Opinião Eduardo Affonso: Ninguém entregou em Goiânia
Estive em Goiânia acompanhando o jogo Goiás e Inter, pela última rodada do Brasileirão de 2007. Uma partida que acabou sendo de suma importância para a definição do rebaixamento corintiano. Quero testemunhar que o que vi em campo não me fez pensar que o Inter entregou o jogo, conforme acusações de atletas e dirigentes do Timão.
É lógico que debaixo de um calor de 39 graus e sem pretensão nenhuma na competição, não dava para esperar um colorado mordedor, aplicadíssimo dentro de campo. Isso realmente não ocorreu. Mas, dentro de um padrão mínimo de dignidade, o Colorado tentou algo e muito mais pela técnica fraca desse time medonho do Goiás, quase conseguiu um resultado melhor.
A polemica dos pênaltis serviu para apimentar mais ainda a queda corintiana. Dentro de campo, atrás do gol, ficou impossível para eu precisar se Clemer tinha ou não se adiantado. Porém, na imagem da tv, que vi a noite no Hotel, ficou claro que o assistente agiu dentro do que a regra pede. Houve sim uma grande revolta dos gaúchos ao final do jogo.
Paulo Bayer (foto), embora destaque da equipe do planalto central na competição, por muito pouco não se transformou num dos maiores vilões da história do clube. O Goiás se livrou, mas precisará de um planejamento muito diferenciado em 2008 se não quiser passar por estes momentos dramáticos.
Alguns fatos inacreditáveis eu presenciei em Goiânia. Primeiro, muitos torcedores do Vila Nova com que conversei antes do jogo, estavam deixando a rivalidade de lado e torcendo pra que o Goiás escapasse. Não havia uma justificativa básica, mas a que mais ouvi foi algo como defender a região na Primeira Divisão. A torcida do Inter presente no Serra Dourada estava desde pó inicio torcendo contra seu time, ou melhor, a favor do Goiás para prejudicar o Corinthians. Tinha até uma faixa com os dizeres em vermelho: vamos Goiás.
Agora fiquei abismado quando o placar eletrônico anunciou o gol do Grêmio contra o Timão. Tudo bem que os locais comemorassem, mas ver torcedores do Inter pularem de alegria com um gol do rival é uma cena tão bizarra como capaz de nunca mais acontecer.
Timão tenta colocar casa em ordem
Falando agora do Corinthians, a contratação de Mano Menezes (foto) foi um golaço marcado na reta final da temporada. Tenho muito fé que o novo treinador vai colocar a casa em ordem dentro de campo.
Os reforços é que por enquanto ficam a desejar: Lima não joga bola há 2 anos; Rafinha tem uma boa Copa São Paulo pelo São Bernardo; Coelho sempre foi perseguido pela torcida e se vier, Bóvio, não é nenhum salvador da pátria.
Tenho restrições à contratação de Antonio Carlos como gerente de futebol e acho que ele começou de forma péssima ao afirmar que mesmo como jogador do Santos já vinha trabalhando indiretamente para o Corinthians. Enfim, não achei ético.
Nelsinho Batista não poderia ficar mesmo. Seria impossível a convivência com o torcedor após a queda, embora no contexto geral, sua culpa é a menor entre todas.
O futebol é uma troço engraçado, para não falar injusto. Dorival Junior fez, na minha modesta opinião, um trabalho dos mais eficientes no Cruzeiro. Apesar de alguns tropeços inesperados, colocou o time na Libertadores. E como prêmio, foi demitido.
Caio Junior, e eu escrevi isso durante quase toda temporada, também foi bem no Palmeiras. Com o elenco que tinha, fez quase um milagre em deixar a equipe brigando por algo até a ultima rodada. E saiu, porque a torcida não o queria mais. Acabou acertando com o Goiás.
Mudanças de peças
* Pelo jeitão das coisas no Palestra, Edmundo se despediu domingo passado. O mesmo vale para Rodrigão. Embora Valdivia (foto) garanta que fica, tenho minhas dúvidas.
* Mesmo que Marcelo Teixeira consiga no sábado ir para seu quinto mandato, não creio que Luxemburgo vire o ano como treinador do Peixe. Existe um desencontro muito grande de opiniões para o planejamento de 2008.
* O presidente, com o caixa esvaziado pelas loucas e abusivas contratações do treinador nos últimos anos, quer apostar na base, com poucos reforços.
* Já Luxa quer um time caro e vencedor, torrando mais grana, que hoje anda em falta na Vila Belmiro. Sinto o cheiro do Rei da Selva (Leão) no Santos.
* A Portuguesa perdeu Wilton Goiano para o São Caetano e deve ficar sem o goleiro Thiago. Mas renovou com Dias e Halisson. Creio que houve uma inversão de valores nas prioridades da diretoria.





































































































































