"Não existe o Boavista pagar transfer ban", explica Eberlin na Ponte Preta
Em entrevista, o vice-presidente esclareceu a situação envolvendo o clube carioca e reforça que a punição segue em curso
"A Ponte está se mexendo para pagar o transfer. Não existe essa coisa de aporte financeiro, empréstimo ou alguma coisa desse tipo.”
Campinas, SP, 9 (AFI) – O vice-presidente da Ponte Preta, Marco Antonio Eberlin, esclareceu nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Jovem Pande Campinas, os detalhes da negociação com o Boavista-RJ para a chegada de jogadores ao clube paulista. Segundo o dirigente, o time carioca poderá ceder cerca de seis atletas até o fim da Série B, mas não será responsável pelo pagamento do Transfer Ban da Macaca.
Eberlin explicou que a Macaca enfrenta problemas no elenco, com diversos jogadores no departamento médico e alguns sem previsão de retorno. Por isso, surgiu a possibilidade de receber atletas do clube carioca, que encerrou sua participação na temporada e poderia mantê-los em atividade na Série B.
A operação, porém, não envolverá dinheiro dos cariocas para solucionarem as pendências da Ponte. O dirigente foi categórico ao afirmar que a responsabilidade por quitar o transfer ban é exclusivamente da Macaca.
“A Ponte tem que pagar o transfer. A Ponte está se mexendo para pagar o transfer. Não existe essa coisa de aporte financeiro, empréstimo ou alguma coisa desse tipo.”
De acordo com Eberlin, o Boavista assumiria apenas os salários dos jogadores cedidos à Ponte Preta. O clube campineiro, por sua vez, precisa encontrar recursos para quitar a dívida que impede o registro de novos atletas.
“A Ponte corre com recursos que ela está recebendo pra pagar o transfer, pra que a Ponte Preta não corra risco aí de ter um número diminuto de atletas.”
O dirigente ainda confirmou que existe uma possibilidade concreta de a operação avançar.
“Existe, existe sim.”
Boavista pode ceder seis jogadores
A possibilidade é de que aproximadamente seis jogadores do Boavista sejam emprestados à Ponte até 30 de novembro. Eberlin explicou que os atletas não teriam mais compromissos pelo clube carioca e, dessa forma, poderiam ganhar minutos na Série B.
“Em vez de pagar pra ficar em casa, paga pra se jogar na Ponte Preta.”
O dirigente também ressaltou que a negociação pode ser positiva para o Boavista pela visibilidade proporcionada pela Ponte na segunda divisão nacional.
“O Boavista está cedendo jogadores até 30 de novembro, sem interesse, só pela visibilidade da Série B.”
Eberlin fez questão de separar a operação com o clube carioca de uma eventual negociação para a transformação da Ponte Preta em SAF.
Proposta da SAF existe
Durante a entrevista, Eberlin confirmou que existe uma proposta para a criação de uma SAF na Ponte Preta, envolvendo a possibilidade de venda de cotas do departamento de futebol.
“A Ponte Preta recebeu uma proposta para a realização de uma SAF, de compras de cotas, vamos dizer assim, do departamento de futebol da Ponte Preta.”
Segundo o dirigente, a entrada de investimento externo é fundamental para que o clube consiga superar a grave situação financeira. Eberlin afirmou que não vê outra alternativa além da constituição de uma empresa para administrar o futebol.
“Eu não vejo outra situação: constituir uma empresa junto ao departamento de futebol.”
Ele também explicou que, em sua avaliação, um investidor dificilmente colocará dinheiro na Ponte sem uma estrutura empresarial que dê segurança para a aplicação dos recursos.
“Ninguém vai botar dinheiro se tiver uma empresa administrando o futebol e quem for dono da maior parte de cotas.”
Para Eberlin, a SAF poderia representar um novo ponto de partida para o futebol alvinegro.
“Nós vamos ser reconstruídos e vamos ter alicerces sólidos pra poder falar de futebol no clube.”
Eberlin critica oposição
A entrevista também abordou a Assembleia Geral Extraordinária marcada para o dia 19, que terá como objetivo discutir o processo de constituição da SAF.
