Editorial - A Tropa de Elite do Corithians. E ainda pirata!
São Paulo, SP, 28 (AFI) – Há pouco mais de 4 anos, o Corinthians teve um presidente de consenso, como uma minoria desvairada quer agora.
A história não acabou bem. O nome do homem que concorreu sozinho à Presidência do maior clube do país é Alberto Dualib.
Isso aconteceu outro dia, em janeiro de 2001.
Pior.
Dali a dois anos, em 2003, anteontem portanto, novamente tivemos um candidato de consenso: Alberto Dualib.
Quem foi o cabeça oca que inventou esta história de que um candidato de consenso é garantia para alguma coisa?
Resposta: duas espécies de pessoas.
(1) as que não têm voto no Conselho do Corinthians – e também entre os sócios; e (2) as que não sabem onde fica avenida Condessa Elizabeth Rubiano.
Também apóiam a idéia aquelas que unem as duas qualidades: não têm voto e não sabem onde se situa o logradouro.
A idéia do candidato de consenso nasceu no ninho daquilo que os seus próprios membros gostam de chamar de “elite corinthiana”. Uma elite burra, mal informada e inculta.
E que tem um mentor que deveria estar mais preocupado com seus afazeres no Serviço Público pelos quais, aliás, lhe pagamos regiamente. Talvez seja a hora de começarmos a lhe cobrar o que ele faz com o seu tempo, no horário comercial, um tempo tão bem remunerado por nós. Mas durante o qual ele vive saltitando daqui para ali, como se nada tivesse que fazer na sua repartição.
O candidato de consenso, na prática, significa a imposição de um nome por um pequeno grupo, que se auto-outorgou direitos excepcionais, que legalmente não possui. E que, de posse irregular dos mesmos, resolveu indicar quem lhe desse na telha para dirigir os destinos do Corionthians.
Quanta pretensão, para dizer o mínimo.
Quanta má intenção, isso sim.
Ou seja: estes falsos “iluminados”, cujo último livro que leram deve ter sido a Cartilha Sodré, agridem os mais comezinhos princípios de lógica e de racionalidade. Ou de respeito à vontade da maioria, que é base do regime democrático.
Costa e Silva foi um Presidente de consenso, de um pequeno grupo de pessoas. Garrastazu Medici também. Todos conhecem as atrocidades, os crimes e os resultados catastróficos de tal consenso, que substituiu as eleições.
Na democracia, quando se comete um erro na escolha de um presidente, afasta-se o presidente. E se elege um novo, também pelo voto. Isto evita que se perpetue no erro.
O presidente de consenso é uma escolha fechada, fascista, em que se ouve um número mínimo de pessoas. Como é óbvio, nestas condições, valem mais os interesses destas pessoas na escolha do que a preferência da coletividade, que não é ouvida.
Fidel Castro é um presidente de consenso. Há quase 50 anos. Que tal?
Hugo Chaves está querendo ser.
A representatividade de um governo, de uma administração, da presidência de um clube, só pode ser obtida com a aprovação dos seus membros pela coletividade a que pertencem. Parece óbvio. E é.
No caso do Corinthians esta escolha deve ser feita pelos seus sócios. Ou pelos que têm procuração expressa e legal dos sócios para fazê-lo: os conselheiros. Ainda mais quando temos hoje um Conselho que conta com 100 novos representantes dos sócios, escolhidos recentemente pelo chamado sufrágio universal. Também conhecido como eleição direta.
A “elite prepotente” quer tirar o direito destes conselheiros de votar. Pelo jeito, ela se acha superior a eles.
Outra coisa: Dualib inaugurou a era dos conselheiros vitalícios indicados, que, em tese, necessitavam ter sido conselheiros anteriormente.
Mas, antes disso, todos os conselheiros vitalícios do Corinthians eram eleitos pelos sócios. Muitos deles fazem parte até hoje do Conselho Deliberativo.
Portanto, legalmente, um Presidente do Corinthians só pode ser escolhido pelo voto! Ponto com, ponto br.
Não há outra hipótese ou caminho estatutário para alguém chegar à Presidência.
Fora do voto, escolher um Presidente por processo fechado, é cometer casuísmo. É oportunismo, é apropriação indébita do cargo.
Mais: é crime eleitoral. Passivo de ação judicial.
Independente do aspecto legal – porém não menos importante – é a questão moral. Trata-se de uma violência à ética.
A história do candidato único e imposto, sacado do bolso de colete da “elite de araque” significa, na verdade, impedir que um corinthiano, qualquer corinthiano que reuna as condições para tal, submeta seu nome à apreciaçao do Conselho Deliberativo ou da Assembléia Geral dos associados, dentro de normas sabidas e previamente estabelecidas. E que valem para todos.
É difícil imaginar algo mais castrador, mais ditatorial. Mais “elitista”, enfim.
Se fosse o tempo das “Diretas Já” esta elite faria parte daqueles que eram contra os comícios populares, comoventes e cívicos da Praça da Sé, em São Paulo.
O medo de enfrentar o julgamento das urnas faz com que a “elite fajuta” invente estratagemas para achar soluções de laboratório para seus problemas eleitorais.
Só de nome escolhido para “presidente de consenso” os organizadores do embuste já trocaram três vezes. O que prova que não existe consenso algum.
Afora que cenas de ofensas pessoais pesadas, empurrões, socos e pontapés já foram detectadas em escritórios de elite onde a armação foi discutida. Um cenário pouco otimista do que a Tropa de Elite pode gerar no clube.
Mas, além de tudo, acima de tudo, o Estatuto do clube prevê eleição direta no Conselho no caso da renúncia do Presidente. Está escrito, é a lei, artigo 95 e parágrafos seguintes.
A “elite do tapetão”, dá de ombros às regras e está claramente forçando uma barra insustentável.
Golpista, ela quer fazer crer que quem é legalista está errado. E que quem quer rasgar a carta magna do clube está certo.
É lamentável. É muita cara de pau.
A democracia é a pior forma de governo que existe. Mas ainda não inventaram nenhuma melhor que ela. Quem disse isso, evidentemente, não fomos nós. Foi Sir Winston Churchill. Mas a “elite mambembe” e pouco letrada ainda não chegou nesta página da cartilha.
Então, é preciso ensinar-lhes esta lição básica. De caráter, inclusive.





































































































































