Leila cobra liga única no Brasil e provoca: 'Podem até ser Real Madrid da Shopee'

Presidente do Palmeiras demonstrou otimismo com o tema, mas cobrou união dos times

CBF apresentou um estudo aos 40 clubes das Séries A e B com o objetivo de mostrar o potencial do futebol brasileiro

Leila Pereira
Leila Pereira durante coletiva (Foto: César Greco-Palmeiras)

São Paulo, SP, 07 – A CBF realizou nesta segunda-feira, no Rio, a primeira reunião com clubes para tratar da criação de uma liga única no futebol brasileiro. Após o evento, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, demonstrou otimismo com o tema, mas cobrou união dos times.

“Tem clubes que acham que são o Real Madrid, que podem até ser o Real Madrid da Shopee. Para chegar, precisa colocar pés no chão, conscientizar que todos precisamos um dos outros, ninguém é maior que ninguém. Esta foi a mentalidade desta presidente. Preciso dos outros clubes, não jogo sozinha”, disparou a mandatária do time alviverde.

ENTENDA

Neste momento, os times estão divididos em dois blocos comerciais, a Libra e a FFU. Durante a reunião, a CBF apresentou um estudo aos 40 clubes das Séries A e B com o objetivo de mostrar o potencial do futebol brasileiro. Segundo cronograma elaborado pela entidade, os dirigentes podem enviar propostas até o fim de julho. O objetivo é que o estatuto da liga seja concluído e apresentado até o fim do ano.

“Quando fui eleita presidente do Palmeiras, tentamos formar uma liga com todos os clubes, mas como viram não foi possível. A Libra se transformou em um bloco comercial importante para negociar nossos direitos. Mas queremos valorizar o produto. Pela mentalidade de alguns dirigentes que acham o melhor individualmente e não é o caso da presidente do Palmeiras. Sempre foi claro para mim que o Palmeiras precisa estar em uma competição valorizada, em que todos os clubes têm o mesmo peso, independente do tamanho da torcida, da receita”, completou.

MAIS DETALHES

“Hoje foi uma conversa inicial. Não tenho dúvidas que sem envolvimento da CBF a liga não vai sair. A CBF não está impondo nada. Ela vai ouvir sugestões de todos os clubes, ela quer organizar. Todos os clubes precisam dos outros”, finalizou Leila.

Ainda segundo a CBF, os estudos foram realizados através de uma imersão na Europa, em janeiro. Durante a experiência no Velho Continente, a comitiva brasileira conheceu conceitos, modelos de governança e estratégias das ligas e federações de Inglaterra, Alemanha e Espanha para temas como fair play financeiro, tecnologia e profissionalização da arbitragem.

CRÍTICAS DO BAHIA

Leila Pereira também rebateu críticas de Rogério Ceni e David Duarte sobre a arbitragem na vitória do Palmeiras sobre o Bahia por 2 a 1, no domingo. O treinador e o jogador do time tricolor reclamaram de uma possível irregularidade no segundo gol marcado por Gustavo Gómez, que garantiu o triunfo ao time palmeirense.

“Quando o Palmeiras ganha é sempre uma desculpa e não é assim que funciona. Ontem (domingo) vencemos um jogo difícil e não houve influência nenhuma da arbitragem”, disse Leila.

“Tem escândalo, arbitragem, sempre tem um porquê. Já falei que eu, presidente do Palmeiras, não reclamo de arbitragem. Na final da Libertadores, tivemos uma falta gravíssima, que entendíamos ser motivo de expulsão. A presidente em nenhum momento reclamou do resultado. Eu me recolhi, nunca terceirizo responsabilidade”, afirmou.

SE MANIFESTOU

A presidente do Palmeiras ainda complementou o tema citando o técnico Abel Ferreira, marcado por reclamações à arbitragem brasileira. No entanto, a mandatária do time alviverde afirma que o tratamento com o português é diferente.

“Ele (Abel Ferreira) reclama em campo e é punido, toma cartão, não participa do próximo jogo, pode ser julgado pelo STJD. E os dirigentes que reclamam e não acontece nada? E treinadores que reclamam em entrevista e não acontece nada? Isto é injusto, meu treinador reclama e é punido. Queria punição para dirigentes que desrespeitam a arbitragem, jogadores que desrespeitam em entrevista. As coisas deveriam ser mais igualitárias”, disse.