Já não se trabalha na categoria de base como outrora
Já não se trabalha na categoria de base como outrora
Já não se trabalha na categoria de base como outrora
Lá se vão dois meses de bolas de futebol recolhidas em redes e sacolões. E sem perspectiva de quando voltem a rolar.
Apesar disso, um assunto aqui e outro acolá sugerem debates, em conformidade com a proposta de pluralidade de opiniões da coluna.
Todavia, os parceiros Todinho, Eugenio e João da Teixeira preferem a disputa de ‘par ou ímpar’ pra se concluir se foi Guarani ou Ponte Preta quem revelou jogadores mais qualificados.
Que tal vocês discutirem metodologia de treinadores de décadas passadas das categorias de base de ambos os clubes?
Ora, eles priorizavam fundamentos como quesito principal aos jogadores em formação?
Compare com os profissionais da atualidade dos citados setores dos clubes, que já confundem a cabeça do garoto com esquematizações táticas.
CARECA
Nos tempos de Guarani do final dos anos 70, o centroavante Careca evitava ficar de costas para zagueiros.
Posicionava-se de lado, e ao receber o passe já estava pronto para o giro rápido. Isso permitia que levasse vantagem na disputa.
Ensinamento desse tipo era passado por treinadores que já executavam essas jogadas nos tempos de atletas.
Careca, no caso, foi discípulo de Adaílton Ladeira, que trabalhou na base do Guarani.
Ladeira também foi atleta do clube nos últimos anos da carreira, mas antes disso, no Bangu, já fazia aquilo que havia ensinado.
Perceberam a importância de um ex-jogador qualificado para treinar jogadores da base?
CONDICIONAR
Décadas passadas, o prioritário na base era o atleta se esmerar em fundamentos.
Erro de passe curto na maioria das vezes significava dispensa do Departamento Amador.
Portanto, o atleta era condicionado ao acerto em passes longos e reflexo apurado pra definir o passe quando marcado.
Isso é feito hoje?
Convenhamos que se trabalham o fundamento, fazem nas ‘coxas’, pra se adaptar ao linguajar da bola.
De que adianta a ‘zagueirada’ do profissional se adiantar à área adversária em lances de bola parada, se o cabeceio não tem rumo?
E por que essa ‘becaiada’, quando se defende, espana a bola de cabeça pro lado que o nariz está virado?
Porque faltaram treinos que resultassem em aceitável aproveitamento na base.
DRIBLADOR
Quantos e quantos garotos chegavam nos juvenis de Ponte Preta e Guarani com mania do drible pelo drible.
O driblador abre espaço na defensiva adversária, mas se não tiver um bom professor que o corrija quando insiste em sequência de dribles improdutivos, de nada adianta.
Décadas passadas, o experiente treinador da base geralmente recomendava ao driblador insistir em jogadas no chamado ‘pé bobo’ do adversário, certo que a dificuldade para o desarme seria maior.
FINALIZAÇÕES
São inacreditáveis os gols perdidos pela boleirada de hoje.
Há, sim, trabalho aprofundado deste fundamento na base, mas é natural que o defeito persista.
Logo, ainda no profissional a treinadorzada do passado programava um período de um dia da semana exclusivamente para treinos de finalizações.
Exercita-se os mais variáveis cenários possíveis: enfrentamento de goleiro cara a cara; aproveitar bola cruzada e repartida com beque adversário; usar reflexo para explorar rebote de goleiro ou zagueiros; e assim sucessivamente.
Se o atacante Roger da Ponte Preta, que em janeiro passado completou 35 anos de idade e perde gols como garoto de 18 anos, imaginem os demais.
Portanto, o jeito é treinos & treinos.





































































































































