Casa Branca produziu dossiê contra Claus para reverter suspensão de Balogun

Segundo o portal The Athletic, o governo Donald Trump recrutou advogados em conjunto com o Secretário de Comércio e o doador da Federação

Donald Trump, presidente dos EUA (Foto: Reprodução-Instagram @realdonaldtrump)
Donald Trump, presidente dos EUA (Foto: Reprodução-Instagram @realdonaldtrump)

São Paulo, SP, 6 – Com o objetivo de garantir a participação de Folarin Balogun nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, a Casa Branca coordenou uma operação jurídica e política sem precedentes, produzindo um dossiê contra a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela aplicação do cartão vermelho que resultaria na suspensão automática do atacante norte-americano.

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Segundo o portal The Athletic, braço de esportes do New York Times, o governo Donald Trump recrutou advogados em conjunto com o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o doador da Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer) e gestor de fundos de investimento, Scott Goodwin.

Esses materiais legais foram enviados à federação americana e serviram de base para o conjunto de documentos submetido à Fifa para contestar a suspensão do atacante após o cartão vermelho recebido no jogo contra a Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase da competição.

Ainda de acordo com a publicação, Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, teve um papel central ao trabalhar diretamente com a equipe jurídica e buscar atualizações constantes tanto da Fifa quanto da U.S. Soccer. A defesa produzida argumentou que a expulsão foi injusta, focando especificamente em uma suposta falha na implementação do sistema de VAR.

A alegação principal foi de que a arbitragem se baseou excessivamente em imagens congeladas e em câmera lenta, o que teria distorcido a percepção da gravidade da falta e induzido o árbitro de campo ao erro. Somando-se ao esforço jurídico, Trump telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da suspensão automática.

Em outra publicação, o New York Times afirmou que Goodwin levou ao conhecimento de autoridades ligadas a Trump acusações públicas de que Claus estaria envolvido em manipulação de resultados no Brasil, aplicando cartões vermelhos de forma irregular. As autoridades brasileiras e a Fifa não encontraram evidências de irregularidades por parte de Claus, mas Trump mencionou essas alegações em sua conversa com Infantino.

O CASO

Balogun foi expulso na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia após pisar no tornozelo direito do zagueiro Tarik Muharemovic em uma disputa de bola. A expulsão resultou em sua suspensão automática para o jogo das oitavas de final contra a Bélgica. O próprio atacante admitiu à imprensa, na sexta-feira, que teve que “aceitar” o cartão vermelho.

Neste domingo, a Fifa emitiu um comunicado afirmando que Balogun estaria disponível para o confronto com a Bélgica, apesar de ter recebido o cartão vermelho na partida anterior. A decisão causou indignação na Uefa, que classificou a decisão como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.

A Real Federação Belga de Futebol afirma que não obteve resposta ao cobrar explicações sobre a liberação do atleta e teve o recurso contra a elegibilidade do atleta norte-americano negado. A entidade afirmou que, independentemente do resultado da partida, irá contestar a escalação do jogador.

Nesta segunda-feira, Trump confirmou a repórteres na Casa Branca que telefonou para Infantino para pedir a revisão da suspensão automática de Balogun. Em sua declaração, o presidente dos EUA classificou Claus como “suspeito”.

“Eu vi o lance, e sou uma pessoa que ama esportes… Aquilo não foi uma falta. Nem mesmo uma infração. Esse árbitro, que é um pouco suspeito se você checar o passado dele, fez uma marcação que ninguém pôde acreditar. Ele é nosso melhor jogador, ou um de nossos melhores jogadores. E ele deu um cartão vermelho pra ele. Eu nem sabia o que isso significava. Sim, eu pedi uma revisão da Fifa”, disse Trump.

Minutos após a declaração de Trump, Infantino confirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos sobre o caso, mas reforçou que a decisão cabe exclusivamente aos órgãos judiciais independentes da entidade.

“Sim, eu discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da Fifa com o presidente dos Estados Unidos e, sobre esse tema, recebi uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, representantes do futebol e executivos de empresas sobre diversos assuntos. Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo jurídico em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido oportunamente pelas instâncias competentes. É assim que o sistema da Fifa funciona e esse é um princípio que sempre defenderei.”

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