Ibrachina sai do anonimato e vira o bicho-papão da Copinha
Clube criado em 2020 elimina gigantes, chega à semifinal inédita e se consolida como uma das principais forças emergentes da base paulista
Fundado durante a pandemia, o Ibrachina construiu em poucos anos um projeto competitivo, superou Atlético-MG, Internacional e Palmeiras na Copa São Paulo e agora enfrenta o São Paulo por vaga na final.
Campinas, SP, 20 (AFI) – Fundado há apenas cinco anos, o Ibrachina deixou de ser uma incógnita para se transformar em uma das grandes histórias da atual edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Sediado no bairro da Mooca, na capital paulista, o clube alcançou de forma inédita a semifinal da principal competição de base do país.
A campanha chamou atenção não apenas pelos resultados, mas pelo peso dos adversários superados. O time eliminou o Atlético-MG na segunda fase, passou pelo Internacional nas oitavas de final e derrubou o Palmeiras nas quartas, credenciando-se como a maior surpresa do torneio até aqui.
Na fase de grupos, o desempenho já indicava que o Ibrachina não seria apenas coadjuvante. A equipe terminou na liderança do Grupo 30, com sete pontos, após golear o Ferroviário-CE, vencer o Bangu-RJ e empatar com o Santo André, somando oito gols marcados e apenas dois sofridos.
O bom momento na Copinha é reflexo de um trabalho que vem sendo consolidado nos últimos anos. Em 2025, o clube foi vice-campeão paulista sub-17 e figurou entre as melhores categorias sub-20 do estado, ficando atrás apenas dos quatro grandes e do Novorizontino.
Criado em meio às restrições da pandemia de Covid-19, o projeto ganhou força justamente em um período de incertezas no futebol de base. Enquanto muitos clubes interromperam atividades, o Ibrachina manteve treinamentos e avaliações, o que possibilitou a chegada de atletas que atuavam em equipes tradicionais do estado.
Essa continuidade permitiu a formação de elencos competitivos mesmo com pouco tempo de existência. Jogadores vindos de clubes como Portuguesa, São Caetano, São Bernardo e até do Palmeiras passaram a integrar o projeto, acelerando o processo de amadurecimento esportivo.
O nome Ibrachina faz referência ao Instituto Sociocultural Brasil-China, projeto social que deu origem ao clube. Os mascotes — a arara e o dragão — simbolizam justamente essa conexão cultural, presente também na identidade visual da equipe.
A estrutura do clube atende atletas das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, além de crianças de comunidades como Heliópolis e São Mateus. O objetivo declarado da diretoria é transformar o Ibrachina em um dos principais formadores de jogadores do país e, futuramente, ingressar no futebol profissional.
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O presidente do clube é o empresário Henrique Law, que afirma que o projeto é independente dos negócios familiares e que o investimento busca retorno esportivo por meio da valorização e negociação de atletas. Segundo ele, a participação direta dos pais na gestão do clube não existe.
Dentro de campo, porém, o discurso dá lugar aos resultados. Em poucos anos, o Ibrachina saiu do anonimato, incomodou grandes centros formadores e agora chega à semifinal da Copinha diante do São Paulo, carregando o rótulo que ninguém imaginava: o de verdadeiro bicho-papão do torneio.





































































































































