Bruno: Liderança no Vasco-AC. Foto: Sueli Rodrigues
Rio Branco, AC, 20 (AFI) – Estigmatizado por ter sido condenado pela morte de Eliza Samudio, sua ex-namorada, o goleiro Bruno se transformou em atração no jogo entre Vasco-AC e Velo Clube-SP, nesta quinta-feira, no encerramento da primeira fase da Copa do Brasil.
O Vasquinho, como é chamado por seus adversários locais, agora ganhou novo apelido: ‘Time do Camburão’. Isso porque na última semana, quatro jogadores foram presos sob a acusação de estupro. (Veja Detalhes!)
Antes do jogo, na tradicional ‘foto posada’ o time se solidarizou com três jogadores presos e que são, segundo a direção do Vasco, considerados inocentes: Lekinho, Brayan e Serpa. O time alinhado segurou três camisas com os nomes dos ‘presos’.
Vasco, antes do jogo, apoio a três companheiros. Foto: reprodução TVFAC
TÉCNICO LAMENTA ‘BAIXAS ESTRANHAS’
Ao final do jogo, o técnico do Vasco, Eric Rodrigues, lamentou a eliminação “porque pênalti é coisa de sorte”, reforçando o fato de que perdeu quatro jogadores presos. Segundo ele, todos em breve “vão provar que não fizeram nada”.
Para o técnico, a prisão foi estranha e até sse arriscou a dizer que a ‘Polícia deve ter alguma coisa contra oVasco”. Por fim ele elogiou a boa qualidade técnica do Velo Clube, seu adversário, que acaba de ser rebaixado no Paulistão, maior estadual do Brasil.
O jogo terminou empatado por 1 a 1, com o goleiro tendo falhado no gol, mas ele se redimiu na disputa de pênaltis, quando defendeu duas cobranças e ainda converteu a quinta penalidade para os vascaínos. Mesmo assim, o time acreano perdeu a disputa por 3 a 2, sendo eliminado da competição.
PRESSÃO BAIXA DERRUBOU BRUNO
Durante o jogo, Bruno despertou a atenção aos 21 minutos, não por fazer alguma defesa, mas por sentir-se mal. Uma queda de pressão deixou o goleiro no chão, acolhido por uma médica e abanado por companheiros que tiraram as camisas do corpo.
Bruno sofreu queda de pressão e foi atendido no gramado no 1º tempo. Foto: reprodução TVFAC
No primeiro temo ele só fez uma defesa, aos 36 minutos, num chute cruzado de Rodrigues Alves. No lance seguinte, o Vasco abriu o placar com Jean. O Velo Clube voltou melhor no segundo tempo e empatou com Ruan, aos 17 minutos.
O jogador paulista recebeu a bola sozinho e arriscou de fora da área, acertando o canto esquerdo do goleiro. Ele saltou tarde e não alcançou a bola. Certamente impediria o gol nos seus ‘melhores dias’ de Flamengo.
Bruno agradeceu apoio de todos no Acre. Foto: Sueli Rodrigues
BRUNO AGRADECE APOIO NO ACRE
No intervalo do jogo, Bruno foi entrevistado pela TV da Federação do Acre, que transmitiu a partida e com alta audiência, com pico de 38 mil visitantes online.
“Primeiramente, agradeço a Deus por estar aqui. Segundo, é bom estar num lar e ser acolhido desde 2020.
A diferença é que, em 2020, estávamos na pandemia e hoje temos essa torcida que está incentivando a nossa equipe. A gente joga contra uma grande equipe.
Optamos por uma formação mais fechada, explorando os contra-ataques, e fico feliz por nosso time ter feito o gol, isso aumenta nossa responsabilidade.
Temos uma equipe muito traiçoeira do outro lado. Agora é aumentar o nível de concentração, fazer o segundo gol e buscar nossa sonhada classificação”.
Bruno agradeceu apoio recebido pelo Vasco e no Acre. Foto: reprodução TVFAC
BRUNO JÁ TINHA ATUADO NO ACRE
Esta é a segunda passagem de Bruno pelo Acre. Em 2020, ele defendeu o Rio Branco-AC no Campeonato Acreano e na Série D do Brasileiro, disputando 18 jogos e marcando um gol, no empate por 1 a 1 com o Bragantino-PA, na Arena Acreana. O atual salário dele seria de R$ 15 mil.
Bruno chegou ao Acre no domingo e se apresentou no dia seguinte no Campo da Fazendinha, sendo regularizado no BID da CBF na quarta-feira. Antes disso, o atleta esteve no Rio de Janeiro para cumprir exigências do livramento condicional e compareceu à Justiça no dia 11 de fevereiro.
Bruno falhou no gol, mas defendeu dois pênaltis e converteu outro. Foto: Sueli Rodrigues
BRUNO TEVE CARREIRA INTERROMPIDA
O ex-goleiro do Flamengo, Bruno foi condenado a 22 anos pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio, mãe de seu filho, ocorrido em 2010. Ele foi condenado em 2013, quando tinha 25 anos e um futuro brilhante pela frente.
Ficou preso até 2019, quando passou a gozar do regime semiaberto. No momento ele cumpre o resto da pena em liberdade condicional.