Da elite ao pior saldo da história: a crise no Catanduvense

O clube vem passando por muitas dificuldades fora das quatro linhas, incluindo a severa falta de recursos para investir no futebol

O Portal Futebol Interior apurou a caminhada do Catanduvense na Segundona e os motivos para a vexatória campanha na temporada

Catanduvense
Jogadores em comunhão após histórica goleada de 17 a 0 - Foto: Reprodução

Catanduva, SP, 23 (AFI) – O Grêmio Catanduvense vive um dos piores momento de sua longa história. O clube encerrou a participação no Campeonato Paulista Sub-23 Segunda Divisão, a Segundona, no último fim de semana, com números péssimos. Sofreu dez derrotas em dez jogos, além de ter sofrido goleadas incríveis, como o 17 a 0 na última partida, no sábado (20), diante da Independente de Limeira, escancarando de vez a sua crise institucional e administrativa.

No Grupo 2, ao lado de Independente, Mogi Mirim, Matonense, São Carlos e Santacruzense, a Bruxa marcou apenas quatro gols e sofreu 66, terminando na lanterna com saldo de -62, a pior marca da história da competição.

Além disso, sofreu também a maior goleada já registrada em uma competição profissional da Federação Paulista de Futebol (FPF). O jogo ainda terminou com uma cena inusitada: após o apito final, todos os jogadores participaram do momento de oração juntos, a convite dos atletas da equipe de Limeira, que agradeceram pela sensibilidade do gesto por parte do adversário, entendendo o momento delicado.

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CAMPANHA VEXATÓRIA

O clube vem passando por muitas dificuldades fora das quatro linhas, incluindo a severa falta de recursos para investir no futebol. Prova disso é a falta de jogadores para inscrever nas partidas, já que muitos atletas deixaram o clube ao perceberem as condições do projeto. A Bruxa ficou cinco anos afastada do futebol, longe das competições oficiais.

Na nona rodada, a penúltima da primeira fase, a equipe encarou a vice-líder da chave, Matonense, e sofreu a maior goleada em casa da história da competição: 13 a 0, atuando com apenas os 11 titulares inscritos para a partida.

A situação ficou ainda mais exposta quando o camisa 4, Euller, foi expulso nos acréscimos do primeiro tempo. O Catanduvense teve de disputar toda a segunda etapa com um jogador a menos, sem poder fazer nenhuma alteração por falta de atletas inscritos.

ESTREOU SEM TREINADOR

A caminhada começou em abril, no domingo, dia 19, com o Santacruzense aplicando 6 a 0 sobre a equipe que, na ocasião, estreou sem treinador no banco de reservas, demonstrando um claro sinal do que poderia acontecer.

Sergio Gomes
Sérgio Gomes, mandatário do Catanduvense – Foto: Reprodução

Nei Silva, que havia sido anunciado, não pôde ser inscrito, assim como o restante dos atletas. Na ocasião, o presidente à frente do projeto, Sérgio Gomes, havia prometido uma mudança de cenário já para a segunda rodada.

“No domingo o elenco será diferente. Nenhum dos atletas que entraram em campo estará relacionado. Teremos uma equipe mais qualificada, com pelo menos 18 jogadores, dois goleiros e reforços. Para nós, esse será de fato o primeiro jogo dessa nova fase”, pontuou Gomes, completando que Adão Alves seguiria como técnico interino após a desistência de Nei Silva.

O presidente pediu o apoio do torcedor na nova fase e admitiu a falta de recursos.

“Não temos nenhum apoio local. Tudo o que é investido é por minha conta, com ajuda de alguns parceiros”, acrescentou.

INSCRIÇÃO E PERDA DE ATLETAS

Conforme dito pelo mandatário, no segundo jogo, contra o São Carlos, o Catanduvense tinha 16 jogadores à disposição, ou seja, seis no banco de reservas para dar uma mínima condição de competir, o que até aconteceu, já que o clube foi melhor, mas ainda assim acabou derrotado por 2 a 1.

Na semana seguinte, 19 jogadores estavam aptos para atuar diante do Mogi Mirim, em mais uma derrota por 2 a 1. Contra a Matonense, outro revés, desta vez por 3 a 1, com 18 jogadores relacionados.

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No quinto duelo, contra a Independente, apesar de o elenco contar com 20 atletas, aproximando-se de uma estrutura mínima de um time profissional, ao menos no aspecto numérico, a equipe não apresentava qualidade física e técnica para competir: derrota por 5 a 0.

Conforme a Segundona avançava e os problemas não cessavam, o clube passou a sofrer com a saída de jogadores que compunham o elenco. Ainda assim, seguia contando com 16 ou 17 atletas, mantendo opções no banco de reservas.

Porém, da antepenúltima rodada em diante, quando a eliminação já era praticamente inevitável, o Catanduvense encerrou o campeonato com o número mínimo de atletas, com exceção da oitava rodada, quando ainda tinha 13 jogadores à disposição, o que, por si só, já evidencia a gravidade da situação.

Na derrota por 17 a 0, o time contava com apenas nove jogadores.

HISTÓRIA E FALTA DE RECURSOS

A história recente do futebol profissional em Catanduva é marcada por mudanças de nome, reestruturações e sucessivas tentativas de superar dificuldades financeiras.

Após a extinção do antigo Grêmio Esportivo Catanduvense, fundado em 1970 e responsável pelo acesso à elite paulista no fim da década de 1980, o município viu surgir novos clubes, como o Catanduva Esporte Clube e o Clube Atlético Catanduvense, criados para manter a tradição do futebol local.

Em 2004, o Grêmio Catanduvense assumiu o protagonismo da cidade e iniciou uma trajetória de crescimento nas divisões de acesso do Campeonato Paulista.

Depois de campanhas consistentes, conquistou o acesso à Série A3 em 2006, à Série A2 no ano seguinte e alcançou a Série A1 em 2011, vivendo o período mais marcante de sua história recente. No entanto, problemas financeiros voltaram a comprometer o projeto, culminando no afastamento das competições profissionais em 2019.

Após três anos longe dos gramados, o Grêmio Catanduvense retomou suas atividades em 2022, com uma nova diretoria e um projeto de reconstrução. Desde então, o clube trabalha para reorganizar sua estrutura administrativa e esportiva.

Em 2026, confirmou o retorno às competições, iniciando uma nova tentativa de recolocar o futebol de Catanduva no cenário estadual.

SILÊNCIO NOS BASTIDORES

A redação do Portal Futebol Interior entrou em contato com membros da diretoria do Catanduvense e vereadores de Catanduva em busca de mais detalhes a cerca da campanha. Entretanto, os mesmos se recusaram a falar sobre o caso.

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