Dirigentes do Ituano estão na mira da Polícia Federal

Itu, SP, 12 (AFI) – Não bastasse toda a incompetência no planejamento do time para a atual temporada, os dirigentes do Ituano, lanterna do Campeonato Brasileiro da Série B, agora estão na mira da Polícia Federal – PF. O presidente Ademir Campos (foto)Kia – Primeiro, termina a situação de lavagem de dinheiro.

Duprat – Ok, Ok!

Kia – Segundo, tira Carlos Alberto, Mattos, Ratinho, Willian, Lulinha, mais um…

Duprat – Dentinho…

Kia – Dentinho, Kadu, Zelão e Everton. E aí acabou!

Duprat – Entendi…

Kia – Faz uma parceria muito rápido com o Ituano.

Duprat – Perfeito!

Kia – Coloca tudo esses caras (sic) lá e acabou a co-administração.
AdemirCampos 002 180 e o vice-presidente Edson Tomba devem ser convocados a explicar qual seria a atuação do clube em relação a Kia Joorabchian, que é acusado pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Gravações feitas pela Polícia Federal mostram o iraniano falando ao empresário Renato Duprat para este tirar nove jogadores do Corinthians e fazer um acordo com o Ituano para recebê-los.

Edson Tomba tem nas suas costas a responsabilidade de quase rebaixar o time no Campeonato Paulista e, agora, de conduzir de forma errada a formação do time para a disputa da Série B.

Ademir Campos, em princípio, estava alheio ao futebol, mesmo porque respondia pela Secretaria Municipal de Saúde. Mas sua atuação foi manchada pelo pedido recente de afastamento, por parte do Ministério Público – MP – acusado de supostas irregularidades à frente do cargo. Ele chegou a ser afastado do cargo, mas voltou com uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo. O Ministério Público, porém, insiste nas denúncias e no seu afastamento.

Como seria a Operação do Kia
A “Operação Ituano” vinha sendo arquitetada por Renato Duprat, ex-empresário do ramo de saúde e nos últimos cinco anos envolvido diretamente com os negócios do mundo do futebol.

Duprat, aliás, já tinha tentado um acordo, ano passado, com o Paulista de Jundiaí. Mas suas propostas foram rejeitadas pela diretoria, desconfiada de algo ilícito ou imoral. A partir daí surgiu a idéia de usar o Ituano para “desovar” alguns jogadores do Corinthians que não fossem, imediatamente, negociados para o Tomba 001 130exterior. O vice-presidente Edson Tomba (foto), jura que não conhecia Duprat e que jamais fez qualquer tipo de acordo neste sentido.

Esta “garantia” seria uma exigência de Kia Joorabchian para não ficar refém do Corinthians, em grande crise política. Kia exigia como garantia uma lista de jogadores em troca da liberação de um aporte financeiro de US$ 20 milhões. Este dinheiro seria suficiente para que Alberto Dualib, presidente do Corinthians, pudesse quitar suas dívidas do dia-a-dia como a folha de pagamento dos jogadores.

Alguns jogadores foram rapidamente negociados: Carlos Alberto (Werder Bremen-Alemanha), Marcelo Mattos (Panatinaikos-Grécia), Ratinho (CSKA – Rússia), William (Shakther – Ucrânia). Ficaram no clube: o meio-campo Lulinha, os zagueiros Kadu e Zelão, além do meia-atacante Éverton Santos, estes três vindos do Bragantino.

Tentando limpar a barra
Oliveira 0002 130Através de sua assessoria de imprensa, a diretoria do Ituano negou a possível parceira com Kia, x-homem forte da MSI. E não titubearam em atirar nas costas do empresário Oliveira Júnior (foto), inimigo político, a culpa de tudo. Oliveira comandou o clube até o ano passado, quando tinha a denominação de Ituano Futebol Ltda, mas saiu rompido com os atuais dirigentes. Mas as gravações entre Kia Joorabchian e Renato Druprat, divulgadas pela Rede Globo, são de julho de 2007, portanto, são recentes e comprometem os atuais dirigentes do Ituano, no caso Ademir Campos e Edson Tomba. Confira o diálogo:

Em Brasília, onde tratava de negócios, Oliveira Júnior desmentiu qualquer contato com a “turma do Kia”:

“Nem conheço este Kia, que para mim é um play boy do futebol. O Duprat (Renato) o vi uma vez na sala da presidência da Federação Paulista, mas nunca tive nada com ele”.