ESPECIAL BRASILEIRÃO: Remo dará duas 'voltas ao mundo' e Mirassol é 'exceção' em SP
Estudo detalha as distâncias percorridas pelos clubes da Série A e aponta desvantagem para o Remo.
Levantamento exclusivo mostra o impacto da geografia no Brasileirão 2026. Remo percorrerá distância equivalente a duas voltas ao mundo. Confira os dados.
Campinas, SP, 27 (AFI) – O Campeonato Brasileiro 2026 começa nesta quarta-feira (28), mas para algumas equipes, a corrida pelo título (ou pela sobrevivência) já começou no setor de logística. No Brasileirão 2026, a geografia atua como um 12º jogador para alguns, e como um adversário implacável para outros. Um levantamento exclusivo feito pelo Portal Futebol Interior revela que a geografia brasileira será um dos adversários mais implacáveis desta edição.
Os números expõem uma desigualdade sistêmica: o Remo percorrerá 92.768 km no Brasileirão, enquanto o Corinthians 22.822 km. O Mirassol, mesmo em um estado privelegiado por sua localização e estrutura de aeroportos, pagará um “pedágio” por ser do interior, percorrendo quase 10 mil quilômetros a mais do que os outros times paulistas.
DETALHES DO LEVANTAMENTO
O levantamento considerou a distância que será percorrida por cada time nos 38 jogos do Brasileirão 2026. Foi considerado o local do estádio padrão de cada time para calcular a distância, sem levar em conta eventuais mudanças de local ou outras competições.
Nos dados, são considerados os quilômetros (km) totais, em que a cada jogo fora de casa, o time retorna para sua casa, e os km reais, em que o time não volta para casa quando tem dois jogos seguidos como visitante.
Obviamente, a temporada é muito mais complexa, pois o times possuem outras competições e podem também ter problemas com escalas, aumentando ainda mais a distância. Mas o estudo dá uma visão geral da dificuldade de organização logística e evidencia que alguns times sofrerão mais do que os outros.
REMO DARÁ DUAS VOLTAS AO MUNDO NO BRASILEIRÃO 2026
O fato mais impactante do levantamento envolve o Clube do Remo. O Leão Azul, que retorna à elite nacional após 32 anos, percorrerá impressionantes 92.768 km ao longo das 38 rodadas. Para se ter uma ideia da magnitude, isso equivale a 2,3 voltas completas ao redor da Terra.
O Mirassol é o ‘intruso’ geográfico: embora esteja no estado com mais clubes, sua realidade de 27.506 km reais o aproxima mais da rotina de desgaste de times paranaenses e mineiros do que de seus vizinhos de capital.
VIAGEM REAL: LOGÍSTICA VAI TRABALHAR
Mas você pode dizer que o Remo não voltará para Belém todos os jogos fora de casa. Por exemplo, se enfrentar o São Paulo no Morumbis no domingo e na quarta-feira seguinte pega o Grêmio em Porto Alegre, o time poderá viajar direto, evitando a longa volta para casa.
O Portal Futebol Interior pensou nisso e fez o levantamento sem a volta para casa em jogos seguidos como visitante. Vale ressaltar, porém, que este “exílio planejado” só é viavel quando os jogos acontecerem em 3 ou 4 dias. Se o mesmo cenário descrito acima acontecer, mas os jogos forem em dois domingos, o Remo voltará para Belém.
Mesmo se usar a estratégia do “exílio planejado”, permanecendo fora de casa entre jogos seguidos como visitante para economizar voos, o Remo ainda terá que encarar 74.157 km de deslocamento real.
Há, entretanto, um custo humano e financeiro nessa abordagem. Adotar uma logística itinerante significa passar dias longe da família, em hotéis, sem acesso à estrutura completa de recuperação física de seu próprio Centro de Treinamento.
É possível perceber que os números mudam, mas a tendência é a mesma. O Remo é disparado o clube que mais vai sofrer e o Mirassol destoa em São Paulo. As extremidades do país também sofrem, como dupla Bahia e Vitória e os gaúchos Internacional e Grêmio. Veja no gráfico abaixo.
VANTAGEM PAULISTA
Além de estarem no “meio do caminho”, os paulistas levam vantagem por conta da proximidade da maioria dos adversários, como os de Minas Gerais e Rio de Janeiro. São muitas viagens curtas. Nada menos do que 12 dos 20 times estão localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Já para o Remo não existe viagem curta: cada jogo fora de casa é uma jornada. As viagens mais “curtas” serão cerca de 2 mil km quando enfrentar Bahia e Vitória em Salvador (BA).
O gráfico abaixo traça linhas para cada jogo do Remo (vemelho) e do Corinthians (azul), mostrando claramente como o Remo está isolado na competição.
PAÍS CONTINENTAL COBRA SEU PREÇO
A logística no Brasil não é apenas uma questão de passagens aéreas, é um componente de desempenho que, muitas vezes, define quem chega inteiro às rodadas decisivas e quem sucumbe ao peso continental do território brasileiro.
O futebol brasileiro se orgulha de sua dimensão continental, mas raramente debate o custo da equidade competitiva. Quando olhamos para a tabela do Brasileirão 2026, tendemos a analisar orçamentos, contratações e técnicos.
Mas os dados sugerem que também deveríamos olhar para as milhas aéreas e em possíveis estratégias para mitigar essas discrepâncias.
ANIMAÇÃO DE VIAGENS
Nesse gráfico, você pode ver todas as viagens de cada um dos times nas 38 rodadas do Brasileirão 2026 (linha azul representando viagem de ida e linha vermelha representando viagem de volta).





































































































































