Ponte Preta SAF: Você é a Favor ou Contra ?

A Ponte Preta está dividida em relação ao seu futuro. Mesmo numa crise histórica, tenta tomar uma decisão duvidosa: a criação da SAF.

Os atuais dirigentes alegam que o clube é inviável, embora tenha sobrevivido até os dias de hoje. Parece uma visão simplista e pouco criativa

Ponte Preta - SAF - 2026
Oposição é contra votação às pressas sobre criação da SAF

Campinas, SP, 16 (AFI) – Atravessando uma das maiores crises de sua história, com requintes desmoralizantes, a Ponte Preta vive um verdadeiro drama às vésperas de comemorar seus 126 anos de vida (no próximo dia 11 de agosto).

Mergulhada num grande déficit financeiro, vítima de má gestão e travando nos bastidores uma briga política imoral, chega nesta noite de 17 de junho de 2026 para definir seu futuro de forma inconsequente: para votar a criação de uma SAF – Sociedade Anônima do Futebol.

Os atuais dirigentes alegam que o clube é inviável economicamente, embora tenha sobrevivido até os dias de hoje. Parece uma visão simplista e pouco criativa. Para os opositores se trata de um ‘entreguismo puro’. Uma forma de se manter no poder com a ambição de defender interesses próprios os escusos.

Com torcidas organizadas manipuladas ou iludidas, com conselheiros ameaçados, com medo ou decepcionados, a convocação para decisão tão importante, pegou muita gente de surpresa. Um ato contestado por muitos torcedores e amantes da Macaca. Afinal de contas,

VOCE É CONTRA OU A FAVOR DA SAF NA PONTE PRETA ?

Ponte Preta - SAF - 2026

TÍTULO INÉDITO E NOVO REBAIXAMENTO

Dentro de campo, a Ponte Preta amarga a vice-lanterna da Série B do Campeonato Brasileiro, com apenas oito pontos em 13 partidas. Fora dele, convive com salários atrasados e problemas administrativos desde 2025, quando, mesmo diante do caos, conseguiu conquistar o inédito título da Série C do Brasileiro, mesmo com vários meses de atrsados salariais.

Neste ano, porém, a equipe não conseguiu ser minimamente competitiva e foi rebaixada no Campeonato Paulista sem nenhuma vitória, fazendo a sua pior campanha em uma competição oficial.

Além disso, o clube conviveu com ‘transfer bans’ e com a debandada de jogadores, alguns deles, inclusive, indo para o maior rival e decidindo dérbi sem sequer terem vestido a camisa alvinegra.

A Ponte Preta também acumula inúmeros processos na Justiça por falta de cumprimento de direitos trabalhistas, como o recolhimento do FGTS.

SAF REPENTINA

O encontro acontece às 19h, no Estádio Moisés Lucarelli e, de acordo com o comunicado, também foi realizada uma audiência pública destinada a prestar esclarecimentos sobre o item B (descrito abaixo) aos conselheiros natos e eleitos titulares. A reunião ocorreu um dia antes, na terça-feira (16), das 17h às 19h.

“A constituição da AAPP em Sociedade Ânônima do Futebol – SAF – através da transformação ou da cisão do departamento de futebol das demais atividades associativas. “

Edital Ponte Preta
O edital da convocação – Foto: Reprodução

Contudo, a convocação pegou torcedores e conselheiros de surpresa, já que, nos últimos meses, nenhum membro da diretoria deu qualquer indício de que o projeto estivesse em andamento ou de que houvesse algum interesse nesse sentido.

Porém, a motivação por trás dessa mudança não seria vender o clube ou se aliar a algum grupo de investidores, mas sim constituir uma SAF em que a Macaca detenha 100% das ações, passando a recolher menos impostos como clube-empresa, e não mais no modelo associativo.

