BOMBA! Empresa que investia no Guarani vai comandar futebol de time da Série A2
Clube do ABC Paulista vai receber jogadores e apoio financeiro, além de já ter acertado com o técnico Marcelo Veiga
Clube do ABC Paulista deve receber jogadores, e apoio financeiro, além de já ter encaminhado a vinda de Marcelo Veiga
São Bernardo do Campo, SP, 24 (AFI) – Depois de muito tempo investindo no futebol do Guarani, com uma relação que se desgastou com o passar dos anos, o Grupo Magnum colocará dinheiro em um novo clube do Estado de São Paulo. A Gold Sport, braço esportivo da empresa de relógios, assumirá o comando do futebol do São Bernardo FC, que se prepara para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista.
A parceria vai envolver montagem de elenco e comissão técnica, entre outros detalhes ainda não confirmados. O treinador, aliás, já foi escolhido. A informação foi bem recebida pelo grupo de oposição do clube, que ainda teme por ingerências comerciais e não cumprimento de acordos formalizados na Justiça do Trabalho com o grupo investidor.
TÉCNICO DEFINIDO

Quem assumirá o comando do time do ABC paulista será Marcelo Veiga, ex-Bragantino, e velho conhecido de Lucas Andrino, diretor e sócio da Gold Sport.
Os dois trabalharam juntos no Guarani em 2014, quando Andrino foi superintendente de futebol do Bugre, por intermédio da Magnum, e Veiga era o técnico da equipe.
GERENCIA JOGADORES
A Gold Sport gerencia a carreira de jogadores como o atacante Bruno Mendes, ex-Guarani e hoje no futebol japonês, e o meia Edinho, também com passagem pelo Guarani e atualmente jogando pelo Fortaleza.
A empresa ainda gerenciou o atacante Davó – promessa bugrina que está negociando com o Corinthians -, mas o garoto não renovou o contrato e foi para a Elenko Sports.
Procurado pelo Futebol Interior, Lucas Andrino afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só falará sobre o assunto assim que os documentos estiverem devidamente elaborados e assinados.
O presidente do São Bernardo FC, Edinho Montemor, também foi procurado pela reportagem, mas não retornou os contatos até o momento da publicação.
TRABALHOS JÁ COMEÇARAM
Durante a realização do Conselho Arbitral da Série A2, reunião que definiu detalhes da competição, na última quarta-feira, o São Bernardo FC já foi representado pela empresa parceira em vez do mandachuva Edinho Montemor. A tendência é que o acordo seja anunciado em breve.
Com o investimento, o Bernô espera não passar pelo sufoco que passou em 2019.
Na disputa da última edição da Série A2, o time brigou o tempo todo para não ser rebaixado e escapou por pouco, terminando a disputa uma posição acima da zona de rebaixamento.
Ficou em 14º lugar, com os mesmos 15 pontos do rebaixado Nacional – a vantagem foi de um gol no saldo.
MAGNUM NO GUARANI
O proprietário da Gold Sport é Roberto Graziano, mesmo dono da Magnum, que teve uma longa história de parceria com o Guarani.
Um dos episódios mais emblemáticos deste casamento envolveu o Brinco de Ouro da Princesa.
A empresa chegou a arrematar o estádio em um leilão realizado em 2014, mas a Justiça cancelou a decisão no início do ano seguinte, por suspeita de irregularidade. Um novo leilão foi realizado em março de 2015, e outra empresa, a Maxion, ficou com o local.
ACORDO
Mais tarde, em maio, uma nova manobra mudou o desfecho. O Grupo Magnum fez uma
proposta que convenceu a juíza Ana Cláudia Torres Vianna a cancelar o leilão. Isso porque a oferta envolvia o compromisso da empresa de Graziano em quitar débitos trabalhistas do Guarani.
Da parte do clube, ficou acordado que o Brinco de Ouro seria repassado à Magnum, sob a condição da construção de uma Arena para o time em Campinas.
Em abril de 2019, o Grupo protocolou, na Prefeitura do município, um projeto urbanístico para a construção de um centro comercial no terreno do estádio.
COGESTÃO
No início da atual temporada, o Grupo Magnum encabeçou um plano de cogestão ao lado da ASA Alumínios, mas o processo não foi levado adiante por questões políticas dentro do Guarani.
Na verdade, o grupo de oposição ao investidor alega que o principal interesse de Graciano no Guarani seria o lucro imobiliário. Ele teria tentado, várias vezes, assumir o controle total do clube, tanto do conselho de Administração como da presidência para depois tentar mudar o acordo feito no leilão e carimbado pelo Justiça do Trabalho.
A construção de prédios comerciais no atual terreno do Brinco de Ouro – 82 mil metros quadrados – seria inviável economicamente caso o Grupo Magnum tivesse que cumprir todas as cláusulas acertadas no leilão. Só a construção de um novo estádio custaria algo em torno de R$ 220 milhões.
OUTROS INTERESSADOS
Outras propostas de terceirização do departamento de futebol foram apresentadas na época, mas a dos parceiros de longa data era a favorita.
Sob protestos de conselheiros e de torcidas organizadas, o presidente Palmeron Mendes Filho renunciou ao cargo, inclusive, de participação do Conselho de Administração.
Debaixo da pressão dos conselheiros e depois aprovado em Assembleia Geral de Sócios, o empresário Ricardo Moisés, assumiu a presidência do clube até o final do Brasileiro da Série B. A administração do clube será, com certeza, muito questionada após o time escapar da ameaça de rebaixamento para a Série C.
Ricardo Moisés teria interesse em seguir no cargo, uma vez que tem ligação com a ASA Alumínios, empresa que investe na base do clube. O futuro político do centenário e tradicional clube do interior continua indefinido. A nau segue à deriva.





































































































































