protagonizarem final marcada por três vitórias do time de Araras

A final da Copa Paulista de 2026 recupera uma história iniciada há 39 anos. União São João e São José decidiram a Divisão Especial de 1987

São José está na final da Copa Paulista

Campinas, SP, 05 (AFI) – Aos 44 minutos do segundo tempo, Play marcou no Martins Pereira e encerrou a discussão. O gol garantiu ao União São João uma vitória por 1 a 0 sobre o São José, confirmou o título da Divisão Especial de 1987 e completou uma decisão que voltará a ser disputada 39 anos depois.

União São João e São José serão os protagonistas da final da Copa Paulista de 2026. Mais do que um reencontro, o confronto colocará frente a frente clubes que iniciaram juntos a ascensão à elite estadual, viveram momentos de destaque nacional e atravessaram longos períodos longe das principais divisões.

Os dois finalistas já asseguraram presença no calendário brasileiro de 2027. O campeão terá o direito de escolher entre uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro e outra na Copa do Brasil. O vice ficará com a opção restante.

União venceu os três confrontos decisivos

O regulamento de 1987 reuniu 53 participantes na segunda divisão paulista. União São João e São José avançaram até a fase decisiva e conquistaram o acesso ao Campeonato Paulista de 1988.

As equipes se enfrentaram inicialmente durante a segunda fase. Depois, voltaram a ficar frente a frente nas duas partidas que definiram o título. O time de Araras venceu os três encontros daquela campanha.

No primeiro jogo da decisão, realizado em 10 de dezembro, no antigo Estádio Engenho Grande, o União venceu por 2 a 1. Adauto abriu o placar aos 33 minutos do primeiro tempo e Odair ampliou aos 41. Serginho descontou para o São José aos cinco da etapa final.

Cinco dias depois, mais uma vez o equilíbrio prevaleceu. Empurrado pela torcida no Martins Pereira, o São José precisava reverter a desvantagem, mas encontrou um União preparado para suportar a pressão.

Quando a partida se aproximava do fim, Play marcou aos 44 minutos do segundo tempo. A vitória por 1 a 0 confirmou o título do União São João e impediu qualquer reação joseense.

Adversários construíram seus maiores momentos depois do acesso

O acesso compartilhado em 1987 abriu caminho para períodos importantes dos dois clubes. O São José alcançou o auge apenas dois anos depois, em 1989, quando foi vice-campeão paulista e também terminou a Série B do Campeonato Brasileiro na segunda colocação.

O União São João se consolidou na elite estadual, revelou jogadores e, anos depois, conquistou o maior título de sua história: a Série B do Campeonato Brasileiro de 1996.

As trajetórias, entretanto, também foram marcadas por crises financeiras, rebaixamentos e pelo desaparecimento do calendário nacional. O União não disputa uma competição brasileira desde a Série C de 2005. O São José participou da Série D pela última vez em 2024 e jogou a Copa do Brasil somente em 1990.

Caminhos diferentes até a decisão

O reencontro acontece depois de campanhas construídas de maneiras distintas. O União São João precisou passar pelo play-in, eliminou o Juventus nas quartas de final e superou o Grêmio Prudente na semifinal.

Depois do empate sem gols no Prudentão, a equipe de Araras venceu por 2 a 1 no Hermínio Ometto. O resultado colocou o União pela primeira vez na final da Copa Paulista e encerrou um jejum superior a duas décadas sem competição nacional.

O São José entrou diretamente nas quartas por ter liderado seu grupo. Eliminou o Comercial e, na semifinal, empatou por 1 a 1 com o Noroeste em Bauru antes de vencer por 1 a 0 no Martins Pereira. O gol de Wesley Rodrigues, marcado aos 45 minutos do segundo tempo, garantiu a segunda final do clube no torneio.

O roteiro repetiu uma característica da decisão de 1987: novamente, um gol nos minutos finais do Martins Pereira tornou-se decisivo para o destino de um dos finalistas.

Nova final, prêmio diferente

Em 1987, os dois clubes já haviam conquistado o acesso quando começaram a disputa pelo título. Agora, ambos também chegam à final com uma parte importante da missão cumprida: a presença nacional em 2027 está garantida.

O troféu, porém, dará ao vencedor o poder de escolher seu caminho. A Copa do Brasil oferece maior retorno financeiro imediato e a possibilidade de enfrentar equipes de grande expressão. A Série D garante calendário mais extenso e abre uma rota de acesso às divisões superiores.

Trinta e nove anos depois, União São João e São José voltam a decidir muito mais do que uma taça. A final une passado e futuro: recupera uma rivalidade esquecida, devolve dois clubes históricos ao futebol nacional e oferece ao campeão o direito de definir o próximo capítulo de sua reconstrução.

FICHA HISTÓRICA — JOGO DE IDA

União São João 2 x 1 São José

Data: 10 de dezembro de 1987
Local: Estádio Engenho Grande, Araras
Gols: Adauto, aos 33, e Odair, aos 41 minutos do primeiro tempo; Serginho, aos cinco do segundo tempo
Árbitro: João Leopoldo Aeta
Renda: Cz$ 310.100

FICHA HISTÓRICA — JOGO DE VOLTA

São José 0 x 1 União São João

Data: 15 de dezembro de 1987
Local: Estádio Martins Pereira, São José dos Campos
Gol: Play, aos 44 minutos do segundo tempo
Árbitro: Dulcídio Vanderlei Boschilia

São José: Moreira; Alves, Osmar Guarnieri, André Luiz e Sérgio Moura; Zé Carlos, Gilberto e Serginho; Luís Silvio, Ricardo e Manó — Maurílio entrou durante a partida. Técnico: Vail Mota.

União São João: Privatti; Kiko, Eduardo, Cavalcante e Carlinhos; Miranda — Marinho entrou durante a partida —, Adauto e Juca; Muniz — substituído por Celso Luiz —, Cássio e Play. Técnico: João Magoga.

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