Ponte Preta - 2026
Abdalla controla o Conselho Deliberativo. Foto: Marcos Ribolli

Mudança de postura e a nota do Conselho Deliberativo no último sábado (12)

No entando, este motivo foi apresentado intitucionalmente para o torcedor no último sábado (12), quando os conselheiros receberam por -email, uma carta da mesa diretora ratificando que a mudança proposta seria apenas pelas questões fiscais, especialmente pela reforma tributária em curso no país.

“A Mesa Diretora do Conselho Deliberativo da Associação Atlética Ponte Preta, presidida por José Armando Abdalla Junior, vem a público comunicar que a Reunião do dia 17 próximo futuro, em obediência às normas estatutárias, será única e exclusivamente para a nossa instituição, se aprovado for, constitua uma SAF, na qual a totalidade das ações será de sua propriedade.

Neste momento, a finalidade desta constituição tem por objetivo apenas e tão somente evitar que nosso clube tenha, com o advento da reforma tributária a ser imposta pelo Governo Federal, substancial aumento na sua carga tributária.

Informamos, reiterando que nesta reunião não será tratada a transferência de quota ou venda de patrimônio para qualquer fundo de investimento, até porque até agora a Diretoria Executiva não tem proposta de eventuais futuros parceiros.

Ressaltamos que, apesar de nosso Estatuto Social prever a constituição de SAF (art. 2, parágrafo único, inciso II), se está colocando em votação a proposta em questão em homenagem e respeito ao Egrégio Conselho Deliberativo.”

EM FEVEREIRO, NÃO HAVIA NADA

Em fevereiro, durante entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, o presidente Luiz Torrano chegou a falar sobre o tema, alertando para os riscos do modelo. Na ocasião, afirmou que não descartava a ajuda de investidores, mas ressaltou que não havia recebido nenhuma proposta considerada interessante.

“Tudo depende do parceiro para a SAF. Se o parceiro for firme, essa é uma opção. Porque, anteriormente à SAF, vem a Recuperação Judicial, que é colocar todos os débitos em uma mesma ação e fazer o plano de pagamento.

Esse parceiro tem que ser firme, tem que ter lastro e nos dar garantias de que serão cumpridas regularmente as parcelas da RJ que antecede a SAF. Porque, se não cumprir as parcelas da Recuperação Judicial, é fechar o clube. Então depende do parceiro. Temos propostas, mas nenhuma nos animou”, declarou.

DIFERENÇA DE IMPOSTOS

A Ponte Preta, no entanto, afirma que não haverá nenhuma discussão sobre a venda do clube ou potenciais investidores, focando apenas na questão dos impostos. Segundo o diretor jurídico, depois da reforma, os clubes associativos passarão a pagar até 16% de impostos, enquanto o modelo SAF será limitado a 5%.

Atualmente, a tributação sobre as associações esportivas é muito baixa, quase nula. Apenas 5% incidem sobre o PIS e a folha de pagamento, ou seja, praticamente apenas as contribuições previdenciárias, já que o clube é o “patrão”.

“Estamos tentando fazer uma prevenção das contas futuras da Ponte Preta”, afirmou o diretor nesta terça-feira, em entrevista à Rádio Brasil aos jornalistas Elias Aredes Jr. e Israel Moreira.

O OUTRO LADO

Porém, é importante salientar que existe um projeto de lei chamado RETAD (Regime Especial de Tributação para Associações Desportivas), que já foi aprovado no Câmara dos Deputados e agora passará pelo crivo do Senado, mas com boas chances de também ser aprovado.

O projeto consiste em criar um sistema simplificado de impostos, com alíquota unificada de 5% sobre a receita bruta para clubes associativos sem fins lucrativos, que é justamente o caso da Ponte Preta. As associações continuariam com impostos em torno de 16%.

A medida é justamente pensada para igualar e equilibrar a carga tributária entre os clubes sociais e as SAFs. Deste modo, invalida ou, ao menos, enfraquece o argumento da diretoria sobre essa urgência na aprovação da SAF.

