Venda de 90% da SAF trava e Guarani segue desmontado para 2027
Sócios votarão apenas a transformação do clube em SAF; contrato com Roberto Graziano foi retirado da pauta
O Guarani deu mais um passo para trás no processo de venda de 90% de sua futura SAF.
Campinas, SP, 01 (AFI) – A eventual SAF do Guarani não encontrará apenas um clube eliminado precocemente da Série C. O grupo de Roberto Graziano poderá assumir 90% de um departamento de futebol praticamente parado, com o treinador emprestado e quase dois times em fim de contrato.
A diferença é que essa decisão não será mais tomada nesta sexta-feira. A proposta de venda dos 90% foi retirada da pauta porque a minuta do contrato ainda passa por alterações e não está pronta para ser submetida aos associados.
A Assembleia Geral está mantida, com primeira chamada às 15h30, segunda às 16h e encerramento da votação às 20h. Os sócios, porém, decidirão somente se autorizam a transformação do Guarani em Sociedade Anônima do Futebol.
A aprovação permitirá a criação da estrutura jurídica da SAF, mas não entregará automaticamente seu controle ao grupo ligado a Graziano. A entrada do investidor dependerá de uma nova votação específica.
Contrato ainda não está pronto
A nova mudança foi confirmada durante a reunião realizada na noite de quarta-feira, no ginásio do Brinco de Ouro. O presidente Rômulo Amaro participou do encontro e foi duramente cobrado por torcedores e associados.
A justificativa para o adiamento é que a minuta do contrato sofreu novas modificações e ainda não foi finalizada. Como o estatuto exige outras assembleias antes da aprovação da operação, a proposta de Graziano precisou ser retirada.
Depois da conclusão do documento, o Guarani deverá apresentar a nova versão aos associados, realizar os debates necessários e convocar outra votação. A expectativa é que o processo leve aproximadamente mais um mês.
Promessa superior a R$ 1 bilhão
A proposta continua prevendo um pacote total de R$ 1,075 bilhão. O valor, no entanto, não representa dinheiro depositado imediatamente nos cofres do clube. Ele está dividido entre diferentes obrigações e projetos.
A previsão apresentada contempla:
- R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social;
- R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio;
- R$ 25 milhões para um novo centro de treinamento;
- até R$ 350 milhões para o passivo incluído na Recuperação Judicial.
Também está prevista a exploração imobiliária da área do Brinco de Ouro. O projeto apresentado aos conselheiros trabalha com a construção de aproximadamente 1.200 apartamentos e a conclusão de uma nova arena em um prazo estimado de dois a três anos, depois das aprovações necessárias.
Futebol sem comando definitivo
A primeira urgência da nova estrutura estará dentro de campo. Umberto Louzer tem contrato com o Guarani, mas está cedido ao Criciúma para a reta final da Série B.
Seu retorno está previsto para novembro. Se o clube catarinense quiser mantê-lo, terá de pagar uma compensação ao Bugre. A SAF, portanto, poderá iniciar sua gestão decidindo se mantém o treinador escolhido pela atual diretoria ou se utiliza uma eventual indenização para buscar outro profissional.
Louzer comandou o Guarani somente uma vez em 2026: no empate com o Brusque que eliminou a equipe da Série C. Ele possui vínculo até o encerramento do próximo Campeonato Paulista, com possibilidade de renovação para a terceira divisão nacional.
Vinte e um contratos perto do fim
A situação do elenco é ainda mais complexa. Vinte e um jogadores possuem contratos com término previsto até dezembro, quantidade suficiente para montar quase duas escalações completas.
Alguns já deixaram o clube ou foram emprestados. Outros aguardam a definição da SAF para saber se serão procurados para renovar. A demora interfere diretamente na capacidade de negociação, pois os atletas podem assinar pré-contratos ou aceitar propostas de outras equipes.
A lista inclui jogadores experientes, jovens e peças que participaram regularmente da campanha na Série C. A nova gestão terá pouco tempo para avaliar quem merece permanecer e evitar que as opções consideradas importantes fiquem livres no mercado.
Um clube para reconstruir
A SAF poderá enxergar o cenário como uma oportunidade. Sem jogos até o Paulista, haverá liberdade para reduzir a folha, redesenhar o elenco e implantar uma nova estrutura administrativa sem a pressão de uma competição em andamento.
O risco está justamente no tamanho do vazio. O futebol não possui uma base definida, o treinador está trabalhando em outro clube e os empréstimos espalharam jogadores por diferentes regiões do país.
O novo adiamento agrava a corrida contra o tempo. Mesmo que o contrato seja aprovado dentro de aproximadamente um mês, o futuro controlador receberá menos tempo para preparar o elenco e estruturar o futebol antes do Paulistão de 2027.
Associação não desaparecerá
Mesmo se a transferência de 90% for aprovada posteriormente, o Guarani não deixará de existir como associação. O clube conservará 10% das ações e continuará responsável pelas áreas que não forem transferidas à nova companhia.
A legislação também protege elementos considerados essenciais, como nome, cores, escudo, símbolos e sede. Alterações dessa natureza dependem da concordância da associação, ainda que o investidor possua a maioria das ações.
Nesta sexta-feira, portanto, os associados não votarão o pacote bilionário nem entregarão o futebol a Roberto Graziano. Decidirão apenas se o Guarani poderá se transformar em SAF.
A escolha do controlador, a transferência dos 90% e as obrigações previstas no contrato ficarão para uma nova assembleia. Até lá, o clube continuará com dinheiro prometido, futebol parado, treinador emprestado e quase dois times perto do fim do contrato.





































































































































