Tudo como antes: CBF aprova contas e dirigentes dizem amém
Dirigentes fizeram coro ao presidente Samir Xaud, que disse esperar "resultado mais positivo" na Copa.
Rodrigo Caetano mostrou preparação de Ancelotti; Arthur Elias apresentou plano para o Mundial no Brasil.
Rio de Janeiro, RJ, 14 (AFI) – A CBF reuniu seus fiéis escudeiros na tarde desta terça-feira (14) e o roteiro foi o de sempre: balanço aprovado, elogios de pé e planos pomposos para o futuro. O presidente Samir Xaud recebeu vice-presidentes, diretores e presidentes de federações estaduais para prestar contas do primeiro ano de gestão e apresentar o planejamento das Seleções — com direito a tapinha nas costas e zero autocrítica. Tudo como antes.
“VIRAMOS A PÁGINA”
Sobre o fracasso na Copa do Mundo Masculina, Xaud foi econômico: “Claro que esperávamos um resultado mais positivo”. E ponto. O restante da fala foi dedicado a exaltar o que deu certo — base, integração, calendário — e a empurrar o foco para o futuro.
“Viramos uma página e agora voltamos o foco para o Mundial Feminino, além do ciclo para 2030”, disse o mandatário, como se uma eliminação na Copa fosse um capítulo qualquer de um livro que se escreve sem sobressaltos.
PLANOS NA PONTA DA LÍNGUA
Rodrigo Caetano, coordenador executivo das Seleções Masculinas, mostrou aos presentes como foi a preparação de Carlo Ancelotti até o Mundial — 13 meses de trabalho, escolha de adversários de alto nível e o dado de que 23 dos 26 convocados tinham passagens pela base. Para 2030, as metas já estão traçadas: vencer a Copa América de 2028 e as Eliminatórias.
Arthur Elias, por sua vez, apresentou o cronograma da Seleção Feminina para a Copa de 2027, que será no Brasil. Quatro Datas FIFA entre outubro de 2026 e abril de 2027, amistosos contra Japão e outros rivais de peso, convocação em maio e preparação na Granja Comary. Tudo no papel. Tudo lindo.
O CORO DOS CONTENTES
A reunião serviu também para que os dirigentes reafirmassem sua fidelidade. Reinaldo Bastos, presidente da Federação Paulista, disse que é hora de “pensar na reconstrução do futebol” e elogiou a gestão.
Daniel Vasconcelos, da Federação do Distrito Federal, foi além:
“Hoje temos as 27 federações muito alinhadas com a gestão da CBF”. Sorrisos, apertos de mão e nenhuma pergunta incômoda.
Na arbitragem, o diretor Netto Góes apresentou a nova estrutura da pasta e oficializou Sandro Meira Ricci como o novo presidente da Comissão de Arbitragem. Mais um nome de confiança no tabuleiro.
O FUTURO QUE NÃO COBRA O PASSADO
A CBF segue executando seu planejamento. GT para Fair Play Financeiro, reforma de calendário, títulos na base feminina e uma Copa do Mundo Feminina inédita se aproximando são os trunfos exibidos.
Mas a reunião em nada lembrou uma prestação de contas real — com cobranças, questionamentos ou responsabilização. Pareceu mais uma celebração entre amigos.
O Brasil está fora da Copa de 2026, mas, para os dirigentes que dizem amém, está tudo bem. Virou-se a página. Que venha 2027. Que venha 2030. E que ninguém pergunte demais.
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