Brasileirão inicia edição de 2026 com 151 atletas estrangeiros

Número é menor do que na última temporada, quando havia 157 jogadores de fora do país

Número de atletas estrangeiros na elite do futebol brasileiro pode aumentar antes do final da janela de transferências

Varela, Arrascaeta e De la Cruz, uruguaios que defendem o Flamengo (Foto: Adriano Fontes-CRF)
Varela, Arrascaeta e De la Cruz, uruguaios que defendem o Flamengo (Foto: Adriano Fontes-CRF)

Campinas, SP, 28 – A janela de transferências no Brasil segue a todo vapor, e até o momento, os 20 clubes que vão iniciar o Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira, 28, já somam 151 atletas estrangeiros em seus elencos. O número é menor do que em 2025, quando havia 157 jogadores de fora do país, mas isso deve aumentar nas próximas semanas.

Atualmente, o país que mais fornece jogadores estrangeiros é a Argentina, com 38. Na sequência vem o Uruguai, com 30, Colômbia, com 27, Paraguai, com 15, e Equador, com 8.

ESTRANGEIROS GANHAM FORÇA

Entre os times com mais jogadores de fora do país, a lista é encabeçada pelo Grêmio, com 13, seguido por Botafogo e Santos, com 12; Fluminense, com 11, e Athletico-PR, São Paulo e Vasco, com 10.

“Quando observamos o número de estrangeiros atuando no Campeonato Brasileiro, fica claro que a liga ganhou status internacional. O Brasil reúne grandes clubes, estádios cheios, visibilidade global e um nível técnico cada vez mais alto. Esse movimento, somado com nossos talentos da base que se tornam protagonistas do futebol nacional em pouco tempo, gera negócios e impulsiona o desenvolvimento do futebol em todo o continente sul-americano”, afirma Marcelo Teixeira, presidente do Santos.

CRESCIMENTO

Levantamento aponta que nos últimos seis anos, desde 2019, o Botafogo foi o clube que mais contratou atletas estrangeiros, com 33. É seguido por Athletico (32), Santos (30), Vasco (30), Internacional (28) e Fortaleza (27).

“Historicamente, o Internacional sempre foi muito receptivo com jogadores de fora do país. A proximidade geográfica e cultural com Argentina e Uruguai favorecem essa integração”, afirma Alessandro Barcellos, presidente do clube de Porto Alegre.

ESTRANGEIROS NA BASE

Nos últimos anos, o Fortaleza contou com o ganês Michael Quarcoo e o nigeriano Michael Fashanu, ambos contratados para as categorias de base. As duas contratações vieram no sentido da busca do Leão do Pici pelo desempenho técnico, aplicação tática e uma possível internacionalização da marca pelo continente africano.

Na mesma linha, o clube inclusive anunciou, em 2024, uma parceria com a Academia de Futebol de Angola, visando o mapeamento e intercâmbio de atletas e o entendimento dos processos metodológicos.

DETALHES

No mesmo período do fechamento da parceria, também foi apresentado o projeto das Categorias de Base do Fortaleza ao Sr. Juerg Nepfe, chefe do Serviço de Desenvolvimento Técnico da FIFA, e aos representantes da Confederação de Futebol de Angola.

Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que gerencia a carreira de centenas de atletas, deixa claro que existe uma demanda real por qualidade competitiva, mas ela é amplificada pela regra que facilita a entrada de estrangeiros e pelos fatores financeiros e de visibilidade do mercado brasileiro.

“É o resultado de uma combinação de competitividade com aproveitamento de oportunidade de mercado. A busca por um campeonato mais competitivo, por títulos continentais e resultados imediatos fez com que o Brasil olhe mais para fora, e o lucro pela valorização de jogadores estrangeiros é na maioria das vezes muito maior que dos brasileiros”, explica.

VISIBILIDADE NO BRASIL

Para Casseb, um detalhe importante a ser colocado é a visibilidade que o Brasil fornece a esses atletas sul-americanos. Segundo ele, ao contrário das principais ligas europeias, o Brasil não é o destino final de grande parte deles.

“O Brasil é, na maioria das vezes, o mercado intermediário, principalmente os que fazem sucesso por aqui. Outro fator importante é que o Brasil proporcionalmente não paga tão alto pelos jogadores sulamericanos como na Premier League, por exemplo, facilitando a venda deles. Os grandes brasileiros não tem tantos concorrentes no continente quanto os ingleses, que competem com clubes como Real Madrid, Barcelona, Bayer, PSG, entre muitos outros.”

SAIBA MAIS

Com experiência de mais de 20 anos no mercado de transferências de atletas, Casseb também entende muitos jogadores sul-americanos alegam que atuar no Brasil é uma boa oportunidade de chegarem às suas respectivas seleções.

“Eu diria que, dentro do ecossistema sul-americano, não é exagero afirmar que o Brasil hoje exerce um papel semelhante ao da Premier League em relação à Europa periférica. Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Um exemplo é que o Brasileirão teve mais jogadores convocados na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias, mostrando que atuar no país dá relevância futebolística continental”, diz.

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