Brasileiro que fez história no Japão aposta no Brasil

Luis Flávio Buongermino fez história ao trabalhar na seleção do Japão que participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo, em 1998, na França.

Um confronto especial para um brasileiro, que foi pioneiro no futebol japonês: o preparador físico Luis Flávio Buongermino.

Copa do Mundo - 2026
Luis Flávio Buongermino: pelo Japão, em 1998

Campinas, SP, 26 (AFI) – O Brasil vai enfrentar o Japão na segunda fase da Copa do Mundo de 2026, confronto com data e horário marcados: segunda-feira, dia 29 de junho, às 14 horas (de Brasília). Um confronto especial para um brasileiro, que foi pioneiro no futebol japonês: o preparador físico Luis Flávio Buongermino.

Hoje aposentado, aos 77 anos e 11 passaportes cheios, Luis Flávio mora na pacata cidade de Jaguariúna, na região metropolitana de Campinas (SP). Ele tem na sua trajetória a participação em dois mundiais: na Copa do Mundo de 1998, pelo Japão, e no Mundial sub-20, pela Coreia do Sul, em 2017.

Além disso, disputou duas Olimpíadas: Atlanta-EUA, em 1996, pelo Japão, e no Rio de JaneiroBrasil, em 2016, pela Coreia.

JAPÃO VENCEU BRASIL EM ATLANTA

Em Atlanta ele esteve em campo na histórica vitória do Japão sobre o Brasil por 1 a 0, na estreia da fase de grupos das Olimpíadas. Uma grande zebra. O técnico brasileiro era Zagallo, que tinha convocado um misto de jovens promessas com grandes jogadores como Roberto Carlos, Dida, Ronaldo e Bebeto.

Depois, o Brasil perdeu para a Nigéria, por 4 a 3, nas semifinais e levou a medalha de bronze ao golear Portugal por 5 a 0, com três gols de Bebeto, um de Ronaldo e outro de Flávio Conceição.

Mergulhado em anotações ainda de papel e caneta, Luis Flávio também se cerca de dezenas de troféus e medalhas. E lembra com orgulho quando fez história ao trabalhar na seleção do Japão que participou pela primeira vez de uma Copa do Mundo, em 1998, na França. Ao todo foram 71 jogos na Seleção.

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Fichas de Luis Flávio e técnico japonês

TRABALHO COM ATUAL TÉCNICO JAPONÊS

Naquele ciclo do Mundial, ele teve a oportunidade de trabalhar com o atual técnico japonês, Hajime Moriyasu, um ex-meio-campo.

“Ele era um volante disciplinado, marcador. Mas não conseguiu integrar o grupo que foi à França”, lembra Luis Flávio. O atual técnico japonês, como jogador, defendeu a seleção por 35 jogos, entre 1992 e 1996.  

Moriyasu tem chamado a atenção nos Estados Unidos. Chorou copiosamente na execução do hino nacional antes da estreia contra a Holanda, que terminou empatado por 2 a 2.

Nos jogos chamou atenção à beira do campo ao gesticular com seus jogadores e inovar ao improvisar um quadro para avisar seus jogadores o tempo de jogo. Uma forma simples, mas incomum, se não, inusitada, pelo menos, em Mundiais.

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Moriyasy é criativo: tempo de jogo em placa

JAPÃO DE 1998 ERA MELHOR

Para quem escreveu parte da história do futebol japonês, é uma satisfação lembrar da qualidade daquele selecionado.

“Todo mundo fala até hoje que a melhor seleção do Japão foi a de 1998, aquela que esteve na França. Na época, o nosso treinador de goleiros era outro brasileiro, o Zé Mário, que trabalhou também na seleção olímpica japonesa, em Atlanta (EUA)”, lembra, Luis Flávio.

Segundo Luis Flávio, o selecionado japonês da época não tinha tanta experiência internacional, não contava com jogadores nas principais ligas europeias, mas tinha boa qualidade técnica e estava muito bem preparada, física e taticamente.

O técnico era Takeshi Okada, que assumiu de forma emergencial no final das eliminatórias após a demissão de Shu Kamo. Sob o comando de Okada, a seleção disputou sua primeira Copa do Mundo.

O selecionado japonês integrou o Grupo H e enfrentou Argentina (0 x 1 – técnico Daniel Passarela), Croácia (0 x 1 – técnico Miroslav Brasevick) e Jamaica (1 x 2 – técnico Renê Simões), terminando a competição na primeira fase após três derrotas, mas com resultados apertados. E marcou seu primeiro gol em Mundiais com Masashi Nakayama.

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Luis Flávio: crachá registra Copa 1998

LUIS FLÁVIO, 13 ANOS DE JAPÃO

Ex-jogador do América, de São José do Rio Preto, no início dos anos de 1970, ele atuou ainda no futsal antes de se formar em educação física. Daí correu o interior, passando por Marília, São José, Santo André, Portuguesa e Guarani, entre outros.

Depois passou por grandes clubes, como Santos e Vasco, antes de trilhar uma carreira internacional por Portugal, Arábia Saudita e na Ásia – Japão e Coreia do Sul. Ao longo da carreira, acumulou mais de 50 títulos.