Além disso, mesmo que a reforma seja aprovada, ainda haveria um período de transição para a cobrança das novas alíquotas, com previsão de sete anos a partir de 2027. Ou seja, a tributação de 16% mencionada pelo clube só seria alcançada integralmente em 2033.

CONSELHO INSATISFEITO E OPOSIÇÃO

Paralelo a todo este cenários, desde o último dia 9 de junho,  um grupo de dez conselheiros que fazem parte da oposição, protocolou um requerimento no Conselho Deliberativo solicitando a suspensão da Assembleia Extraordinária que irá discutir a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) na quarta-feira (17).

No requerimento, os conselheiros solicitam que a Comissão Permanente de Ética e Disciplina (CPED) e o Conselho Fiscal apurem possíveis irregularidades administrativas, financeiras e estatutárias envolvendo o presidente Luís Antônio Alves Torrano e o vice-presidente Marco Antônio Eberlin.

Além disso, defendem o afastamento cautelar dos dirigentes durante o período de investigação.

O documento foi assinado por:

  • Gustavo Garcia Valio,
  • Giuliano Guerreiro Ghilardi,
  • Giovanni Dimarzio,
  • Adelaide Albergaria Pereira Gomes,
  • José Carlos Nogueira de Castro,
  • Fernando Mello Porto,
  • Fernando Vasconcellos Cunha Neto,
  • João Carlos Ginefra Vasconcellos Cunha,
  • Maurilei Pereira e
  • Décio Sirbone Júnior.

Os signatários, no entanto, afirmam que a iniciativa não possui caráter político ou eleitoral.

Segundo eles, o objetivo é garantir o cumprimento do Estatuto Social, preservar o patrimônio da Associação Atlética Ponte Preta e assegurar boas práticas de governança antes de qualquer decisão considerada irreversível sobre a implementação da SAF.

COMO FAZ PARA APROVAR

Na reunião, os 300 conselheiros têm direito a voto e a participar do pleito, sendo 150 conselheiros natos e 150 conselheiros eleitos. Portanto, para ter a aprovação, é preciso obter 2/3 dos votos dos presentes para que o processo siga em frente.

A Situação larga na frente porque conta com cerca de 100 conselheiros, que são verdadeiros ‘apoiadores’ de Marco Eberlin. Segundo a oposição, estes conselheiros teriam suas mensalidades bancadas pelo próprio dirigente. O cartola, claro, nega o fato veementemente.

É dificil imaginar que a Oposição consiga suplantar esta marca de 100 conselheiros. Mas pode tentar impedir esta aprovação da SAF à toque de caixa.

Contudo, este é apenas um primeiro passo para o processo ser concluído. Vale destacar também, que a situação tem forte poder e influência no Conselho Deliberativo e, por isso, Torrano e Eberlin contam com seus pares para ter o índice necessário.

Série B - 2026
Novo escudo da Ponte Preta ?

ASSEMBLEIA GERAL É ÚLTIMO PASSO

A reunião do Conselho Deliberativo desta quarta-feira (17) não define, por si só, a criação da SAF da Ponte Preta. Pelo rito previsto no Estatuto, o processo começa com um parecer de uma comissão especial, que é analisado pela Diretoria Executiva.

Se houver concordância, a proposta segue para o Conselho Fiscal e, posteriormente, é encaminhada ao Conselho Deliberativo, que se reúne para deliberar sobre o tema.

Caso os conselheiros aprovem a continuidade do processo, a etapa final ainda dependerá da convocação e aprovação em Assembleia Geral dos associados. Somente após esse último aval a criação da SAF estará autorizada.

Portanto, a votação do Conselho Deliberativo não cria a SAF, apenas autoriza o avanço do processo, que ainda precisa passar pela Assembleia Geral dos associados e outras trâmitações que levam algum tempo.

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