Opinião Dalmo Pessoa: E agora Duprat?
São Paulo, SP, 04 (AFI) –
Renato Duprat (foto) tentou me intimidar na Mesa Redonda da TV Gazeta. Falou besteira e ouviu o que não esperava. O número de telefonemas, e-mails e manifestações de solidariedade que recebi falam por si.
O ex-empresário Duprat cometeu uma agressão gratuita e se deu mal. Todos perceberam que eu estava apenas cumprindo meu papel de jornalista. Função que, por sinal, exerço há 47 anos. É praticamente uma vida e me orgulho dela, pois ninguém até hoje me acusou de ter mentido. Quando errei, fui suficientemente honesto e corajoso para esclarecer, retificar, corrigir. Nunca persegui ninguém, em compensação já desculpei muita gente.
Na Mesa Redonda da TV Gazeta apenas perguntei a Duprat se a parceria com a MSI tinha sido um bom negócio para o Corinthians. Certamente não foi e isso todo mundo sabe hoje. Duprat, ao invés de responder objetivamente, apareceu com um discurso decorado. Decorado e furado.
Ele também parece não ter boa memória. Disse ao diário Lance que a MSI tinha investido 150 milhões no Timão. Dois dias depois mudou os números, numa entrevista à Rádio Jovem Pan. Aumentou, então, por conta própria, o investimento para 170 milhões.
Distraído, na TV Gazeta Duprat aumentou, de novo, o valor dos supostos gastos da MSI para 184 milhões. Gostaria Sinceramente de aplicar minhas economias com estes índices que Duprat consegue. Em menos de uma semana Passar de 150 para 184 milhões os investimentos da MSI no alvinegro.
Quando percebeu que seu raciocínio ruiria como um castelo de cartas, Duprat apelou. Perguntou de forma acintosa e com duplo sentido se os dados que eu tinha me foram fornecidos pelo meu “patrão”.
Exigi que ele se explicasse e Duprat acabou confessando que se referia ao Edgard Soares, conselheiro vitalício e Vice-Presidente do Corinthians.
Poderia ter-lhe dito simplesmente: “não, quem me deu os dados não foi o meu amigo Edgard, foi na verdade, o SEU patrão, Alberto Dualib”. Porque os números que apresentava são oficiais, constam inclusive do Balanço do clube. E porque patrão quem tem é Duprat, que ninguém sabe do que vive hoje em dia. Mas que não desgruda de Alberto Dualib.
Já eu, possuo amigos. Felizmente, muitos. Conheço Edgard Soares desde que ele tinha 18 anos de idade e nem sonhava ser dirigente esportivo. Nossa amizade transcende questões profissionais.
Uniu-nos a luta contra a ditadura e a censura na imprensa. Assinamos manifestos, participamos de reuniões pela democracia, demos cobertura a companheiros perseguidos pela repressão. Albino Castro Filho, que era meu repórter, chegou a ficar escondido na casa de Edgard por 15 dias sem por a cara na rua. Eu ia visitá-lo no apartamento da Rua Cardoso de Almeida onde Edgard morava com sua mãe, dona Josefina e seu irmão Juarez Soares, ambos ainda solteiros.
Albino Castro Filho está aí, para confirmar e relembrar. Ele é o atual Diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo. Há mais de 30 anos temos, Edgard e eu, uma convivência de respeito e admiração mútuos.
Edgard sempre me pediu opinião sobre os mais diversos assuntos, sempre me convidou profissionalmente para prestar serviços às suas empresas, sempre me pagou em dia, sempre elogiou minha conduta em particular e em público, não raro afirmou ter aprendido muito comigo. O tipo de amizade que temos é algo que, com certeza, Duprat desconhece.
Edgard deixou cedo o jornalismo e virou empresário de sucesso com sua Agência de Propaganda. Eu permaneci no jornalismo, entrei para a política, fui eleito vereador da maior cidade do país. Cada um no seu setor, construímos nossa história, sempre semeando amigos, sempre os conservando.
Mas como o castigo vem a cavalo, menos de 48 horas depois de ter sido ofendido por ter desmontado sua história da carochinha no ar, vem a Folha de São Paulo, o maior jornal do Brasil e estampa uma reportagem intrigante.
Renato Duprat conseguiu montar um time corinthiano medíocre, gastando mais do que Kia Joarabchian com folha de pagamento. Inacreditável. Muita incompetência e irresponsabilidade para uma pessoa só.
Os números falam por si e são irrespondíveis. Kia pagava 50 mil por mês ao técnico, Duprat dez vezes mais, 500 mil. O técnico de Kia foi campeão brasileiro. Duprat e seu treinador de meio milhão por mês, o responsável pela pior campanha dos últimos 50 anos do Corinthians no Campeonato Paulista.
A incompetência de Duprat é algo que não se discute mais. Apenas se constata. E se lamenta que Dualib esteja sendo enganado por ele. Agora será que Duprat vai perguntar aos repórteres da Folha de São Paulo de onde eles tiraram os dados que publicaram.
Se Duprat estiver interessado, o patrão dos repórteres chama-se Octavio Frias de Oliveira Filho.
Mas, cuidado.
Ele é um jornalista investigativo e pode não ser tão paciente como eu e resolver contar tudo o que sabe a respeito do santista que quer mandar no Corinthians.
Vai voar farofa para todo o lado.





































































































































