Especial: Terceirizar ou super-profissionalizar?
Guaratinguetá, SP< 17 (AFI) – Quando se fala no conceito de clube-empresa e se exalta o projeto do Guaratinguetá como sendo pioneiro neste tipo de gestão esportiva, muitos se perguntam se clubes como a Portuguesa de Desportos ou o Tupi, de Juiz de Fora (MG), ou o Ituano, que recentemente caiu para a terceira divisão do futebol nacional já não fazem – ou fizeram – este tipo de gestão anteriormente.
A verdade é que tais clubes lançaram projetos de gestão inovadores, mas de uma outra categoria: a terceirização. Com dificuldades em manterem-se em funcionamento por conta própria, estes clubes, que na maioria das vezes têm dívidas enormes, contratam empresas com a incumbência de administrar o futebol da agremiação.
Estas empresas, então, acumulam funções importantes, como a busca por reforços, pagamento de salários e investimento na estrutura, tendo direito a uma parte dos lucros provenientes de renda e direitos televisivos, além de em alguns casos, lucrarem também com a venda de jogadores.
O exemplo da Portuguesa de Desportos, que aderiu a este sistema em 2003, firmando parceria com a Ability Sports, não foi muito positivo. Com sérias restrições orçamentárias e com a divisão de futebol do clube dominada pelo amadorismo, o time terceirizou seu futebol no intuito de voltar à primeira divisão do campeonato brasileiro, com um contrato de três anos de duração.
No entanto, ao fim do contrato, a Lusa seguia na segunda divisão nacional e sofria com o rebaixamento também para a segunda divisão do campeonato paulista, evidenciando o retrocesso sofrido com a parceria.
Hoje o tradicional clube paulista reestruturou-se e está de volta à elite de ambas as competições gerenciada pelos próprios dirigentes e trabalhando em parceria com pequenos empresários e torcedores.
O próprio Guaratinguetá já foi um clube terceirizado. Em 1999, a CSR, companhia gerenciada pelos jogadores César Sampaio e Rivaldo, fez uma parceria com a diretoria da época e administraram o clube em conjunto até o ano de 2002, quando o time do Vale do Paraíba passou a ser gerido em sociedade com empresários locais, estágio que precedeu a transformação em clube-empresa.
Por que a moda não pega?A julgar pelos bons resultados do Guaratinguetá desde que se tornou clube-empresa, a pergunta que surge naturalmente é: “por que os outros clubes do Brasil não se espelham no exemplo que vem do Vale do Paraíba e se tornam também clubes-empresa?”
A resposta não é tão simples. A grande maioria dos clubes do Brasil não está preparada para este tipo de gestão, porque, primeiramente eles teriam de desvincular o clube de sua divisão de futebol, o que poderia trazer alguns danos jurídicos aos associados. O Guaratinguetá é um clube novo, que foi criado para ser clube-empresa, ao contrário da imensa maioria dos clubes do Brasil.
Há também uma preocupação excessiva dos dirigentes de futebol Brasileiros quanto ao fato dos clubes-empresa abolirem seus cargos nas diretorias. Clubes-empresa não necessitam de tantos administradores quanto os clubes independentes de futebol. e a chegada de profissionais remunerados poderia afastar muitos dos atuais mandatários do futebol brasileiro.
Há também a questão do super-profissionalismo e da necessidade de transparência administrativa, o que por si só, já inviabilizaria o clube-empresa em muitos dos grandes clubes brasileiros, que não publicam seus balanços financeiros mensalmente, como determina o estatuto do torcedor.
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