Copa de 2026 pode render milhões a clubes brasileiros; entenda
Clubes brasileiros podem receber até R$ 1,2 milhão por atleta convocado para a Copa de 2026. Saiba como funciona o Programa de Benefícios da FIFA e a proteção da Lei Geral do Esporte.
São Paulo, SP, 01 (AFI) – A Copa do Mundo de 2026, que começa em poucos dias nos Estados Unidos, México e Canadá, não vai render milhões apenas em premiações esportivas. Nos bastidores, os clubes brasileiros podem se tornar verdadeiros beneficiários financeiros do torneio simplesmente por terem jogadores convocados para suas seleções.
O mecanismo faz parte do Programa de Benefícios aos Clubes da FIFA, que funciona como uma compensação financeira às equipes que liberam atletas para o Mundial. Para 2026, a estimativa é de que cada clube receba cerca de US$ 11 mil por dia por atleta convocado — aproximadamente R$ 55 mil na cotação atual.
Na prática, um jogador que dispute toda a competição pode render cerca de US$ 250 mil ao seu clube de origem, valor que ultrapassa R$ 1,2 milhão. Mesmo em casos de eliminação ainda na fase de grupos, os valores já representam uma injeção importante de receita para os cofres das equipes.
PROTEÇÃO EM CASO DE LESÕES
O advogado especialista em Direito Esportivo e presidente da Comissão Especial de Direito dos Jogos Esportivos e Lotéricos da OAB Goiás, Victor Amado, explica que a legislação brasileira também oferece mecanismos de proteção aos clubes durante competições internacionais. A Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) consolidou regras relacionadas a viagens, seguros obrigatórios e proteção jurídica para atletas e equipes profissionais.
“O atleta representa um patrimônio esportivo e financeiro dos clubes. Por isso, a legislação brasileira exige seguro obrigatório de vida e acidentes pessoais para jogadores convocados. A responsabilidade pela contratação desse seguro é da entidade convocadora, ou seja, da seleção nacional”, explica Amado.
Se um jogador sofrer uma lesão durante a Copa que o afaste dos gramados por meses, a FIFA mantém um programa internacional de proteção aos clubes que pode cobrir parte dos salários do atleta durante o período de recuperação. “Nessas hipóteses, a FIFA pode indenizar financeiramente o clube de origem, cobrindo parte dos salários enquanto o atleta estiver afastado. Isso reduz impactos financeiros e protege as equipes”, ressalta o especialista.
DIÁRIAS E PARALISAÇÃO DO BRASILEIRÃO
Outro ponto esclarecido pela legislação são as despesas de viagem dos atletas. As diárias pagas durante os deslocamentos têm natureza indenizatória, e não salarial. “Esses valores servem exclusivamente para custear hospedagem, alimentação e transporte, sem gerar encargos trabalhistas ou previdenciários para os clubes”, detalha Amado.
A legislação esportiva também prevê a paralisação do Campeonato Brasileiro Série A durante a Copa do Mundo — medida que busca preservar o equilíbrio técnico das competições nacionais. “A interrupção evita prejuízos esportivos causados pela ausência de atletas convocados e busca preservar clubes, jogadores e o próprio equilíbrio das competições disputadas no País”, completa o advogado.
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