Abdalla não marca reunião de afastamento de Torrano e Eberlin na Ponte Preta

Artimanha do presidente do Conselho Deliberativo é enviar pedido para o Comissão de Ética estudar um procedimento administrativo.

Abdalla, presidente do Conselho, ignora Estatuto e decide não marcar reunião de afastamento de Torrano e Eberlin na Ponte Preta

Ponte Preta - 2026
Abdalla não marca reunião pedida por 158 conselheiros. Foto: Marcos Ribolli

Campinas, SP, 09 (AFI) – Vivendo a maior crise financeira e institucional da sua história, os bastidores da Ponte Preta ganharam mais um capítulo na última terça-feira, quando o presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, publicou despacho ignorando o Estatuto do clube e decidindo não marcar reunião de afastamento do presidente Luis Antônio Alves Torrano e do vice-presidente, Marco Eberlin.

O documento é resposta a um requerimento protocolado em 17 de agosto por 158 conselheiros do clube, liderados por Gustavo Garcia Valio, pedindo a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária – AGE – para votar a destituição de Eberlin e Torrano da Diretoria Executiva.

PEDIDO COM BASE LEGAL

O pedido tem base nos artigos 47 e 48 do Estatuto Social, combinados com os artigos 58 a 60 do Código Civil, que garantem a 1/5 dos associados aptos o direito de convocar diretamente a Assembleia para deliberar sobre a destituição de dirigentes.

No despacho, Abdalla determinou que a Secretaria do Conselho confira a identidade e a regularidade estatutária dos 158 signatários, conferência prevista no próprio artigo 48.

O problema está no passo seguinte: em vez de, concluída essa etapa, seguir direto para a convocação da Assembleia, o presidente do Conselho mandou remeter cópia do processo à Comissão Permanente de Ética e Disciplina (CPED) da entidade, “dadas as notícias de infração ao Estatuto Social”, determinando a instauração de procedimento administrativo disciplinar.

ABDALA QUER EVITAR VOTAÇÃO

A escolha não é trivial. O rito da CPED, previsto nos artigos 26 a 28 do Estatuto, é o mesmo usado para apurar infrações e aplicar penalidades a associados e dirigentes, não para tramitar pedidos de convocação de assembleia. Ou seja: ‘criou’ um novo caminho administrativo para não haver a Assembleia de afastamento de Torrano e Eberlin.

Na prática, um pedido que poderia resultar em Assembleia marcada em poucas semanas, bastando a conferência das assinaturas prevista no artigo 48, pode se arrastar por vários meses sob o rito escolhido por Abdalla, adiando indefinidamente a votação sobre a permanência de Torrano e Eberlin na Diretoria Executiva.

A tendência é que esse despacho seja contestado pelos conselheiros, via administrativamente ou até mesmo de forma judicial.

Em contato com o Portal Futebol Interior, um conselheiro nato falou sobre a decisão de Abdalla.

“Infelizmente, o presidente do Conselho Deliberativo atua em conluio com a diretoria executiva. Não é um órgão independente e muito menos age para proteger a instituição. A decisão de acionar a CPED quanto às irregularidades apresentadas contra Torrano e Eberlin é uma aberração e passa por cima do que está descrito no Estatuto Social. Algo precisa e será feito”, disse o conselheiro, que pediu para não se identificar.  

SAF EM PAUTA

Em meio a esta pauta de afastamento de Torrano (presidente) e Eberlin (vice-presidente), há outra Assembleia Geral Extraordinária marcada para o dia 19 de setembro de 2026.

Esta, no entanto, é para os conselheiros aprovarem ou não a decisão do clube pela SAF e a cisão do departamento de futebol e demais atividades associativas. A reunião está agendada, mas pode ser cancelada nos próximos pela Justiça. Existe um pedido de liminar com este objetivo.

PONTE PRETA JOGA EM RECIFE

A Ponte Preta volta a campo na próxima quinta-feira para enfrentar o Sport, às 21h30, na Ilha do Retiro, em Recife. A Macaca é apenas lanterna da Série B, com dez pontos. Está virtualmente rebaixada. Só uma milagre livra o time campineiro da Série C em 2027.

PONTE PRETA FAZ PARCERIA COM BOAVISTA-RJ

A Ponte Preta ganhou um alento nesta terça-feira. Com ajuda de aporte financeiro do Boavista-RJ, a Macaca vai quitar o transferban e poderá inscrever seis jogadores para a reta final da Série B do Campeonato Brasileiro.

Os seis atletas chegarão do Rio de Janeiro, sob indicação do técnico Gilson Kleina e terão seus salários pagos pelo clube carioca.

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