Argentinos tomam Miami e provocam brasileiros na Copa

Nesta quinta-feira, milhares de argentinos se reuniram em North Beach para um bandeiraço

Além da presença massiva de argentinos que lá moram, o distrito é como se fosse uma extensão do país sul-americano nos Estados Unidos

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Torcida da Argentina em festa antes de encarar o Cabo Verde - Foto: Reprodução / X

Campinas, SP, 03 (AFI) – As padarias vendem medialunas, os restaurantes oferecem bife à milanesa ou de chorizo com chimichurri acompanhado de uma taça de vinho e, nas sorveterias, o sabor mais vendido é o de doce de leite. Não é um bairro da Argentina. Trata-se de uma região de Miami, cidade com numerosa comunidade argentina.

A zona em questão é North Beach, bairro apelidado de Pequena Buenos Aires. É fácil perceber o motivo: além da presença massiva de argentinos que lá moram, o distrito é como se fosse uma extensão do país sul-americano nos Estados Unidos.

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MIAMI ARGENTINA

Há lojas, restaurantes, padarias e mercados que vendem produtos tipicamente argentinos. Eles estão situados na Avenida Collins e nas ruas que a cruzam, quase à beira-mar. O restaurante mais famoso, Manolo, atrai filas, exibe os jogos da seleção argentina e funciona como o ponto de encontro dos torcedores. “É quase como o Obelisco”, resume um garçom que trabalha no local.

Nesta quinta-feira, véspera do duelo da Argentina contra Cabo Verde, pela fase de 16 avos da Copa do Mundo, milhares de argentinos se reuniram em North Beach para um bandeiraço, tradicional evento em que estendem uma bandeira gigante e cantam muito e alto, munidos de instrumentos e rojões, em apoio à seleção argentina.

“Esta manifestação pertence ao povo. Não há patrocinadores. Nem empresas. Nem donos. Apenas argentinos unidos pela mesma paixão: a seleção nacional”, diz a mensagem na publicação que anuncia o evento nas redes sociais.

“É uma loucura quando eles se juntam aqui, a polícia tem que fazer vários bloqueios”, conta a brasileira Caroline Mendes, atendente de uma sorveteria na região. Em North Beach, há também restaurantes com culinária de outros países latinos, incluindo brasileira, peruana e mexicana.

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SEGURANÇA E PROVOCAÇÕES

De fato, a polícia teve que bloquear algumas ruas e instalar grades na principal avenida que dá acesso à praia em North Beach. Não foi registrado nenhum grave incidente, embora os policiais tenham tido de conter alguns torcedores, incluindo o cantor Andrés Ciro Martínez. Ele tocava o hino argentino na gaita posicionado em cima um motorhome quando foi interrompido, pedindo que descesse devido à aglomeração.

As ruas, tomadas por milhares de torcedores, se transformaram em um grande bloco carnavalesco argentino. Em vez de marchas carnavalescas, eles cantavam gritos de apoio à “Scaloneta”, Messi, e algumas músicas provocativas ao Brasil e ao Uruguai. Isso tudo simultaneamente, já que três bandeiraços aconteciam ao mesmo tempo no mesmo bairro.

Reunidos na praia, eles cantaram ‘Que te pasa brazuca?’, cujos versos trazem frases como “Todo mundo na favela está chorando”. Outro grupo no parque a metros da praia reproduziu a mesma canção provocativa ao Brasil, um pouco mais alto e com bateria, antes de soltar rojões. Num outro canto, alguns faziam churrasco, que chamam de ‘asado’.

IDOLATRIA E MULTIDÃO

A multidão mais volumosa estava espalhada pelas ruas que cercam o restaurante Manolo, pelas quais passavam carros com a bandeira da Argentina e até um ônibus envelopado com imagens dos jogadores.

Antes do evento, Carlos Delfino, proprietário de um restaurante na região, estimou que haveria 40 mil argentinos. Foi um exagero. Ainda assim, havia dezenas de milhares, suficiente para encher um estádio pequeno. Muitos com crianças, todas vestidas com a camisa 10 de Lionel Messi, o que não ofuscou as reverências a Maradona, sempre presente em camisas, faixas e bandeiras.

As autoridades calculam que há, nesta semana, mais de 100 mil argentinos na cidade, entre turistas e moradores. A maioria deles sem ingressos para ver Messi e seus companheiros no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.

CASA CHEIA?

O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Claudio “Chiqui” Tapia, havia dito que era esperado que 50 mil argentinos viajassem a Miami sem bilhetes para assistir ao jogo.

“Estamos trabalhando para garantir que o máximo de pessoas possível possa comparecer. Esta é uma partida que ninguém esperava que atraísse tanto público, e estamos solicitando informações sobre os ingressos restantes para que as pessoas possam comprá-los e ter acesso”, afirmou em entrevista a uma rádio local.

É o caso de Matías Acuña, torcedor que viajou de Mendoza a Miami. “Os preços baixaram um pouco, mas ainda estão muito caros”, constata. Na plataforma oficial da Fifa, o ingresso mais barato era vendido por US$ 4 mil (R$ 20 mil) na semana do confronto. Em sites de revenda, era possível encontrar entradas a partir de U$S 7 mil (R$ 44 mil). Os preços têm flutuado muito, resultado do sistema de precificação dinâmica adotado pela Fifa.

Matías e seu amigo, Enzo, tomavam levavam fernet dentro de um isopor e caminhavam em direção à praia quando a reportagem os abordou. “Vou a Atlanta. Depois, não sei. Na final com certeza não estarei, não tenho como pagar”, diz ele, mencionando o local do jogo seguinte da seleção argentina, pelas oitavas de final, caso elimine Cabo Verde.