Opinião Diego Viñas: Contos da Várzea – A união dos povos!
Este fim de semana foi trabalhoso, mas gratificante. Conseguimos comprovar uma de nossas teses do trabalho sobre o mundo do futebol da várzea. Entre outubro e novembro, o resultado disso tudo vai ser o documentário “Contos da Várzea”, que esperamos com expectativa muito positiva.
No sábado meio sol meio frio, partimos para o bairro da Aclimação. Dentro do famoso parque do bairro, um campo de várzea. Em campo, amigos advogados, professores de educação física e até Rafael, jornalista e um de nossos integrantes nessa produção. Marrudo menino!
Durante a filmagem, notamos um casal sentado na grama, no alto, com livro de poesia na mão e com uma simpática vira-lata na coleira, a Susi. O rapaz, Marcio, 21 anos, vindo de Pernambuco há um ano e tentando a vida difícil em São Paulo. Ela, Cristiane, 17 anos, grávida de 7 meses de um menino. Por que um casal vem para um parque tão lindo e param para ver a várzea?
“Eu leio um poema e ele assisti ao jogo. Depois, a gente troca. Ele lê uma poesia e eu vejo a partida, mas eu não gosto muito de futebol”, é a futura mamãe quem fala.
Na arquibancada, seis aposentados disputam outra partida acirrada: o dominó. Vez em quando, dão uma esticada pra ver o jogo, principalmente quando sai um pênalti ou brigas. Jogando sob o mesmo tabuleiro, um ajudante de obra e um formado e Química. Mas é o mundo da várzea, onde todos são iguais e tudo vale.
Domingo, Vila Guarani e dois jogos válidos pelos Jogos da Cidade. Era o famoso Moleque Travesso contra os Meninos da Vila e, depois, um verdadeiro ‘pega’ entre Rapa Fora e o time da Vila Clara. O juiz sofreu nesse jogo. Confusão, o policiamento civil precisou intervir. Coisas normais da várzea.
Tanto normal como um juiz que, como profissão, exercer o trabalho de pedreiro. Em condição de bandeirinha, um advogado que já apitou Fla-Flu no Maracanã.
Do lado de fora, crianças e a turma da velha-guarda. Mulheres na gritaria da torcida e meninas que disputavam um jogo coadjuvante para quase todos os torcedores numa quadra de várzea, atrás do gol do campão de terra, onde todas as atenções estavam viradas. Não para o “Contos da Várzea”, cujos todos são atores principais, todos são iguais, como bem deve ser e acontece no mundo paralelo do futebol de várzea.





































































































































