Sem recursos, Ponte Preta adota estratégia alternativa no mercado

Com transfer ban e graves problemas financeiros, Macaca adota estratégia de buscar jogadores livres ou emprestados por clubes parceiros.

Ponte Preta mapeia Série A3, Série D e estaduais em busca de atletas de menor custo.

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Campinas, SP, 14 (AFI) – A Ponte Preta está escrevendo uma cartilha de sobrevivência no mercado da bola. Com salários atrasados, transfer ban ainda não resolvido e uma crise financeira que se arrasta, a diretoria alvinegra se viu obrigada a abandonar qualquer pretensão de contratações de peso e mergulhar em um modelo de negócios que mistura criatividade, mapeamento cirúrgico e parcerias estratégicas.

O resultado é um elenco que está sendo montado com jogadores de divisões inferiores, atletas livres no mercado e empréstimos de clubes parceiros.

O PERFIL DAS CONTRATAÇÕES: ONDE A PONTE ESTÁ PESCANDO

A Macaca já fechou com nove reforços para a sequência da Série B. Nenhum deles foi comprado em definitivo por altas cifras. A estratégia passa por três frentes principais:

Mercado de divisões inferiores do Paulistão: Jogadores que se destacaram na Série A3, competição de orçamento reduzido, mas que revela talentos acostumados a jogar sob pressão e com fome de vitrine. É o caso do volante Otávio e do lateral-esquerdo Jota, ambos da Portuguesa Santista, campeã da A3 e que subiu para a A2.

    Empréstimos de clubes parceiros: Tombense-MG e Santos são os dois principais fornecedores. O goleiro Douglas Marques e o meia David Braw chegam do Tombense. Os zagueiros Alex Nascimento e o meia Enzo Boer vêm do Santos. Emprestar jogadores desses clubes significa trazer atletas formados em boas estruturas, com potencial de revenda, mas sem custos imediatos de aquisição.

    Atletas livres no mercado: O zagueiro Diogo Silva, ex-Guarani, estava sem clube. O meia Cesinha e o zagueiro Hiago Ribeiro foram tirados do Água Santa. Jogadores experientes, que conhecem o futebol paulista e não exigiram investimento em taxas de transferência.

    APENAS DOIS DEFINITIVOS: A REALIDADE QUE SE IMPÕE

    Dos nove nomes fechados até aqui, apenas dois assinaram em definitivo: o lateral-esquerdo Jota e o volante Otávio. O restante chega por empréstimo ou com contrato de curta duração, o que escancara a dificuldade financeira do clube em assumir compromissos de longo prazo.

    No caso de Jota, a Ponte conseguiu um acordo até o fim da Série A2 de 2027, com cláusula de preferência para extensão em caso de boa performance — modelo que protege o clube de gastos imediatos, mas mantém o controle sobre um eventual ativo valorizado.

    TRANSFER BAN: A CORRIDA CONTRA O RELÓGIO

    Todo esse movimento, porém, ainda depende de um fator burocrático crucial: o transfer ban que impede a Ponte de registrar novos atletas. Enquanto a diretoria corre para resolver as pendências e abrir oficialmente a janela de inscrições, os reforços seguem treinando e aguardando a regularização.

    A expectativa é que a situação seja resolvida a tempo de os novos contratados ficarem à disposição de Márcio Zanardi no segundo turno da Série B, onde a Macaca luta para se afastar da zona de rebaixamento e dar uma resposta ao torcedor.

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