Fifa avalia volta da Rússia após decisão do COI

Presidente da Fifa já sinalizou desejo de reintegrar os russos, mas resistência de Inglaterra, Alemanha e França pode pesar.

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Fort Worth, EUA, 09 (AFI) – A Rússia pode estar próxima de dar o primeiro passo para retornar ao cenário do futebol de seleções. A Fifa confirmou que analisará se acompanha a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), que derrubou provisoriamente a suspensão do Comitê Olímpico Russo e permitiu o retorno da bandeira do país em torneios olímpicos. A medida reacende o debate sobre a reintegração dos russos às competições da entidade máxima do futebol, mas deve encontrar forte resistência no continente europeu.

FIFA SE DIZ “CIENTE” E ABRE DISCUSSÃO

Em resposta ao Estadão, a Fifa afirmou estar “ciente” da decisão tomada pelo COI e informou que a questão será analisada em conjunto com os membros filiados à entidade. A discussão deve incluir obrigatoriamente a Uefa, que mantém clubes e seleções russas fora de seus torneios desde fevereiro de 2022, quando a guerra na Ucrânia teve início.

A Uefa não tende a facilitar o processo. Embora não tenha se pronunciado oficialmente sobre esta movimentação específica, a entidade europeia já demonstrou resistência em episódios anteriores. Há três anos, quando houve uma tentativa de reintegrar as seleções russas em torneios juvenis, federações influentes do futebol europeu se posicionaram contra. Inglaterra, Alemanha e França — pesos pesados da política esportiva continental — foram contrárias à readmissão dos russos e devem repetir a postura.

CAMINHO PELAS CATEGORIAS DE BASE

O primeiro teste para o retorno russo será nas categorias inferiores. A Rússia está confirmada no Campeonato Mundial Sub-15, programado para ocorrer entre 22 e 31 de outubro deste ano. Será a primeira aparição de uma seleção russa em uma competição oficial da Fifa desde o banimento.

No futebol profissional, a situação é mais complexa. Embora a Copa do Mundo seja organizada pela Fifa, a Rússia disputa as Eliminatórias Europeias — torneio conduzido pela Uefa. O presidente da entidade, Aleksander Ceferin, que buscará a reeleição em 2027, precisará equilibrar os interesses dos países membros, muitos dos quais mantêm posição firme contra qualquer flexibilização enquanto o conflito armado persistir.

INFANTINO JÁ DEU SINAL POSITIVO

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, não esconde sua posição pessoal sobre o tema. Em fevereiro deste ano, durante entrevista à rede britânica Sky News, o mandatário foi direto: “Sou contra proibições e boicotes. Acredito que eles não trazem nada de bom, apenas contribuem para mais ódio”. A declaração acendeu o alerta em federações europeias que defendem a manutenção do isolamento russo.

Em maio de 2025, Infantino ouviu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — com quem estreitou laços nos últimos anos —, uma sugestão para que a Rússia participasse da Copa do Mundo de 2026 como incentivo para o fim da guerra. O dirigente condicionou qualquer retorno ao término do conflito. “Esperamos que algo aconteça e que a paz se estabeleça para que a Rússia possa ser readmitida”, disse na ocasião.

LINHA DO TEMPO DO BANIMENTO

A exclusão da Rússia do futebol internacional foi rápida e implacável. Em 28 de fevereiro de 2022, quatro dias após o início da invasão à Ucrânia, Fifa e Uefa anunciaram conjuntamente o banimento de todas as seleções e clubes russos de suas competições. A medida tirou a seleção masculina da repescagem das Eliminatórias para a Copa do Catar e impediu a participação feminina na Eurocopa daquele ano.

O COI demorou mais a agir. A suspensão do Comitê Olímpico Russo só foi adotada em outubro de 2023. Antes disso, a bandeira russa já havia sido banida dos Jogos Olímpicos por decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS), em 2019, após a conclusão de que autoridades do país adulteraram dados do laboratório de testes de Moscou para enganar investigadores da Agência Mundial Antidoping (WADA).

Em Tóquio-2020, os atletas russos competiram sob a sigla do Comitê Olímpico Russo (ROC), sem direito a hino, bandeira ou símbolos nacionais. A suspensão de 2023 deu continuidade a um isolamento que já vinha sendo aplicado por motivo diverso da guerra.

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