Caso Timão: Bragantino registrou todos negócios na CBF
Campinas, SP, 12 (AFI) – A crise política do Corinthians, gerada pela interferência do iraniano Kia Joorabchian no departamento de futebol, acabou provocando estragos pelo interior do São Paulo. O Ituano nega que teria sido escolhido como “válvula de escape” pelo ex-diretor da MSI para “abrigar” jogadores e o Bragantino garante que documentou, com registros na CBF, de todas as negociações feitas com a direção do clube do Parque São Jorge.
Marco Chedid (foto), presidente do Bragantino, esteve no Rio de Janeiro onde o seu clube seria julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Mas ele demonstrou tranqüilidade em relação aos negócios feitos com o Corinthians, logo após o Campeonato Paulista. Marquinho afirma que negociou os jogadores diretamente com o presidente Alberto Dualib e com o diretor de futebol, Rubens Gomes.
“Os contratos estão todos vinculados junto à CBF, mesmo porque os negócios foram feitos de clube para clube, sem nenhum intermediário”.
Os zagueiros Zelão e Kadu, além do meia-atacante Everton Santos estariam nos planos de Kia Joorabchian. Além deles, o Bragantino negociou com o Corinthians o goleiro Felipe e emprestou o volante Moradei. Com exceção de Everton, o Bragantino tem participação no atestado liberatório dos demais jogadores. Os percentuais, porém, não foram revelados pelo dirigente. Mesmo assim, o Bragantino teria recebido perto de R$ 3 milhões pelas transações.
Ituano seria Laranjão
A informação de que o Ituano seria uma alternativa para as ações de Kia no Brasil foram negadas pelos dirigentes. Através da assessoria de imprensa, o presidente Ademir Campos (foto) e o vice-presidente Edson Tomba, acusaram o ex-administrador do clube, o empresário Oliveira Júnior, como interlocutor do possível negócio.
“Nós não temos nada com isso”, esquivou-se Tomba, que responde pelo futebol do time de Itu. Campos evitou entrar na discussão. Atual secretário municipal de Saúde, ele enfrenta problemas com o Ministério Público, que exige seu afastamento do cargo por irregulares de gestão.
Oliveira Júnior, ex-procurador de Roberto Carlos, é desafeto na cidade, depois de manter, com sucesso, o futebol do Ituano entre os anos de 2000 até 2006. Ele, porém, achou a acusação “absurda”, mesmo porque garantiu nunca ter conversado com o responsável pela MSI:
“Para mim, este Kia é um play boy do futebol e o Renato Duprat eu só o cumprimentei uma vez na sede da Federação Paulista, mas jamais tive negócios com ele”, assegurou Oliveira, que agora tem escritório em Ribeirão Preto e, nesta quarta-feira, estava em Brasília.
Operação do Kia
A “Operação Ituano” vinha sendo arquitetada por Renato Duprat (foto), ex-empresário do ramo de saúde e nos últimos cinco anos está envolvido diretamente com os negócios do mundo do futebol. Duprat, aliás, já tinha tentado um acordo, ano passado, com o Paulista de Jundiaí. Mas suas propostas foram rejeitadas pela diretoria, desconfiada de algo ilícito ou imoral.
A partir daí surgiu a idéia de usar o Ituano para “desovar” alguns jogadores do Corinthians que não fossem, imediatamente, negociados para o exterior. Esta “garantia” seria uma exigência de Kia Joorabchian para não ficar refém do Corinthians, em grande crise política. Kia exigia como garantia uma lista de jogadores em troca de um aporte financeiro de US$ 20 milhões.
Alguns jogadores foram rapidamente negociados: Carlos Alberto (Werder Bremen-Alemanha), Marcelo Mattos (Panatinaikos-Grécia), Ratinho (CSKA – Rússia), William (Shakther – Ucrânia). Ficaram no clube: o meio-campo Lulinha, os zagueiros Kadu e Zelão, além do meia-atacante Éverton Santos, estes três vindos do Bragantino.





































































































