A história de Buongermino no Japão se estendeu por 13 anos. Começou em 1991 ao lado do técnico Pepe, campeão bicampeão mundial pelo Brasil em 1958 e 1962.

A dupla brasileira foi campeã da antiga JSL (Japan Soccer League) e bicampeão da J-League. Quando Pepe deixou o Japão em meados dos anos 90, formou nova dupla de sucesso ao lado de Nelsinho Baptista, que viu a transformação do Yomiuri em Verdy Kawasaki.

Neste período ele peregrinou por vários clubes, emprestando seus conhecimentos para os japoneses.
Passou pelos seguintes clubes:

  • Yomiuri Verdy;
  • Consadole Saporo;
  • Urawa Reds;
  • Vissel Kobe;
  • Tokyo Verdy;
  • Vonds Ichihara.

Lá ele trabalhou com dois técnicos brasileiros, onde teve alguns títulos: Pepe e Nelsinho Baptista. Mas conquistou dois títulos da Liga com técnicos japoneses: Matsuki e Takeshi Oda, ambos pelo Yomiuri Verdy.

Também fez campanha vitoriosa na segunda divisão, subindo com o Urawa Reds, com o técnico japonês Kenzo Yokoyama. No Vissel Kobe foi campeão ao lado dos técnicos japoneses Kawakatsu e Soejima.

A sua trajetória vitoriosa nos clubes o levou para a seleção Japonesa, onde permaneceu por quase quatro anos – de 1994 até 1998. Trabalhou, portanto, na estrutura da seleção, que disputou sua primeira Copa do Mundo em 1998, na França. Após o Mundial ele deixou a seleção e assumiu a preparação física do Consadole Saporo.

Nelsinho Baptista - Japão
Nelsinho Baptista: 17 temporadas no Japão. (Foto: Divulgação)

TÉCNICOS BRASILEIROS

Os técnicos e jogadores brasileiros solidificaram o futebol no Japão, que teve em 1993, a primeira J-League, com início no dia 15 de maio. Entre os técnicos mais vitoriosos estão o próprio Pepe, Nicanor de Carvalho e Nelsinho Baptista, que trabalhou por 17 temporadas no futebol japonês, sendo o estrangeiro mais longevo.

Mas outros técnicos passaram por lá como Levir Culpi, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira, Toninho Cerezo, Emerson Leão, João Carlos, Edu Coimbra, Zé Mário, Jorginho, Wagner Lopes e Ruy Ramos.

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Zico dirigiu Japão em 2006, na Dopa da Alemanha. Foto: reprodução X

ZICO NA SELEÇÃO DO JAPÃO

Idolatrado pelos japoneses, Zico dirigiu a seleção do país em 2006, na Copa da Alemanha, iniciando sua trajetória em 2002. Em 2004 conquistou a Copa da Ásia, tendo ficado à frente dos japoneses em 64 jogos, com 63% de aproveitamento.

Na Alemanha, o Japão caiu no Grupo F ao lado do Brasil, no único confronto entre eles em Copas. O Brasil goleou por 4 a 1, com gols de Ronaldo (2), Juninho Pernambucano e Gilberto. Antes o Japão tinha empatado por 0 a 0 com a Croácia e perdido na estreia para a Austrália, por 3 a 1. Ficou com um ponto.

CRAQUES BRASILEIROS

Entre os jogadores que desbravaram o futebol japonês nos anos de 1990, o maior deles, sem dúvida, foi Zico. Mas ele não foi campeão pelo Kashima Antlers, bem como outro ex-flamenguista famoso entre os nipônicos: o centroavante Alcindo.

Outros menos cotados aqui no Brasil, porém, brilharam com gols e títulos. O meia Toninho, ex-XV de Jaú e Portuguesa, foi artilheiro da antiga Liga Japonesa (JSL), com 18 gols na temporada de 1991/1992 pelo Yomiuri. Depois sempre esteve entre os principais goleadores até a temporada da 1995.

Japão - Bismark
Bismark: história de sucesso no Japão

Ou então o ex-vascaíno Bismark, bicampeão pelo Tokyo Verdy – 1993 e 1994 – (atual Verdy Kawasaki) e bicampeão pelo Kashima Antlers – 1998 e 2000/2001. Foi listado entre os ’11 melhores de todos os tempos ‘ no Japão.

Mas muitos outros craques estiveram temporadas em solo japonês, no entanto, sem muito brilho ou com pouca sorte, como como o meia Edu Marangon, ex-Portuguesa, o centroavante Careca, e os atacantes Edilson, Muller e Zé Sérgio.

De outro lado, outros se deram bem, como meia Jorginho, ex-Palmeiras, além de nomes conhecidos lá como Péricles, Juninho, Pereira (zagueiro), Ramos e Paulo Rodrigues.

TELÃO NA ACADEMIA

Luis Flávio tem assistido os jogos da Copa do Mundo, especialmente no Brasil, no telão instalado por seu filho na academia da família: a BLKOUT Gym Academia (Praça Emilio Marconato 791).

E acredita numa vitória brasileira sobre os nipônicos.

“O Brasil, por sua qualidade técnica e sua história, é favorito. Mas é preciso levar todo jogo a sério, porque há um nivelamento técnico e físico entre todas as seleções”, concluiu.

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Luis Flávio: jogos na academia da família em Jaguariúna