Ponte Preta nega venda e vota criação de SAF por tributos
A cúpula liderada pela Diretoria Executiva preferiu submeter a pauta ao crivo e ao debate democrático dos conselheiros
O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, explicou detalhadamente a necessidade de acelerar a transição
Campinas, SP, 16 (AFI) – A diretoria e o Conselho Deliberativo da Ponte Preta se movimentaram nos bastidores para esclarecer os reais objetivos da Assembleia Geral agendada para esta quarta-feira.
Em nota oficial divulgada à imprensa e aos associados, o clube de Campinas garantiu de forma categórica que a reunião servirá exclusivamente para votar a constituição jurídica da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), rechaçando qualquer possibilidade imediata de venda de patrimônio ou ações para o mercado financeiro.
A Mesa Diretora do Conselho, liderada pelo presidente José Armando Abdalla Junior, detalhou no comunicado que a totalidade das cotas da nova empresa permanecerá sob o controle absoluto do clube associativo.
A medida tem caráter puramente preventivo e visa blindar as finanças alvinegras diante da futura reforma tributária do Governo Federal, assegurando alíquotas fiscais bem mais vantajosas para a engrenagem do futebol profissional.
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“Informamos, reiterando, que nesta reunião não será tratada a transferência de quota ou venda de patrimônio para qualquer fundo de investimento, até porque até agora a Diretoria Executiva não tem proposta de eventuais futuros parceiros”, enfatizou o documento emitido pelo órgão deliberativo da Macaca.
MUDANÇA DE MODELO VISA GUARDAR FINANÇAS
O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, explicou detalhadamente a necessidade de acelerar a transição burocrática para o modelo empresarial. Segundo o especialista, a não migração para o formato societário poderia asfixiar ainda mais o fluxo de caixa do departamento de futebol a médio prazo.
“A SAF tem um tratamento diferenciado. A carga tributária passará a ser na casa dos 5%. É imprescindível criar a SAF para transferir a atividade do futebol para essa pessoa jurídica e manter a mesma tributação. Se a gente não caminhar para uma SAF, vamos estar em uma situação muito pior do ponto de vista econômico e financeiro”, declarou Specie em entrevista concedida à Rádio Bandeirantes.
DIRETORIA AFREOU ESPECULAÇÕES
Embora o ambiente político no Moisés Lucarelli esteja aquecido devido ao momento de crise financeira, potencializado pelo recente interesse público de um patrocinador em fazer parte de um futuro modelo de gestão, o departamento jurídico fez questão de frear os boatos de mercado e esclarecer que a Alvinegra não está em processo de alienação.
“Não existe investidor. O que existe é muita especulação. É evidente que o mercado está olhando a Ponte Preta para eventualmente, no futuro, ocorrer o interesse de agentes, mas não há proposta firme e nem negociação com ninguém”, assegurou o diretor jurídico.
Apesar de o Estatuto Social em vigor na Macaca já conceder autonomia para a implementação direta da SAF, a cúpula liderada pela Diretoria Executiva preferiu submeter a pauta ao crivo e ao debate democrático dos conselheiros, buscando unificar as decisões políticas do clube.
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