Crise na consciência faz jogador assumir ser gato há 14 anos
Emerson por Darci
Emerson (foto) trocou de identidade com seu irmão mais novo, Darci Figueira Camargo, em sua juventude. O Futebol Interior apurou com exclusividade que Emerson na verdade nasceu como Darci Figueira Camargo e seu irmão se chama Emerson Figueira Camargo.
Ribeirão Preto, SP, 19 (AFI) – Uma profunda crise de consciência levou o volante Émerson (foto), com passagens por vários clubes brasileiros, como Guarani e Atlético-MG, a tomar uma decisão importante, nesta quinta-feira à tarde. Ele assumiu ser um “gato”, como são conhecidos no futebol os jogadores que usam identidade falsa. No caso dele, por questões pessoais, sempre assumiu o nome do irmão. O seu verdadeiro nome é Darci.
O fato, ocorrido há 14 anos, sempre o incomodou. Nem sua esposa sabia da incrível história. A decisão de colocar a panos limpos sua situação vinha sendo amadurecida há muito tempo, mas só decidida há 10 dias, na cidade de Sertãozinho, onde defendeu o time do mesmo nome pelo Campeonato Paulista. Por volta do meio-dia ele passava em frente a uma delegacia, 6º distrito, quando resolveu chamar o irmão e “desabafar”. O seu depoimento durou quase três horas numa delegacia de Ribeirão Preto, onde mora.
O ”Meus pais sempre foram contra a minha decisão e se preocuparam muito com isso”, contou o volante ao Futebol Interior. FI entrou em contato com Emerson e esclareceu as dúvidas sobre a troca de identidade. Nascido em 5 de setembro 1975, em Ribeirão Preto, o volante, com 29 anos, foi batizado com o nome de Darci, o mesmo nome do pai e, que nasceu em 17 de julho de 1977. Em sua juventude, passou por problemas pessoais delicados que o obrigaram a fugir com a identidade do irmão para a cidade de Piracicaba. Tudo contra a vontade dos pais e dos familiares (além dele e do irmão de mais três irmãs).
Emerson já estava pensando há meses em esclarecer toda a confusão. O jogador passava por dias difíceis, que atrapalharam sua vida em vários momentos importantes. ”Eu não agüentava mais mentir. Meu irmão assumiu minha identidade e isto estava prejudicando muito ele”, explicou.
Esperando punições
O jogador continuará conhecido como Emerson e vai esperar o parecer das entidades responsáveis sobre as conseqüências da troca de identidade. ”Estou deprimido, muito triste com toda essa situação. Além disso, não tenho dinheiro para contratar um advogado para resolver o problema. Pelo menos tirei um peso das minhas costa”, desabafou.
A decisão de esclarecer o problema só foi feita agora em respeito ao Sertãozinho, clube que ele ainda tem contrato, mesmo tendo decidido esclarecer a história há dez dias. Emerson não queria complicar a situação do Touro dos Canaviais na reta final do Paulistão. O time estava ameaçado pelo rebaixamento e só escapou da degola na última rodada.
Família e futebol
E os dois envolvidos já receberam punição. Darci e Emerson foram indiciados por falsidade ideológica.
Casado e pai de dois filhos pequenos (de três e um ano), Emerson já jogou por grandes times do Brasil. Foi revelado pelo Iracemápolis, que era do mesmo presidente da Inter de Limeira, Luís Fernando Ferrari, que levou o volante à Limeira.”Caí na bola por acaso. Fui a um treino do Iracemápolis com um amigo, eles gostaram de mim e acabei ficando”, disse.
Depois passou por clubes como Guarani, Sport, Vitória, Portuguesa Santista, Santo André, Sertãozinho e Atlético-MG. Emerson ainda tem pendências financeiras com alguns clubes, mas viveu em Belo Horizonte o pior momento da carreira.”O Atlético-MG foi a maior desgraça da minha vida”, desabafou Emerson, que move uma ação trabalhista contra o clube mineiro perto de R$ 8 milhões de reais.
Nada grave deve acontecer
A troca de identidade não vai alterar a vida particular do atleta, como seus bens, suas dívidas financeiras e tudo que envolve seu nome. Emerson fará uma retificação à Justiça Cível explicando o ocorrido para comprovar seus direitos.O jogador deverá receber uma notificação da Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com um parecer sobre o assunto. Emerson deve pegar um gancho de três meses, como o volante Carlos Alberto, do Figueirense que se transferiu para o Corinthians.
Emerson segue reconhecido no futebol brasileiro. O jogador tem propostas para jogar no Gama, do Distrito federal, no Remo, de Belém, e do Joinville, que vai disputar a Série C do Brasileiro no segundo semestre. Ele foi indicado por Barbieri, seu técnico no Sertãozinho e que acaba de acertar com o time catarinense.





































































































































