Dezoito anos depois, pode-se ver o 'penta' com outros olhos?

Dezoito anos depois, pode-se ver o 'penta' com outros olhos?

Dezoito anos depois, pode-se ver o 'penta' com outros olhos?

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Quase um mês sem futebol nas tardes de domingo foi um troço muito chato. Aí, pra ocupar a grade esportiva do horário, sabiamente a TV Globo escolheu o seleto jogo do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira, na vitória sobre a Alemanha por 2 a 0, final da Copa do Mundo disputada no Japão e Coréia do Sul, em 2002.

Nos dias atuais reprises de jogos é coisa entendiante, mas esse foi um jogo especial, e de certo não há contestação até por parte daqueles mais exigentes.

Por sinal, décadas passadas reprises de jogos dos grandes clubes eram aceitáveis nas noites de domingo através da TV Bandeirantes, quando não havia televisionamento ao vivo no período da tarde.

A pandemia provocada pelo Covid-19, com paralisação parcial do planeta, fez a mídia esportiva ‘matar o tempo’ com reprises de jogos, gols, fatos e entrevistas ‘geladas’ e desmotivante.

Aí, pelo menos neste domingo a TV Globo teve sacada elogiada, ao riviver o penta, competição mostrada pra nós de madrugada, devido ao fuso-horário aos asiáticos, em jogos com a luz do sol.

Aqui, o toque do despertador acordava as pessoas. Aí, sonolentas, seria impossível captar os mínimos detalhes daqueles jogos.

EDMÍLSON

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Já neste domingo, ficou ratificado que o polivalente Edmílson (foto) foi um ‘monstro’, quer por cima, quer por baixo.

Zagueiros Roque Júnior e Lúcio foram soberanos no jogo aéreo, visto que os alemães insistiam nos chuveirinhos.

Como ignorar que o goleiro Marcos praticou duas defesas com alto nível de dificuldade, enquanto o alemão Kahn ‘bateu roupa’ no primeiro gol brasileiro.

Jogo ‘pau a pau’, até com predomínio dos alemães em determinado período, mas o brasileiro mostrou-se mais criativo no último terço, linguajar ultimamente usado pela treinadorzada.

RONALDO

Já se constatava à época que o centroavante Ronaldo estava com um quilos a mais, já sem velocidade pra arrancar com a bola, todavia sem perda de lucidez pra definição da melhor opção.

No lance do primeiro gol viu-se o faro de artilheiro dele, como convém a quem joga na posição.

Na conclusão do meia Rivaldo, ele teve percepção que poderia haver rebote do goleiro Kahn ou que a bola, espirrada, lhe ofereceria para complemento.

Foi um jogo em que jogadores extra-classe como Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo acabaram absorvidos pela marcação na maioria das vezes.

Apesar disso, Rivaldo teve participação nos dois lances que originaram gols brasileiros.

CARSTEN RAMELOW

De certo, se ex-zagueiros pontepretanos Ferron e Reginaldo assistiram à partida devem ter admitido o quão são limitados tecnicamente.

Por que?

Porque, de bola dominada rente a linha de lado, ambos e dezenas de outros zagueiros simplesmente se desfazem dela chutando-a lateral.

Devido à paúra de perder a bola e comprometerem a jogada, livram-se dela.

Já o líbero alemão Carsten Ramelow, estilo clássico, que confia no seu ‘taco’, claro que se envergonharia de se desfazer da bola, de medo de perdê-la.

Assim, quando de aproximações quer de Ronaldinho Gaúcho, quer de Rivaldo, simplesmente usou o corpo pra proteger a bola, desvencilhou-se de ambos e saiu jogando com categoria, como faziam zagueiros seletos como Roberto Dias, Djalma Dias, Mauro Ramos de Oliveira, Ramos Delgado, Gamarra e Amaral, entre outros.