Torcida do México volta a entoar gritos homofóbicos contra goleiro tcheco
Durante a vitória por 3 a 0 sobre a República Tcheca, no Estádio Azteca, torcedores mexicanos repetiram o grito de "puto" contra o goleiro Matej Kovar.
Cidade do México, México, 25 (AFI) – A torcida do México voltou a manchar a imagem do futebol do país durante a Copa do Mundo. Na partida contra a República Tcheca, válida pela última rodada do Grupo A, realizada na última quarta-feira (24), no Estádio Azteca, os torcedores mexicanos entoaram gritos homofóbicos contra o goleiro adversário.
O alvo das ofensas foi o arqueiro tcheco Matej Kovar. Os gritos de “puto” foram repetidos a cada tiro de meta cobrado pelo goleiro, especialmente no segundo tempo da partida, vencida pelos mexicanos por 3 a 0.
A Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No entanto, a entidade já puniu o México por episódios semelhantes em edições anteriores do torneio.
HISTÓRICO DE PUNIÇÕES
Na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, o México foi multado em 10 mil francos suíços (cerca de R$ 37,5 mil à época) por conta dos gritos homofóbicos da torcida na estreia contra a Alemanha.
Na Copa do Catar, em 2022, a história se repetiu. A Fifa puniu novamente a seleção mexicana, mas com valor de multa mais alto: 100 mil francos suíços (aproximadamente R$ 500 mil). Os valores crescentes mostram o endurecimento da entidade em relação ao tema.
CASO CONTRA O BRASIL
Em 2024, durante um amistoso entre México e Brasil, nos Estados Unidos, os gritos homofóbicos tiveram o goleiro Alisson como alvo. O jogo foi paralisado aos 13 minutos do segundo tempo, e o telão do estádio exibiu uma mensagem pedindo que os mexicanos parassem com as ofensas.
A confederação brasileira se manifestou na ocasião, repudiando os atos e cobrando providências das autoridades.
CAMPANHA CONTRA GRITOS HOMOFÓBICOS
Devido aos casos recorrentes e às punições, a Federação Mexicana de Futebol lançou, em maio passado, uma campanha contra os gritos homofóbicos em estádios durante a Copa do Mundo.
A ação, chamada de “A ola, sim, o grito, não”, contou com a participação de ídolos do futebol mexicano, como Hugo Sánchez e Javier Aguirre, além de jogadores do elenco atual. O objetivo era incentivar que os torcedores continuem fazendo a tradicional “ola” – que se tornou febre durante a Copa de 1986, também realizada no México –, mas sem entoar cânticos discriminatórios.
Apesar da campanha, os gritos homofóbicos voltaram a ser registrados no confronto contra a República Tcheca, frustrando as expectativas da federação.
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