Paulista A4 RIVALO: Torcedores que assediaram médica devem responder por três crimes diferentes

Ministério Público investiga torcedores por assédio contra médica em Comercial x Nacional-SP. Investigados podem responder por três crimes.

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Ribeirão Preto, SP, 11 (AFI) – O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar o caso de assédio contra a médica Bianca Francelino, ocorrido durante a partida entre Comercial e Nacional-SP, pela Série A4 do Campeonato Paulista. O episódio aconteceu no último sábado, no estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto.

O promotor de Justiça Paulo José Freire Teotônio, responsável pelo caso, confirmou que dois torcedores já foram identificados. Os nomes, porém, ainda não foram divulgados oficialmente.

TRÊS POSSÍVEIS CRIMES

Segundo o Ministério Público, os investigados podem responder por três crimes diferentes: ato obsceno, provocação de tumulto em evento esportivo e ameaça.

Somadas, as penas previstas para essas condutas podem chegar a até dois anos de prisão.

De acordo com o promotor, a investigação está em fase inicial e o Ministério Público deve solicitar ao Juizado Especial Criminal (Jecrim) a realização de uma audiência preliminar nos próximos dias.

POSSÍVEL TRANSAÇÃO PENAL

Na audiência, o MP deve oferecer aos investigados uma transação penal, mecanismo jurídico que permite encerrar o caso sem a abertura de processo criminal, desde que os envolvidos aceitem cumprir determinadas medidas.

Entre as punições propostas estão:

  • Proibição de frequentar eventos esportivos por dois anos
  • Prestação de serviços comunitários em Ribeirão Preto

Segundo o promotor, os investigados também poderão ser obrigados a atuar em atividades de apoio à população durante dias de jogos do Comercial.

“Vou estabelecer dois anos de punição para esses indivíduos para que eles não compareçam a eventos desportivos. Também vou oferecer que prestem serviços comunitários para a população de Ribeirão Preto”, explicou.

A proposta prevê ainda que os investigados realizem atividades durante um ano, em dias de partidas do Comercial, com carga de quatro horas antes e quatro horas depois dos jogos, preferencialmente em apoio a ações da Polícia Militar.

CONDUTAS INVESTIGADAS

De acordo com o Ministério Público, os crimes investigados se baseiam em três tipos de comportamento registrados no estádio.

O primeiro é ato obsceno, após relatos de que um dos torcedores colocou a mão na genitália e fez gestos ofensivos em direção à médica, que trabalhava no atendimento ao time do Nacional.

A segunda conduta é provocação de tumulto em evento esportivo, já que houve discussão com outros torcedores que tentaram repreender a atitude.

O terceiro possível crime é ameaça, após relatos de intimidação direcionados ao namorado da médica e ao pai dele.

“Houve intervenção da Polícia Militar. Foram atitudes misóginas, covardes e doentes”, afirmou o promotor.

CLUBE COLABOROU COM INVESTIGAÇÃO

O caso também foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que pode analisar eventual punição administrativa ao Comercial.

No entanto, segundo o promotor, a tendência é que apenas os torcedores identificados sejam responsabilizados.

Isso porque o clube colaborou com a investigação e ajudou na identificação dos envolvidos.

“Como o Comercial ajudou e inclusive torcedores da principal organizada colaboraram com a identificação, é provável que não haja punição ao clube. A punição precisa ser exemplar para os envolvidos”, disse Teotônio.

RELEMBRE O CASO

O episódio ocorreu no fim do primeiro tempo da partida entre Comercial e Nacional, válida pela nona rodada da Série A4.

A médica Bianca Francelino relatou ter sido assediada por um torcedor que estava próximo ao alambrado. O caso foi registrado em súmula pela arbitragem.

A árbitra Ana Caroline D’Eleutério de Sousa Carvalho interrompeu a partida e acionou o protocolo de combate à misoginia previsto pela Federação Paulista de Futebol.

Após a confirmação da denúncia, houve discussão nas arquibancadas envolvendo familiares da médica e torcedores que estavam no local.

A paralisação durou cerca de cinco minutos, até que a situação fosse controlada. Em campo, o Comercial venceu o Nacional por 2 a 0.

O Ministério Público agora segue com as investigações e espera que o caso sirva como exemplo para combater atitudes de violência e assédio em ambientes esportivos.