Em sua 6ª passagem, Kleina cita carinho pela Ponte Preta para retorno

O treinador chegou ao clube pela primeira vez em 2010 e participou de momentos marcantes da história recente alvinegra

O treinador substitui Márcio Zanardi, que deixou o cargo na última quarta-feira, justamente durante a paralisação dos atletas

Gilson Kleina - Ponte Preta - 2026
Gilson Kleina: 6ª vez na Ponte Preta. Foto: Paulo Santana - AAPP

Campinas, SP, 28 (AFI) — Em meio a uma das fases mais delicadas de sua história, a Ponte Preta oficializou nesta sexta-feira o retorno de Gilson Kleina ao comando da equipe. Aos 58 anos, o treinador inicia sua sexta passagem pelo Moisés Lucarelli com a missão de tentar reorganizar o futebol da Macaca, que atravessa uma grave crise financeira e vive uma paralisação dos jogadores por conta dos salários atrasados.

Futebol Interior agora está nos Canais do WhatsApp. Participe agora!

Apresentado pelo coordenador João Brigatti, Kleina explicou que a identificação construída ao longo dos anos com o clube foi determinante para aceitar o convite. O treinador substitui Márcio Zanardi, que deixou o cargo na última quarta-feira, justamente durante o movimento dos atletas.

Sem esconder a dimensão do problema, Kleina classificou o retorno como o maior desafio de sua trajetória profissional, mas afirmou que não pretende se envolver nas questões políticas do clube e terá o futebol como prioridade.

“Esse é o meu maior desafio como treinador, não resta a menor dúvida. Eu não vim aqui fazer política. Vim aqui para cuidar do futebol, tentar fazer com que esses atletas que hoje não estão querendo jogar entendam o que vai representar para eles terminarmos de uma forma digna.”

O novo comandante também evitou criar expectativas de uma solução rápida. Kleina reconheceu que a Ponte enfrenta dificuldades importantes, mas aposta na união interna para começar a mudar o cenário.

“Não estamos dizendo que temos a receita, que temos a varinha de condão, que vamos resolver da noite para o dia. Mas vamos solucionar. E, com a união de todos os pontepretanos, fazer a Ponte Preta sorrir novamente.”

Gilson Kleina - 2026
Gilson Kleina fala em honrar a instituição Ponte Preta. Foto: Paulo Santana – AAPP

ELENCO AINDA DE GREVE

O principal obstáculo para Kleina neste início de trabalho será justamente a montagem da equipe. Os jogadores profissionais seguem paralisados desde quarta-feira, após o não cumprimento de mais uma promessa de pagamento dos salários atrasados. Há atletas que relatam estar há cerca de seis meses sem receber.

Nesta sexta, Kleina comandou uma atividade com jogadores das categorias de base, enquanto aguarda uma definição sobre a participação dos profissionais no próximo compromisso.

Adicione o FI nas suas fontes favoritas do Google!

O treinador pretende conversar individualmente com os atletas antes de tomar qualquer decisão sobre a formação para o duelo diante do América-MG.

“Nesse momento, eu ainda não tive a conversa com os atletas que estão tentando fazer ou fizeram a paralisação. Treinamos com os meninos da base. Não temos que esconder nada disso. Acho que não precisamos reverter, porque entendemos o que eles estão querendo justificar.”

Kleina ainda ressaltou que os problemas financeiros inevitavelmente afetam os jogadores também no aspecto pessoal.

“Um atleta com problema é um homem com problema. É a mesma pessoa. Não tem como você ir para dentro de campo e achar que depois acabaram os problemas. Você está levando os problemas. Todos nós somos responsáveis por ser provedores de família, responsáveis por manter as despesas, e isso acarreta uma situação.”

Apesar do cenário, o treinador espera montar um time competitivo para o compromisso em Belo Horizonte e vê na combinação entre experiência e juventude uma possível alternativa.

“Se você faz uma mescla com experiência e juventude, ajuda demais. Agora, só juventude, você ganha de um lado e vai perder de outro. Então vamos ter essa conversa. Espero poder contar com eles.”

TEM HISTÓRIA NO CLUBE

A relação construída com a Ponte Preta ao longo dos anos também teve peso importante na decisão de Kleina. O treinador chegou ao clube pela primeira vez em 2010 e participou de momentos marcantes da história recente alvinegra.

O vínculo com Campinas ultrapassou os limites profissionais e também influenciou a decisão familiar de retornar ao Moisés Lucarelli.

“Desde quando recebi o convite, no outro dia, arrumando minha mala, minha família, minha filha… praticamente fui criado em Campinas. Ela tem uniforme da Ponte Preta. Ela falou: ‘Papai, vamos lá mais uma vez. Vamos ajudar. A Macaquinha está na nossa história’. Isso mexe muito comigo.”

Ao longo das cinco passagens anteriores, Kleina acumulou 232 partidas e se tornou o quarto treinador que mais dirigiu a Ponte Preta. Entre os principais feitos estão o acesso à Série A em 2011, o vice-campeonato paulista de 2017 e a campanha que evitou o rebaixamento na Série B de 2021.

A última passagem, porém, foi curta. Em 2022, comandou a equipe em apenas oito jogos e deixou o cargo depois da derrota por 3 a 0 para o Guarani, pelo Campeonato Paulista.

Agora, quatro anos depois, retorna em um contexto completamente diferente e com a responsabilidade de iniciar uma tentativa de reconstrução do clube.

“Toda vez que chego ao Moisés, lembro da presença da torcida, do estádio lotado. Isso é uma coisa que vamos reviver novamente. Nós vamos reconstruir isso. A nação pontepretana tem que estar junto com a gente, apoiar esse momento, que é delicado.”

SEM TEMPO A PERDER

Antes de retornar à Ponte, Kleina trabalhou por Boavista-RJ e Itabaiana em 2026. Nos dois trabalhos, somou apenas duas vitórias em 17 partidas.

O treinador, porém, prefere não estabelecer prazo para a reconstrução e coloca como prioridade a tentativa de tirar a Macaca do momento turbulento.

“A minha gratidão e o meu respeito por esse clube são muito grandes. Espero que a gente faça uma reconstrução e que esse trabalho seja bem feito a partir de hoje.”

A Ponte Preta ocupa situação delicada na Série B e tenta encerrar uma sequência de 18 jogos sem vencer. A estreia de Kleina acontece neste domingo, em confronto direto pela competição.

PRÓXIMO COMPROMISSO

A Ponte Preta enfrenta o América-MG neste domingo (30), às 16h, em Belo Horizonte, pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A presença de Kleina no banco ainda depende da regularização do treinador no BID da CBF.

Confira também: