Entenda os bastidores da 'ressurreição' de Matheus Costa no Guarani
False demissão de Matheus Costa envolve aniversário, respaldo interno, pressão no Paulistão e disputa nos bastidores do Guarani.
Matheus viajou ao Paraná para comemorar o aniversário após a derrota por 2 a 0 para o Novorizontino.
Campinas, SP, 14 (AFI) –– A crise no Guarani ganhou novos capítulos ao longo desta quarta-feira. Após a diretoria optar pela demissão do técnico Matheus Costa, horas depois da derrota por 2 a 0 para o Novorizontino, o clube voltou atrás da decisão e recuou na rescisão do contrato. O treinador, que completa 38 anos nesta semana, pode permanecer no cargo e comandar o Bugre no clássico diante do Santos, no domingo, às 20h30, no Brinco de Ouro da Princesa, pela sequência do Campeonato Paulista.
A reviravolta ocorreu após interferência direta de Roberto Graziano, investidor ligado ao futebol do clube e figura central no modelo de SAF velada existente no Guarani. Insatisfeito com a condução do processo e contrário à demissão neste momento, Graziano pediu que a diretoria e os dirigentes favoráveis à saída recuassem da decisão.
ANIVERSÁRIO, TELEFONEMA E PRESSÃO
Matheus Costa estava em Curitiba, sua cidade natal, onde viajou aproveitando o período de folga do elenco para passar o aniversário ao lado da família. Foi por telefone que o treinador ficou sabendo que havia sido desligado do cargo, em um movimento que ocorreu em meio a forte pressão após as duas primeiras rodadas do Paulistão.
Dentro do clube, a avaliação inicial foi de que o desempenho do time não correspondeu às expectativas. Na estreia, o Guarani empatou por 1 a 1 com o Primavera, no Brinco de Ouro, após sofrer o gol de empate nos acréscimos. Na segunda rodada, voltou a apresentar dificuldades e foi superado pelo Novorizontino fora de casa.
RESPALDO ANTIGO E APOSTA NO PROJETO
Mesmo com o início ruim, Matheus Costa tinha respaldo importante nos bastidores. O executivo de futebol Farnei Coelho, amigo próximo e parceiro antigo desde os tempos de Ipiranga, sempre bancou o treinador. A relação entre ambos foi determinante para a manutenção de Matheus mesmo após o Guarani não conquistar o acesso na Série C de 2025, quando bateu na trave no quadrangular decisivo.
Com aval de Farnei, do coordenador técnico Elano Blumer e do próprio Matheus, o clube apostou em uma reformulação do elenco para 2026, trazendo nomes considerados mais experientes, como o zagueiro Rafael Donato, o volante Ralph e o meia Luca, em um projeto construído de forma coletiva.
ELANO DESMENTE E NÃO QUER ASSUMIR
Com a possível demissão, ganhou força na mídia campineira a hipótese de Elano Blumer assumir o comando técnico, ao menos de forma interina. No entanto, o portal Futebol Interior apurou que essa possibilidade nunca foi considerada pelo coordenador técnico.
Elano não cogita assumir o cargo de treinador em hipótese alguma neste momento. A própria assessoria do ex-jogador procurou o Futebol Interior para desmentir qualquer boato, reforçando que ele está satisfeito com a função atual e comprometido com o projeto fora das quatro linhas.
NOMES INTERNOS E PLANO DE EMERGÊNCIA
Antes do recuo, o nome mais bem avaliado internamente como possível “tampão” era o de Jairo Blumer, irmão de Elano e técnico do Sub-20 do Guarani. Jairo vive bom momento à frente dos Crias da Tribo na Copa São Paulo de Futebol Júnior, competição na qual o Bugre já eliminou o Corinthians e segue com chances reais de avançar ainda mais.
Nesta quarta-feira, o Guarani enfrenta o XV de Jaú pela terceira fase da Copinha, às 21h30. A avaliação interna era de que Jairo poderia assumir temporariamente o profissional, facilitando uma transição e até promovendo jovens da base ao elenco principal.
Outro nome citado nos bastidores é o de Marcelo Cordeiro, que comandou o Guarani na Copa Paulista. Apesar de conhecer o clube e já ter assumido interinamente em outros momentos, o desempenho ruim naquela competição ainda pesa negativamente na análise da diretoria.
SOBREVIDA E JOGO DECISIVO
Com a interferência do investidor e o recuo da diretoria, Matheus Costa deve retornar a Campinas nesta quinta-feira e comandar normalmente o treinamento do elenco. Com contrato válido até o fim do Campeonato Paulista, o treinador ganha uma sobrevida no cargo, mesmo sob forte pressão da torcida.
O duelo contra o Santos, no Brinco de Ouro, passa a ser tratado internamente como decisivo. Um novo resultado negativo pode reacender a crise e recolocar o tema na pauta. Por ora, o Guarani segura o treinador e tenta transformar o recuo em estabilidade dentro de campo, em um ambiente que segue tensionado e sob constante vigilância dos bastidores.





































































































































