Guarani, um mar de indecisões: os efeitos da eliminação

Campinas, SP, 3 (AFI) – O Guarani está sem futuro. Após a eliminação precoce dentro do Campeonato Brasileiro da Série C, o time campineiro só volta a campo em janeiro de 2008, para a disputa do Paulistão. Até lá, o que será feito com os jogadores, comissão técnica? E o principal: como o clube, que já vive uma situação financeira dramática, vai conseguir sobreviver sem o futebol, principal meio de recursos? O que se pode ver é que ninguém no Brinco estava preparado para as férias forçadas.

“Com certeza teremos um prejuízo muito grande e estamos tentando calcular isso. É ruim ficar parado, mas temos que tentar equacionar isso de alguma maneira. Vamos planificar tudo, para depois tomar as medidas cabíveis”, afirmou Wilson Coimbra, supervisor de futebol.

Elenco?
Sobre a seqüência do trabalho do técnico José Luiz Carbone e dos jogadores que estiveram presentes na campanha da Série C, o dirigente manteve a posição inicial de toda a diretoria: indecisão.

“A princípio vamos colocar todos os jogadores à disposição do técnico Michael Robin, na Copa FPF. Depois, conforme a sua decisão, vamos tentar emprestar alguns jogadores para a Série A ou Série B e até mesmo negocia-los, mas a nossa intenção não é dispensar ninguém”, disse Coimbra, em meio a duas reuniões com o restante da diretoria bugrina.

Comissão técnica?
“Em relação ao Carbone, vamos conversar com ele nesta terça-feira e ver o que vai acontecer. Todos sabem que a situação financeira do clube é ruim e que ficar quatro meses parados vai afetar em muita coisa”, comentou. Para resolver o problema, Carbone deve ficar afastado até dezembro, quando volta para iniciar a preparação visando o Paulistão.

“Vamos ter uma reunião na terça-feira, quando vamos decidir algumas coisas. Até lá, o que surgir são boatos, pois ainda não conversei com a diretoria. A eliminação foi um baque muito grande, ninguém esperava por isso. Ficamos arrasados. Realmente eu não sei o que pode acontecer”, afirmou o técnico Carbone, um dos principais responsáveis pelo acesso à elite paulista, no primeiro semestre.

Inatividade?
Só neste ano, o time campineiro vai ficar – entre o tempo que ficou inativo da A-2 para a Série C e mais os quatro meses agora – seis meses parados, ou seja, meio ano sem receber recursos de rendas e patrocínios.

Uma outra preocupação é em relação ao Sócio-Torcedor, campanha criada para incentivar os torcedores a ajudar o clube e, em troca, terem entrada livre nos jogos do time dentro do Brinco de Ouro. A mensalidade é de R$ 30.

“Esse prejuízo ainda não podemos contar, pois não sabemos qual será a reação dos torcedores. A gente espera que eles continuem pagando, mas se isso não acontecer, teremos que elaborar outra saída, pois será outro prejuízo”, comunicou Wilson.

O que fazer?
Segundo o coordenador, a folha salarial do clube para a Série C girava em torno de R$ 100 mil. “Estamos estudando alternativas, tanto na parte do futebol como na parte administrativa, onde o presidente Leonel (Martins de Oliveira) está criando uma série de iniciativas para solucionar os problemas”, finalizou.

Ainda de acordo com Wilson, as medidas decididas pela diretoria deverão ser divulgadas até o final da semana.

Perdendo a hegemonia?
Um fato bastante criticado pelos times paulistas foi a regionalização da Série C, que vem desde a volta da competição, em 1998. Desde então, o times paulistas já tiveram 61 participações, com apenas oito acessos. Grande parte deste baixo aproveitamento se deve pelas eliminações precoces das equipes, que se enfrentavam logo na primeira fase.

Em 98, a competição teve um grupo só formado por times do estado de São Paulo (Matonense, Etti Jundiaí, Francana, São Caetano, Santo André e Rio Branco). Apenas dois seguiram em frente e no final, o São Caetano conquistou o acesso, junto com o Avaí, campeão dessa edição.

Os representantes paulistas não tiveram uma boa campanha no ano seguinte e o América-SP sofreu a maior goleada da competição: 6 a 0 para o Caxias, fora de casa. Com a Copa João Havelange em 2000, a Série C voltou a ser disputada apenas em 2001, e, desta vez, dois paulistas fizeram bonito.

O Etti Jundiaí, atual Paulista, foi o campeão da temporada, que ainda teve o Mogi Mirim conquistando o acesso. Além dos dois, o Ituano teve a melhor defesa do torneio, com apenas seis gols sofridos. O artilheiro também foi paulista: Jean Carlos, do Etti, com 14 gols.

Em 2002, dois opostos marcaram a presença paulista na Série C. O Marília conquistou o acesso ao lado do Brasiliense, campeão, mas o Santo André fez a segunda pior campanha no geral, perdendo apenas para G. Inhumense-GO. Em seis jogos, o Ramalhão perdeu seis, não fez nenhum gol e tomou 11.

Dessa vez, dois grupos eram somente de times clubes paulistas. Ituano, Comercial, Internacional e Atlético Sorocaba em um, enquanto Rio Branco, Marília, Ferroviária e Santa André no outro.

A reação do Santo André veio no ano seguinte. Ele e o Ituano, campeão, conquistaram o acesso para a Série B, em 2003, quando a regionalização voltou a atrapalhar. Nada mais do que três grupos eram formados exclusivamente por times paulistas.

A hegemonia seguiu em 2004, com o União Barbarense campeão e tendo o artilheiro da competição, Frontini, com 10 gols. O União Barbarense esteve, na primeira fase, ao lado de Rio Branco, América-SP e União São João, em mais um grupo exclusivamente de paulistas.

Os representantes do estado passaram em branco em 2005. Em 2006, apenas um acesso. O novato Barueri surpreendeu e subiu junto com Criciúma, Vitória e Ipatinga. No quadrangular final, o Barueri ficou a frente de times tradicionais como Bahia, Treze-PB e Ferroviário-CE.

Nada em 2007?
A atual temporada começou cheia de esperanças para Guarani, Noroeste, Juventus, Sertãozinho, Rio Claro e Bragantino. Dos seis, apenas o Braga segue vivo. Noroeste, Juventus e Sertãozinho caíram na primeira fase. Guarani e Rio Claro ficaram pelo caminho na segunda fase.

Noroeste e Rio Claro estavam no mesmo grupo na primeira fase, junto com Volta Redonda-RJ e Friburguense. Na segunda fase, foi a vez de Guarani e Rio Claro caírem na mesma chave, que ainda teve CRAC-GO e Vila Nova-GO, os dois classificados do grupo. A intenção da CBF é justamente essa. Cruzar os times do mesmo estado antes da fase final.