Final de 77: Oscar - Tudo e todos estavam contra a Ponte

Oscar duoCampinas, SP, 11 (AFI) – Procurado pelo Futebol Interior para comentar a perda do título do Campeonato Paulista de 1977, Oscar (foto), um dos maiores zagueiros de toda a história da Ponte Preta, foi enfático e direto ao ponto ao confirmar que tudo e todos estavam contra o elenco da Macaca no dia 13 de outubro, na final vencida pelo Timão por 1 a 0, que consolidou o fim de um tabu de 23 anos sem conquistar uma competição.

“A torcida estava em peso, o árbitro se confundiu e acabou se equivocando ao expulsar o Ruy Rei, logo no começo da partida. Estes fatos foram essências para que não conseguíssemos derrotar o Corinthians, tínhamos um time melhor montado e com mais vontade”, disse o ex-zagueiro, que vive em Monte Sião.

Segundo Oscar, outro determinante fato para a Macaca não ter conquistado o título foi não ter realizado nenhuma das três partidas da final no Estádio Mosiés Lucarelli, sendo que todas foram disputadas no Morumbi, com a torcida adversária contra.

Sofremos uma enorme pressão antes da partida fora de campo. Dentro, não tinha dúvidas que estávamos confiante e maduros o suficientes para suportar a torcida contra. Tínhamos que ir até São Paulo e o desgaste era maior. Com três jogos na casa do adversário fica complicado, não sei qual foi a forma desta decisão, mas acredito que estava arranjado, para que isto acontecesse”, revelou.

Além de Ruy Rei, Oscar listou outro atleta que fez bastante falta ao poder ofensivo da Ponte: o lateral-esquerdo Odirlei, que ficou de fora da disputa por ter recebido o terceiro cartão amarelo, aos 45 minutos do segundo tempo, na segunda partida da final, vencida pela Macaca por 2 a 1.

“A ausência do Odirlei fez extrema falta, pois era um atleta que chegava bastante ao ataque e apoiava muito. Ale de saber distribuir muito bem as jogadas. Não sei se com ele garantiríamos o título, mas com certeza vez falta”, contou o atual empresário e agente de jovens promessas.

Já sobre a suposta compra de Rui Rey pelo Corinthians, Oscar é claro nas declarações e revela que não acredita que isto aconteceu.

“Não tem nada disso, conhecemos muito bem o Rui e sou amigo dele até hoje. Mas o fato dele ter sido expulso precocemente, fez dele um ponto de interrogação”, declarou.

Mas sobre o lance que originou o único gol da partida, Oscar lembra claramente da jogada, em que disse que era para ser evitada, sem falta. E ainda brinca que a tentativa de livrar a Macaca de sofrer o gol virou passe para Basílio marcar.

“Falta pelo lado esquerdo da nossa defesa, o Basílio desviou e a bola sobrou para o Vaguinho, que acertou a trave, no rebote, o Vladimir tentou tirar de cabeça, mas eu estava em cima da linha e acabei tirando, mas infelizmente, meu corte virou passe para o Basílio bater e marcar”, completou.

Depois da Macaca, Oscar foi para o futebol dos Estados Unidos, atuar pelo Cosmos de Nova Iorque, mesmo time em que Pelé encerrou sua carreira. Logo depois retornou ao Brasil e marcou época ao lado de Dario Pereyra, formando uma das melhores dupla de zaga do São Paulo.

Oscar é um dos zagueiros mais respeitados da história do futebol mundial. Foi jogador da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 78 (Argentina), 82 (Espanha) e 86 (México), sendo eleito o melhor defensor da competição em suas duas primeiras Copas.

Atualmente investe sua experiência no Oscar Inn Eco Resort Hotel, na divisa entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, entre as cidades de Águas de Lindóia e Monte Sião.

Perfil
Nome:
José Oscar Bernardi
Nascimento: 20/06/1954, em Monte Sião (MG)
Clubes: Ponte Preta, Cosmos-EUA, São Paulo e Nissan Yokohama-JAP.
Títulos: Paulistas: 1980, 1981, 1985, 1987; Brasileiro: 1986; Japonês: 1989 e 1990
Bola de prata brasileira (Placar): 1977