Ponte Preta encara desabafo de Elvis como "showzinho desnecessário"

Nos bastidores, o discurso do meia foi classificado pela alta cúpula alvinegra como "exagerado" e considerado "desnecessário"

Apesar da avaliação interna, nenhum dirigente da Ponte Preta se manifestou publicamente. Silêncio dominou o Majestoso.

Elvis subiu o tom contra a Diretoria Ponte Pretana
Elvis subiu o tom contra a Diretoria Ponte Pretana (Foto: Marcos Ribolli-PontePress)

Campinas, SP, 09 (AFI) – O desabafo de Elvis após a derrota para o Criciúma caiu como uma bomba nos corredores do Majestoso e escancarou, de vez, a crise entre elenco e a diretoria da Ponte Preta. Se antes os jogadores evitavam falar publicamente sobre os atrasos salariais, e, em alguns casos, eram orientados a não tocar no assunto, a paciência chegou ao limite depois de mais uma promessa descumprida pela gestão.

Em junho, o clube quitou os vencimentos referentes ao mês de janeiro de atletas e funcionários. Na ocasião, a diretoria garantiu que os pagamentos teriam sequência no mês seguinte. O quinto dia útil de julho, porém, passou sem que a promessa fosse cumprida, repetindo um roteiro já conhecido dentro do Majestoso.

De cabeça quente, Elvis não poupou palavras na zona mista. O camisa 10 direcionou as críticas ao presidente Luiz Antônio Alves Torrano e ao vice-presidente e diretor de futebol, Marco Antônio Eberlin, e pediu, de forma enfática, que ambos “saíssem fora” da Ponte Preta.

A repercussão foi imediata. Nos bastidores, o discurso do meia foi classificado pela alta cúpula alvinegra como “exagerado” e considerado “desnecessário”.

Repetindo o mesmo discurso que ocorreu durante o Campeonato Paulista, quando o meia também fez críticas à diretoria. Na época, Eberlin foi às rádios e disse que Elvis “exagerou” e “só fica na Ponte quem queira ficar“.

Elvis deu declaração no Majestoso
Elvis deu declaração no Majestoso (Foto: Marcos Ribolli-PontePress)

SILENCIO NOS CORREDORES

Apesar da avaliação interna, nenhum dirigente se manifestou publicamente ou divulgou qualquer posicionamento oficial sobre um episódio que rapidamente ganhou espaço na imprensa nacional.

Nem mesmo a “porra do podcast” do presidente Torrano, citado por Elvis durante o desabafo, foi publicado nesta quinta-feira, aumentando ainda mais o silêncio da diretoria em meio à crise.

Ainda não há definição sobre uma eventual punição ao jogador. A possibilidade de um afastamento existe e é discutida internamente, embora também haja quem defenda que qualquer medida mais dura possa ampliar o desgaste com um elenco que já demonstra forte insatisfação.

O precedente existe: Brayan Borges acabou afastado após um desentendimento com Eberlin.

Enquanto a diretoria evita se posicionar, o ambiente interno segue cada vez mais tenso. Nos bastidores, cresce a percepção de que a pressão sobre Torrano e Eberlin atingiu um novo patamar, tornando a permanência da atual gestão cada vez mais difícil de sustentar.