O técnico pontepretano surpreendeu na escalação, usou a estratégia de três zagueiros e se deu muito bem. Uma vitória justíssima da Macaca.
Quem, em sã consciência, presumia que a Ponte Preta fosse aplicar goleada sobre o Botafogo por 3 a 0? Brigatti contrariou a maioria
BLOG DO ARI
Campinas, SP, 7 (AFI) – Alvo de críticas, por vezes ácidas, a noite desta quarta-feira, em Ribeirão Preto, foi do treinador pontepretano João Brigatti.
Quem, em sã consciência, presumia que a Ponte Preta fosse aplicar goleada sobre o Botafogo por 3 a 0?
Foi noite de Brigatti porque contrariou a maioria na disciplina tática escolhida para a partida e tudo deu certo.
A opção com três zagueiros faz parte de roteiros de vários treinadores, mas arriscar sem o devido tempo para treinamentos poucos se atrevem.
E lá foi Brigatti para o Estádio Santa Cruz, depositando confiança principalmente no estreante zagueiro Nílson Júnior, ex-Sampaio Corrêa (MA).
E que partidaça realizada por Nílson Júnior!
No alto ele sempre sobressaiu, mas no chão também foi eficiente.
NÃO PERDER
Claro que o histórico do Botafogo, antes da partida, era mais recomendável que a Ponte Preta, e jogar para não perder deve ter pensado Brigatti.
Não perder e quiçá, num contra-ataque, na versão ‘jogar por uma bola’, até surpreender o adversário.
O que absolutamente ninguém contava era que a Ponte Preta fosse chegar ao gol logo aos dois minutos, o que desmontou provisoriamente o Botafogo.
Num lance corriqueiro de cobrança de falta, pouco além do meio de campo, pela direita, o meia Élvis só esticou a bola para o atacante de beirada Iago Dias.
E quando se imaginava que dali sairia um cruzamento, o ocorrido foi um chute sem ângulo à meta adversária, ocasião que a bola descreveu curva, ganhou incrível efeito e traiu o goleiro João Carlos, que falhou na jogada e foi buscá-la no fundo da rede de seu canto direito: Ponte Preta 1 a 0.

BOTAFOGO ABALADO
O gol inesperado abalou psicologicamente o Botafogo, que passou a errar passes e se confundir na tentativa de organizar jogadas ofensivas.
Todavia, com o passar do tempo foi controlando os nervos, trabalhou as jogadas pelo lado esquerdo de seu ataque, e esse volume de jogo exigiu que o goleiro pontepretano Pedro Rocha praticasse defesas consecutivas a partir do 22º minuto, em finalizações de Bernardo Schappo e Matheus Barbosa.
E quando o goleiro foi batido em finalização de Alex Sandro, o lateral-direito João Gabriel, da Ponte Preta, salvou quase na risca fatal, aos 39 minutos.
GOL DE JEH
O futebol é tão imprevisível que a Ponte Preta, acuada, no minuto seguinte organizou contra-ataque pelo lado esquerdo, através do lateral Gabriel Risso. Aí, o cruzamento foi feito nas costas dos zagueiros botafoguenses, e aí apareceu o centroavante Jeh, livre de marcação, para o chute no canto direito do goleiro João Carlos: 2 a 0.
E aos 46 minutos, outra vez Jeh apareceu livre para finalizar, mesmo com o Botafogo esquematizado com três zagueiros – inclusive o ex-pontepretano Fábio Sanches – e desperdiçou gol certo.
MESMA POSTURA
Se a estratégia defensiva dava certo, natural que fosse mantida pela Ponte Preta após o intervalo, mesmo com maior volume do Botafogo.
Além da eficiência que o time pontepretano transmitida com três zagueiros, a dupla de volantes – Felipinho e Émerson Santos – tem dado suporte aos zagueiros. Acrescente que Gabriel Risso tem sido determinante na marcação.
Logo, a pressão botafoguense não obrigou o goleiro Pedro Rocha a ser exigido novamente.
RODAR O ELENCO
A percepção que a vitória pontepretana estava sob controle implicou em Brigatti rodar o elenco.
Ao sacar Jeh, aos dez minutos do segundo tempo, deu oportunidade para o reserva imediato Gabriel Novaes ganhar ritmo de jogo.
O mesmo se aplicou com a saída de Feliphinho, para entrada de Ramon Carvalho, porém com surpresa agradável.
Aos 34 minutos, ele desarmou um adversário na altura do meio de campo, acionou Gabriel Novaes, e se projetou no ataque para receber a devolução.
E quando isso ocorreu, como se fosse atacante familiarizado a enfrentar goleiros, completou a jogada com uma ‘cavadinha’, com a bola entrando no canto esquerdo.
A percepção de Brigatti que o meia-atacante Dodô poderia entrar em campo, ‘prender’ a bola e ajudar a desafogar o time tem que ser registrada, quando sacou o já cansado Iago Dias.
Pronto. Estava desenhada uma goleada inimaginável para o mais fanático dos pontepretanos.





































































































