Eberlin criticou a atuação de grupos de oposição e afirmou que, na sua visão, existe uma tentativa de transformar a reunião em um movimento pela destituição da diretoria.
“O interesse primeiro não é nem votar SAF ou não, que é o objeto da reunião. Mas o interesse é destituir a diretoria alegando uma série de impropriedades.”
O dirigente também afirmou acreditar que o grupo contrário à atual gestão não teria força para vencer uma eventual votação e, por isso, buscaria criar tumulto.
“Eu acho que foi até uma articulação deles, criar um tumulto, vez que eles não têm como ganhar no voto.”
Eberlin defendeu que a decisão sobre o futuro da Ponte seja tomada pelos associados.
“Quem decide o que vai fazer com a Ponte Preta não sou eu, principalmente o presidente da Ponte, que é o Torrano. Quem decide é o sócio da Ponte Preta.”
Ele ainda pediu que os conflitos internos não sejam colocados acima dos interesses do clube.
“Isso só atrapalha a Ponte Preta.”
Dirigente fala em risco de extinção
Ao comentar o momento vivido pela Ponte, Eberlin adotou um tom crítico e reconheceu a gravidade da crise financeira e administrativa.
“A Ponte Preta está se acabando, infelizmente, agora.”
Em outro momento da entrevista, classificou o atual cenário como um processo extremamente difícil para o clube.
“É um caminho de tortura.”
Eberlin chegou a falar em risco de extinção da instituição caso não haja uma mudança de rumo.
“É um caminho de praticamente de extinção, infelizmente. É esse o caminho que a Ponte está trilhando.”
Por isso, o vice-presidente voltou a defender a necessidade de união entre os diferentes grupos políticos do clube.
“Se vocês não conseguirem apaziguar a Ponte Preta, a Ponte Preta morre.”
Relação com Carnielli
Eberlin também relembrou o processo de transição de poder após o período de Sérgio Carnielli na presidência da Ponte. Segundo ele, a diretoria que assumiu o clube já encontrou uma dívida superior a R$ 30 milhões com o ex-presidente.
“Como é que as pessoas queriam assumir a Ponte Preta se deviam trinta e poucos milhões para o Sérgio e não tinha nenhum plano de pagar o Sérgio?”
O dirigente afirmou que, embora houvesse críticas à gestão de Carnielli, era necessário apresentar uma alternativa para a administração do clube.
“A gente queria tirar o Sérgio, eu sempre perguntava o seguinte: o que você tem pra pôr no lugar do Sérgio?”
Na avaliação de Eberlin, a situação financeira da Ponte acabou se agravando depois da mudança de comando.
“Com o Sérgio, estava ruim; estava muito ruim. Com o Sérgio, sem o Sérgio ficou pior.”
Eberlin atribuiu parte dos problemas atuais a conflitos políticos e interesses pessoais dentro do clube.
“Houve orgulho, houve vaidade. Querem tirar o Sérgio, tirar o Sérgio por tirar, e é nisso que a Ponte Preta se meteu.”
Apesar das divergências, o dirigente afirmou que sua prioridade continua sendo a instituição.
“Acima de tudo, a Ponte Preta. Sempre disse pra você: isso acima de tudo é Ponte Preta.”
Enquanto a discussão sobre a SAF avança internamente, a Ponte Preta tenta resolver o Transfer Ban para poder registrar novos jogadores e reforçar o elenco para a reta final da Série B. A eventual chegada dos atletas do BoaVista, portanto, depende diretamente da regularização da situação do clube junto à entidade responsável pelos registros.
AGENDA
Diante deste cenário caótico e afundada na lanterna com apenas dez pontos e duas vitórias, a Ponte Preta volta a campo nesta quinta-feira (10), às 21h30, diante do Sport-PE, na Ilha do Retiro, pela 27ª rodada da Série B.





































































































































