Fifa faz 'reunião de crise' para discutir Copa do Mundo após ataque dos EUA ao Irã, diz jornal

Ataques militares levantam dúvidas sobre segurança de delegações e neutralidade da Fifa no Mundial.

Fifa discute impactos dos ataques militares ao Irã na Copa do Mundo 2026. Entidade avalia segurança e polêmica com prêmio dado a Donald Trump. Confira os detalhes.

Foto: Divulgação/Fifa
Foto: Divulgação/Fifa

Campinas, SP, 28 – Os dirigentes da Fifa realizaram “reuniões de crise” neste sábado, 28, para discutir possíveis repercussões na Copa do Mundo dos ataques militares dos Estados Unidos e Israel ao Irã, de acordo com o jornal britânico The Times.

Os encontros ocorreram após a assembleia geral da International Board (IFAB), órgão responsável pela regulamentação das regras do futebol, sobre mudanças que serão incorporadas a partir da Copa do Mundo.

REUNIÃO DE CRISE

“Tivemos uma reunião hoje e é prematuro comentar em detalhes, mas vamos acompanhar os desenvolvimentos em torno de todas as questões ao redor do mundo”, afirmou secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom.

“Continuaremos a nos comunicar como sempre fazemos com os três governos (anfitriões), como sempre fazemos em qualquer caso. Todos estarão seguros”, afirmou.

POLÊMICA COM TRUMP

A ação militar deste sábado também levou figuras do futebol a questionarem, em caráter reservado, a decisão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de criar um prêmio da paz da Fifa, outorgado ao presidente Trump em dezembro.

A entrega do prêmio ocorreu em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela, quando Washington já ensaiava uma operação militar que acabou sendo concluída em janeiro. O ditador Nicolás Maduro foi capturado e transferido para Nova York para enfrentar acusações de narcotráfico.

A entrega da honraria para reconhecer personalidades que, em tese, contribuiriam para a paz, a um líder que vem comandando seguidas operações militares pode gerar críticas e levantar questões sobre a neutralidade da entidade esportiva.

SEGURANÇA NO MUNDIAL

Procurada neste sábado, após os ataques ao Irã, a entidade não se manifestou.

Os Estados Unidos, juntamente com México e Canadá, serão os anfitriões do torneio a partir do dia 11 de junho. O Irã, já classificado para o Mundial, tem seus jogos da fase de grupos marcados o território americano, em Los Angeles e um em Seattle.

Embora difícil medir diretamente a posição de atletas e delegações, os conflitos recentes aumentam a pressão sobre representantes esportivos e federações. Ainda não há anúncios oficiais de boicotes ou sanções esportivas em resposta ao conflito.