90 anos de clássico - Relembre a Libertadores de 2000

Campinas, SP, 26 (AFI) – Mais um clássico entre Corinthians e Palmeiras, mais uma vez no Estádio do Morumbi, novamente pelo Campeonato Brasileiro,mas agora com um sabor especial, 90 anos de rivalidade entre dois tradicionais clubes da história do futebol brasileiro. Em campo estarão oito títulos brasileiros, quatro para cada lado.

Este é o clássico de número 32, na história do Campeonato Nacional e um equilíbrio, são dez vitórias do Timão, enquanto o Verdão tem nove, ainda aconteceram 12 empates, o dois jogos pelo Brasileiro de 2006 terminaram 1 a 0. No primeiro deu Palmeiras, no segundo jogo o Corinthians devolveu o placar.

Memorável…
Mas uma partida marcou muito a história deste que pode ser considerado um dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Voltamos no tempo por sete anos, mais exatamente no dia 06/06/2000, em jogo válido pela semifinal da Copa Libertadores de América.

Na ocasião, o time de Palestra Itália era o atual campeão da competição e precisava vencer por dois gols de diferença, para se classificar para a sua segunda final consecutiva, já que em 1999 também havia desclassificado seu rival do Parque São Jorge, só que nas quartas-de-finais, mas também nos pênaltis. No primeiro jogo uma semana antes, o Corinthians havia vencido por 4 a 3, em uma partida eletrizante.

Bem, naquela terça-feira, em uma noite fria e com o Estádio do Morumbi literalmente enlouquecido, só a vitória interessava ao time do Palmeiras, que na época era dirigido pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Sabendo disso, o time foi para o ataque contra o arqui-rival e em menos de 15 minutos, já havia chegado duas vezes a meta do Timão. Em uma delas, o meia Alex driblou o goleiro Dida e chutou, o lateral-esquerdo Kléber salvou em cima da linha.

Primeiro tempo igual!
De tanto insistir o Verdão abriu o placar aos 34 minutos. Júnior cruzou da esquerda, a bola passou por toda a área e enganou o zagueiro Adílson, que foi encoberto e sobrou para o atacante Euller, que matou no peito e chutou cruzado da direita para fazer o primeiro gol do jogo.

Mas como o jogo estava valendo vaga à final, ficou mais emocionante após quatro minutos do gol palmeirense, foi o empate do Corinthians. Marcelinho cobrou escanteio da direita e o artilheiro Luizão cabeceou para empatar.

Era o gol da classificação do Timão!
Se o jogo no primeiro tempo estava complicado para o Verdão, ficou mais ainda no começo da segunda etapa, mais precisamente aos seis minutos. Edílson fez jogada individual pela esquerda e cruzou rasteiro para trás, a bola chegou até Luizão, que chutou sem muita força, Marcos e Roque Júnior foram para a bola, que acabou desviando no zagueiro e entrando, era a virada do Corinthians.

O sangue é verde!
O Palmeiras não se entregou, Euller, mais conhecido como o ‘filho do vento’, foi até a linha de fundo e cruzou na medida para César Sampaio, que cabeceou cociente, mas novamente Kléber salvou novamente em cima da linha.

O filho do vento estava impossível naquela noite, logo depois em outra jogada pela linha de fundo, cruzou para a área, a bola sobrou para Alex que com categoria e um toque colocado, encobriu o goleiro Dida. o Verdão empatava o jogo, mas não era suficiente, precisava de pelo menos mais um gol para decidir nos pênaltis.

Determinado a se classificar novamente à final, mais que isso, eliminar pela segunda vez seu rival da competição, Felipão colocou o time mais ofensivamente obrigando o Timão a recuar. Aos 26 minutos, o Palmeiras passou novamente à frente no placar. Alex cobrou falta e Galeano marcou de cabeça, aproveitando falha de Dida e Adílson, que ficaram olhando a bola passar até o jogador do Palmeiras.

O Corinthians não queria ser eliminado pela terceira vez em menos de uma semana, pois o time havia sido eliminado da Copa do Brasil pelo Botafogo-RJ e pelo São Paulo no Campeonato Paulista antes desta partida. O jogo terminou com a vitória do Verdão por 3 a 2, com isso a vaga para a final, seria disputado novamente nos pênaltis.

São Marcos x Pé-de-Anjo!
Mais uma vez a sorte do Palmeiras estava nas mãos do goleiro São Marcos, que no ano anterior foi o grande responsável pela conquista da Libertadores, eliminando o arqui-rival nos pênaltis e na final contra o Deportivo Cali, em que saiu com o título.

Antes da partida diante do rival, Marcos já havia se consagrado nas quartas-de-final, quando o Palmeiras eliminou o Cruzeiro, em pleno Mneirão, com dois pênaltis defendidos pelo goleiro. Pelo lado do Timão, a grande esperança era o ‘Pé-de-Anjo’, Marcelinho Carioca, que cobrava pênalti como um jogador de basquete, colocando a bola com a mão.

O destino marcou o encontro para a última cobrança, após todos os jogadores acertarem as cobranças. Após as quatros cobranças eis que acontece o encontro tão esperado, Marcelinho cumpre todo o ritual que está abituado, abaixa conversa com a bola, dá um beijo nela, ajeita e toma distância, Marcos observa atentamente no centro do gol.

Marcelinho corre e chuta colocado no canto direito do goleiro, que pula conciente e faz a defesa mais importante da história do Palmeiras. O curioso, é que após a cobrança o jogador do Timão se preparava para a comemoração, mas foi interrompido pelo goleiro, que vai de encontro com a torcida e desliza com o peito no gramado para delírio da nação alvi-verde.
Ficha Técnica

Palmeiras 3 (5) x (4) 2 Corinthians

Local: Morumbi
Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho
Data: 06/06/2000
Cartões Amarelos: Argel, César Sampaio e Galeano (Palmeiras); Luizão, Kléber, Edu e Adílson (Corinthians)
Gols: Euller 34’/1T, Alex 15’/2T e Galeano 27’/2T (cabeça) (Palmeiras); Luizão 38’/1T (cabeça) e Luizão 4’/2T (Corinthians)
Pênaltis: Marcelo Ramos, Roque Júnior, Alex, Asprilla e Júnior (Palmeiras); Ricardinho, Fábio Luciano, Dinei e Índio (Corinthians)

Palmeiras
Marcos; Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio (Tiago), Galeano e Alex; Pena (Luiz Cláudio), Marcelo Ramos e Euller (Asprilla).
Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Corinthians
Dida; Daniel (Índio), Fábio Luciano, Adílson e Kléber; Vampeta, Edu, Ricardinho e Marcelinho; Edílson e Luizão (Dinei).
Técnico: Oswaldo de Oliveira.