Há um outro Guarani em campo, apesar da fragilidade da Inter de Limeira

Há um outro Guarani em campo, apesar da fragilidade da Inter de Limeira

Há um outro Guarani em campo, apesar da fragilidade da Inter

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Craque Gerson, o canhotinha de ouro da Copa de 70, desmente quem atribuiu ao saudoso jornalista Juarez Soares a lendária frase de que ‘uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa’.

Canhotinha cita com todas as letras que a invenção dela, durante período de concentração da conquista do tri, foi do ex-centroavante Dadá Maravilha.

Por que da frase em questão? Porque ela se encaixa com precisão pra quem se dispuser analisar a goleada do Guarani sobre a Inter por 4 a 0, na noite desta quarta-feira em Limeira.

Uma coisa é a fragilidade da Inter de Limeira; outra coisa é a nova cara do Guarani nesta temporada, bem melhor comparativamente aquilo visto ano passado.

CARPINI

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Reforços, de fato, encorparam o time e ajudaram no equilíbrio proposto pelo treinador Thiago Carpini (foto).

Se os quatro gols marcados pelo Guarani foram frutos de falhas da Inter de Limeira, isso em nada diminui a desenvoltura dos bugrinos, que colocaram em prática posse de bola, com reduzido índice de erros.

Em vez de a equipe rifar a bola da defesa – como de praxe – encorajou-se para valorizar a saída.

Claro que isso é trabalho do treinador e resulta em confiança para quem executa em campo.

Já se vê eficiência de saída pelos lados do campo, quer através dos laterais, quer pelo meia Giovanny, que desempenhou recomendável papel.

Impressionou também a capacidade de recomposição da equipe, de forma a traduzir em dificuldade para o processo de criação do adversário, embora no enfrentamento de mano os zagueiros Romércio e Bruno Silva levaram vantagem.

BIDU

Se o lateral-esquerdo Bidu teve sérias dificuldades na marcação, envolvido quer por Lucas Braga no primeiro tempo, quer por Airton no segundo tempo, o socorro veio com providencial recuo do estreante Giovanny e precisão na cobertura através de Lucas Abreu, que ainda se soltou ao ataque.

Portanto, se há fluência em jogadas ofensivas com descidas de Bidu, a dobra na marcação foi indispensável, como vista no Estádio Major Levy Sobrinho.

GIOVANNY: DESTAQUE

Além da recomposição, o meia Giovanny deu mobilidade ofensiva ao time bugrino ao ocupar faixa pelo lado esquerdo.

Se mantiver regularidade, será ganho considerável comparativamente ao antecessor Artur Rezende.

A enfiada de bola para Júnior Todinho, em lance que fechou a goleada, foi de notoriedade, apesar do descuido do quarteto defensivo da Inter ao marcar em linha.

Embora esteja convencido de que o Guarani deu indícios de caminho certo no Paulistão, o treinador Thiago Carpini alerta ao empolgado torcedor bugrino que o time ainda ‘tem muito a evoluir’.

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Se Carpini não tem dúvidas no ganho de transição ao ataque através das passadas largas de Pablo, agora fixado na lateral-direita, ao rever a gravação do jogo vai constatar deficiência na marcação, que certamente será explorada contra adversários mais categorizados.

Ai vai precisar corrigir o posicionamento do meia Lucas Crispim, jogador ainda indisciplinado taticamente. Posicionado pelo lado direito, ora recompõe na marcação, ora esquece da obrigação. Pior ainda quando reincide no vício do peladeiro, de rodar o campo a procurar da bola. (foto acima: David Oliveira)

PARCEIRO DE TODINHO

Acrescente o ‘melhor rendimento’ proposto por Carpini quando for definido o parceiro ideal para o estreante Júnior Todinho, que mostrou mobilidade para fazer a diagonal a partir dos lados do campo, e oportunismo nos dois gols marcados.

Quanto ao companheiro Rafael Costa, a citação clara é que decepcionou.

Isso evidencia que reservas como Bruno Sávio e Alemão – que entraram neste jogo em Limeira – se habilitam à parceria ofensiva com Todinho.

INTER DECEPCIONA

Embora o treinador Elano tenha dito que a folha salarial da Inter é a menor do Paulistão, é inconcebível a montagem de uma defesa tipo queijo suíço, a ponto de obrigar o comandante a sacar o zagueiro Jean Pablo no segundo tempo, por deficiência técnica.

Apesar disso, a culpa total no primeiro gol bugrino, de Giovanny, foi do lateral-esquerdo Daniel Vançam, que perdeu o tempo de bola e deixou o adversário livre.

Segundo gol, após cobrança de escanteio, zagueiro Romércio subiu livre, em bola defensável para goleiro mais qualificado.

MARQUINHOS

Terceiro gol o meio-campista Marquinhos ficou marcando a própria sombra e Todinho, livre, só empurrou a bola pra rede. E a dose foi repetida no quarto gol quando a defesa da Inter quis marcar em linha, o bugrino avançou com a bola e teve frieza na finalização.

Além de não dimensionar a fragilidade de sua defesa, Elano colocou tudo a perder quando abriu totalmente o time com a entrada do rápido Airton, após o intervalo.

Aí recorreu ao ultrapassado 4-2-4, pois Tomaz, que é atacante, não tem característica de recomposição.

Como a Inter não tem meio-campistas de armação, quem joga pelas beiradas do campo tem que iniciar a construção de jogadas, o que prejudicou performances de Lucas Braga, Tomaz e Airton, que usaram esse espaço de campo.

Ou a Inter refaz o planejamento de imediato, ou está fadada ao rebaixamento.