Federação Argentina é investigada pelo FBI após transações suspeitas nos EUA
Departamento de Justiça americano investiga transações da entidade presidida por Claudio Tapia.
Empresa TourProdEnter LLC, que atuava como agente de cobrança de contratos com Adidas e Warner, está no centro das apurações.
Washington, EUA, 08 (AFI) – Enquanto a seleção argentina avança como uma das favoritas na Copa do Mundo de 2026, a AFa enfrenta um adversário bem mais complicado fora dos gramados.
O FBI e procuradores federais dos Estados Unidos investigam a Associação do Futebol Argentino (AFA) por transações financeiras milionárias em território americano. A suspeita é que parte da movimentação de mais de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,55 bilhão) possa configurar crimes como lavagem de dinheiro ou fraude bancária.
COMO A INVESTIGAÇÃO COMEÇOU
Segundo informações do jornal argentino “La Nación”, as apurações ganharam corpo ao longo de 2025 e são conduzidas diretamente de Washington. Os procuradores-gerais Patrick Gushue e Christopher Ting lideram o caso, com apoio de Michael Berger, que atua no Distrito Sul da Flórida. O currículo dos investigadores impressiona e dá a dimensão da seriedade com que o caso é tratado pelo Departamento de Justiça americano.
Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária, setor especializado em crimes financeiros de alta complexidade. Já Berger carrega no histórico a condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, por lavagem de dinheiro em Miami. A experiência da equipe sugere que os americanos não estão dispostos a tratar o caso como uma simples irregularidade contábil.
A EMPRESA NO CENTRO DAS SUSPEITAS
O foco principal dos investigadores está na atuação da TourProdEnter LLC, empresa que assumiu a função de agente de cobrança dos contratos internacionais da AFA. A companhia teria canalizado centenas de milhões de dólares provenientes de acordos com multinacionais, operando como uma espécie de intermediária financeira da federação presidida por Claudio Tapia.
Entre os contratos que passaram pela TourProdEnter LLC, o La Nación cita dois de valores expressivos: um de US$ 60 milhões (cerca de R$ 310,34 milhões) com a Adidas e outro de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 206,9 milhões) com a Warner. A rota que esse dinheiro percorreu até chegar aos cofres da AFA é justamente o que o FBI tenta rastrear.
DEPOIMENTOS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
As investigações já avançaram para a fase de coleta de depoimentos. Agentes do FBI e integrantes do Departamento de Justiça dos EUA já ouviram pessoas ligadas às operações financeiras da AFA. Entre os depoentes está o empresário Guilherme Tofoni, que participou de uma reunião por videoconferência com os investigadores americanos.
O objetivo central das oitivas é mapear se as transações realizadas pela federação argentina em solo americano respeitaram as leis bancárias dos Estados Unidos ou se, ao contrário, utilizaram o sistema financeiro do país para acobertar irregularidades. A jurisdição americana permite que crimes financeiros cometidos por entidades estrangeiras sejam punidos quando envolvem dólares ou instituições bancárias sediadas nos EUA.
CLAUDIO TAPIA SOB OS HOLOFOTES
Presidente da AFA e homem forte do futebol argentino, Claudio Tapia está no epicentro da crise, embora ainda não tenha sido formalmente acusado de qualquer irregularidade. A federação, até o momento, não se manifestou publicamente sobre a investigação em curso, mantendo silêncio enquanto a seleção albiceleste segue sua campanha na Copa do Mundo.
A situação cria um contraste incômodo: de um lado, Lionel Messi e companhia buscam o bicampeonato mundial consecutivo nos gramados americanos; do outro, a entidade que representa o futebol do país é alvo de uma investigação federal justamente nos Estados Unidos, palco do torneio.
O QUE PODE ACONTECER
Caso as suspeitas de lavagem de dinheiro ou fraude bancária se confirmem, a AFA pode enfrentar sanções severas que vão muito além das fronteiras argentinas. O sistema judiciário americano tem poder para bloquear ativos, aplicar multas bilionárias e até mesmo impedir que a entidade realize novas transações financeiras em dólar — o que paralisaria contratos comerciais vitais para a manutenção do futebol argentino.
Noticias Relacionadas
-
Futebol Mundo
Após queda do Brasil, Endrick inicia nova disputa por espaço no Real Madrid
08/07/2026 -
Futebol Mundo
Bruno Guimarães pede para deixar Newcastle e tem destino preferido na Premier League
08/07/2026 -
Futebol Mundo
Manchester United acerta com volante brasileiro por R$ 344 milhões para substituir Casemiro
08/07/2026 -
Futebol Mundo
Atacante ex-Avaí brilha na China, vive melhor fase e desabafa
08/07/2026





































































































































