Após saída, Eutrópio passa a limpo "caos" que se encontra o Figueirense

O treinador falou com exclusividade ao Portal Futebol Interior sobre seus 40 dias no clube

O treinador falou com exclusividade ao Portal Futebol Interior sobre seus 40 dias no clube

0002050416344 img

Florianópolis, SC, 18 (AFI) – “Arrependido”. É assim que Vinícius Eutrópio se sentiu por ter aceitado o convite para comandar o Figueirense pela terceira vez em sua carreira. A passagem durou apenas oito jogos e terminou sem nenhuma vitória no Brasileiro da Série B. Mas isso não é nada pelo caos administrativo que vive o clube.

Em contato com o Portal Futebol Interior, o experiente treinador falou sobre os inúmeros problemas encontrados no clube e que interferiram diretamente na produção do time dentro de campo. Tanto é que o Figueira se distanciou do G4 e está afundando na zona de rebaixamento.

Nesses 40 dias de Figueirense, Vinícius Eutrópio conviveu com greve de jogadores por salários atrasados, derrota por W.O para o Cuiabá, entra e sai no elenco, comida, transporte e planos de saúde suspensos, entre outras coisas. Isso não afetou apenas o elenco profissional, mas também atletas da base e funcionários.

“Assumi o time em dois jogos seguidos fora e depois disso já não houve concentração para o jogo da Ponte, depois greve de treinos, depois W.O e só agora tivemos a semana para trabalhar. Em meio a isso, falta de salário, comida suspensa, transporte suspenso, plano de saúde para jogadores e funcionários suspensos, impossibilidade de treinar em dois períodos. Resumindo, pouco campo e o tempo todo administrando crise”, contou Eutrópio.

Vinícius Eutrópio passou a limpo sua passagem de apenas 40 dias pelo Figueirense

Vinícius Eutrópio passou a limpo sua passagem de apenas 40 dias pelo Figueirense

TEVE ALGO BOM!
Se as vitórias dentro de campo não vieram, o treinador pelo menos deixou o Orlando Scarpelli com a sensação de dever cumprido por ter evitado que seis jogadores e três membros da comissão técnica fossem mandados embora como forma de represália da diretoria pela derrota por W.O diante do Cuiabá, no dia 20 de agosto, pela 17ª rodada da Série B do Brasileiro.

“Durante o estopim da crise, ouvi que não me preocupasse, pois não seria possível me responsabilizar. Infelizmente não foi assim. Mas, talvez o mais importante em meio a toda essa confusão, foi não permitir que, após o W.O, seis jogadores e três membros da comissão técnica fossem mandados embora, o que com certeza ocasionaria um 2º W.O (e consequentemente o rebaixamento do Figueirense para a Série C). Isso mostra a falta de sensibilidade no comando do clube”, afirmou o treinador.

CLUBE LARGADO
Antecessor de Vinícius Eutrópio, Hemerson Maria já havia exposto os inúmeros problemas vividos pelo Figueirense e criticou a falta de apoio dos dirigentes. O próprio Eutrópio revelou que, durante os 40 dias que esteve no clube, falou com o presidente Cláudio Honigman apenas em duas oportunidades.

Em 2017, o departamento de futebol do Figueirense passou a ser comandado pela empresa Elephant com um contrato de 20 anos e foram feitas inúmeras promessas, como o pagamento de dívidas, conquista de títulos importantes (Brasileirão e Copa do Brasil) e participações em torneios internacionais (Libertadores e Sul-Americana).

Nada disso, porém, foi feito até aqui. A diretoria, liderada por representantes da Elephant, não tem conseguido pagar jogadores e funcionários, não dá condições para que os trabalhos sejam realizados – tanto no profissional quanto na base – e o Figueirense caminha a passos largos rumo a Série C do Campeonato Brasileiro.

Sem vencer há 13 jogos, o clube aparece na lanterna da Série B, com 22 pontos, dois a menos que o Vila Nova, primeiro fora da zona de rebaixamento. Nesta quinta-feira, o Figueirense encara o Brasil de Pelotas, em Pelotas, e tudo indica que o jejum vai aumentar.