Vitória de Jair Ventura é exemplo de sinergia entre técnico, clube e torcida

Vitória e Ventura se abraçam em resgate histórico do clube e retorno do treinador ao 'mainstream' da bola

Casamento entre Vitória e Jair Ventura funciona além do esperado e treinador encontra acolhimento ao seu estilo

Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)
Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)

Salvador, BA, 15 (AFI) – Sob o comando de Jair Ventura, o Vitória conquistou o feito de eliminar o Flamengo na quinta fase da Copa do Brasil. Gigante financeiro e atual campeão da Libertadores, o todo-poderoso carioca sucumbiu diante de um Barradão lotado, com mais de 30 mil torcedores na noite desta quinta-feira (14). O que torna o resultado ainda maior é que o time baiano conquistou uma virada, já que havia sido derrotado no Maracanã pelo placar de 2 a 1 e precisava vencer por dois gols de vantagem para se classificar dentro dos 90 minutos, exatamente o que aconteceu.

Lá em 2025, este que vos fala até fez um texto criticando a diretoria pelo perfil ‘desesperado’ que Jair Ventura representava (Clique aqui e leia), só não imaginava tamanha sinergia entre um estilo reativo, mas que sabe jogar muito bem com a bola, uma torcida necessitada e um clube em franca recuperação histórica.

Ainda bem que eu estava errado! O Vitória não é o único clube de massa a fazer parte da carreira do técnico de 47 anos, mas é o clube que mais precisou da sua contribuição desde 2016, quando surgiu forte no Botafogo. E Jair também precisou do Vitória, pois quando chegou, estava com uma demissão iminente em um decadente e endividado Avaí, longe do ‘mainstream’ da bola.

Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)
Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)

Para compreender melhor a história entre Vitória, torcida e Jair Ventura, é preciso voltar no tempo. Em 2022, portanto quatro anos atrás, o Leão de Salvador caía das pernas na disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. A torcida, que tinha um profundo desejo de ver guerreiros em campo, entendeu que era necessário que ela mesma lutasse a guerra que livraria o clube de uma inédita quarta divisão nacional, o que seria ainda mais desastroso para um clube da importância do Vitória.

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O SALTO ATÉ JAIR

A partir da luta contra o rebaixamento na Série C e a sequência incrível que levou o Vitória à classificação para o Quadrangular do Acesso, a história aconteceu. Primeiro veio João Burse, treinador formado no clube, mas com pouca bagagem e relevância no cenário nacional. Naquele momento, a identidade era mais importante do que a tática, e assim foi. Na camisa, na raça e no anseio da torcida, o Vitória subiu para a Série B dependendo do ABC na última rodada. A festa no Barradão era de alívio.

Na Série B, o Vitória precisava dar um novo salto para conquistar objetivos ainda maiores. Então, chegou o técnico Léo Condé. Com títulos estaduais e campanhas de relevância na Segundona, Condé chegou ao Rubro-Negro ainda com status de revelação, sem as costas largas que o sustentariam em caso de sequência de resultados adversos. Foi bom para ele que essa sequência ruim nunca aconteceu.

A sinergia da torcida com os atletas fez o Vitória, um recém-promovido da Série C, começar a Série B de forma avassaladora. Os cinco triunfos seguidos mudaram completamente os ânimos no Barradão, fazendo com que a torcida começasse a sonhar mais uma vez com o retorno para a elite do futebol nacional.

Naquela temporada, o Leão da Barra sofreu alguns sustos, como uma pequena sequência sem vitórias ali, uma goleada histórica contra o CRB aqui, mas nada fora do script de um campeão nacional inédito e incontestável. O Vitória dava o seu maior salto após longos anos de angústias.

Na temporada seguinte, o script se confirmou. Com a necessidade de dar um salto na Série A, a diretoria rubro-negra optou por não seguir com Léo Condé logo no início da competição. Então, chegou Thiago Carpini para resolver os problemas. A campanha em 2024 foi de recuperação, com uma classificação final em 11º e o retorno para a Sul-Americana.

O ponto baixo dessa trajetória vencedora aconteceria em 2025. O trabalho de Thiago Carpini parou de fazer efeito, o clube perdeu o estadual para o rival em casa e acumulou eliminações, ficando fora da Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Sul-Americana.

O MÉTODO JAIR VENTURA NO VITÓRIA

Com o rebaixamento provável, o Vitória trocou Thiago Carpini pelo pífio trabalho de Fábio Carille. A diretoria estava perdida, e até o ídolo Rodrigo Chagas teve uma oportunidade, mas a situação realmente pedia a ousadia de contratar um técnico “bombeiro”. Assim, o Rubro-Negro acionou o método “Jair Ventura”.

O aproveitamento em 2025 fala por si só. Nas 14 “finais” que disputou, Jair saiu vencedor em 7 jogos, com dois empates e cinco derrotas. O desempenho foi suficiente para salvar o Leão do rebaixamento na última rodada, quando derrotou o São Paulo por 1 a 0 diante de um Barradão desesperado.

Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)
Vitória e Jair Ventura fazem casamento perfeito (Foto: Victor Ferreira/ECV)

Para muitos, o trabalho estava feito e era o momento de pensar 2026 com outro treinador. Na época, boa parte da torcida tinha o mesmo pensamento, porém, hoje cabe uma reflexão. Qual clube treinado por Jair teve tanta aceitação ao seu estilo? Em qual contexto, ao longo da sua carreira, era tão fundamental vencer pela sobrevivência de uma recuperação histórica?

Vencer é sempre importante, mas se tratando do Vitória, a situação é um pouco diferente. Essa é a primeira vez que o clube vive uma temporada sem sustos e podendo olhar para cima, pelo menos até agora. Diante de tantas guerras, a calmaria que só Jair Ventura levou ao clube deve ser o ponto alto de todo esse trabalho de resgate. O ‘ano sem sustos’ prometido pelo presidente parece estar chegando com uma temporada de atraso.

Por isso, hoje, depois de feitos incríveis, posso ter a sensação de não estranhamento se este casamento funcionar além do esperado. É a união perfeita entre o guerreiro e a sua própria guerra. Depois de mais de uma década em decadência, o Vitória renasce sob as asas de Jair, que também precisava voltar a viver dias como esses.