ESPECIAL SÃO PAULO: Sem Libertadores, mas com o Penta!

São Paulo, SP, 25 (AFI) – Um ano igual ao outro. Assim, pode-se resumir a temporada do São Paulo. Com praticamente a mesma base vencedora de anos anteriores, o Tricolor ficou no quase no Campeonato Paulista e na Libertadores, mas terminou o ano como campeão brasileiro, de forma indiscutível e por antecipação.

Mas o ano não começou tão bom para o clube do Morumbi. As saídas de Fabão, Mineiro e Danilo foram muito sentidas pelo time, que alternou entre boas exibições e partidas sofríveis. As contratações de Jadílson, Hugo e Fredson, aliadas à manutenção de importantes peças, eram os pré-requisitos do São Paulo.

Se o ano de 2006 foi para acabar com o jejum de 15 anos sem conquistar uma competição nacional, o Tricolor usou 2007 para se tornar o time que mais vezes levantou caneco do Campeonato Brasileiro, ao lado do Flamengo, com cinco conquistas. Confira abaixo a retrospectiva do ano no Morumbi.

Campeonato Paulista: “Tinha uma pedra no meio do caminho!”
Assim pode ser resumido o Paulistão disputado pelo São Paulo. A euqipe de Muricy Ramalho era, ao lado do Santos, o grande favorito ao título. Cumprindo às expectativas, o Tricolor começou o ano arrasando adversários e não dando chances aos rivais nos grandes clássicos, derrotando Corinthians e Palmeiras (3 a 1) e empatando com o Santos (1 a 1).

No entanto, a fase final veio, e com ela o maior tropeço da temporada. Na semifinal, após um empate na primeira partida, o São Paulo foi goleado pelo São Caetano, por 4 a 1, em pleno Morumbi. A eliminação precoce (o time já esperava decidir o título contra o Santos) trouxe as primeiras críticas ao trabalho de Muricy Ramalho.

Libertadores: “Saída antes do esperado!”
sp gremio 200Grande sonho de consumo do time antes do início da repetição, o sucesso na maior competição do continente não aconteceu como a diretoria esperava. Tropeços na primeira fase, como contra o Necaxa, no México, e contra o Audax Italiano, no Morumbi, fizeram com que o time se perdesse em campo.

Pelas oitavas-de-final, o Tricolor enfrentou o Grêmio e, na primeira partida, venceu por 1 a 0, gol de Miranda (foto). Já no Olímpico, a história foi diferente. Os gaúchos conseguiram reverter a vantagem no placar, com 2 a 0, e eliminaram o tricampeão do torneio.

Após a eliminação precoce, mudanças aconteceram no São Paulo. Antes titulares, Jadílson, Richarlyson, Souza, Hugo e Leandro foram parar no banco de reservas, dando espaço a Jorge Wágner, Hernanes, Borges e Dagoberto.

Copa Sul-Americana: “Valeu como título!”
A participação do São Paulo na Sul-Americana valeu por apenas um jogo, nas oitavas-de-final, contra o Boca Júniors, no Morumbi. Após derrota no temido estádio da Bombonera, por 2 a 1, o Tricolor veio para o caldeirão paulista querendo vingança.

A partida foi truncada, digna de lances feios até. Mas a habilidade do time da capitla foi fundamental para que a vitória por 1 a 0 se concretizasse. Aloísio (foto), que havia começado no banco, foi o herói, ao marcar o solitário gol da partida.

Após passar pelo Boca, o Tricolor esbarrou na zebra colombiana Millionários, e conseguiu ser derrotado por duas vezes. No Morumbi, tropeço por 1 a 0, enquanto nas terras colombianas, derrota por 2 a 0.

Campeonato Brasileiro: “Penta!”
A caminhada foi árdua, mas o São Paulo conseguiu uma conquista mais fácil do que a do ano passado. O começo foi aos trancos e barrancos: se por um lado a defesa não tomava gols, do outro tinha o problema do ataque, que também não marcava.

O Tricolor começou a se acertar após a vitória por 2 a 1 contra o Cruzeiro, de virada, no Mineirão, e logo embalou oito vitórias seguidas na competição. No caminho, despachou o Botafogo e o Grêmio, ambos fora de casa e por 2 a 0, e rumou rumo à liderança da competição.

Na returno, o Tricolor continuou se destacando, e a defesa quase bateu um recorde de invencibilidade. Rogério Ceni e companhia ficaram 998 minutos sem sofrer gols, fato que acabou na vitória por 2 a 1 sobre o Santos.

No final, as vitórias contra os rivais na briga pelo título foram fundamentais. O São Paulo venceu Botafogo, Grêmio, Santos, Internacional, Palmeiras e Vasco fora de casa e, desses, não venceu apenas Verdão e Fogão jogando no Morumbi.

A conquista foi sacramentada contra o lanterna e já rebaixado América-RN. Num Morumbi abarrotado por 69.874 pessoas, Hernanes (foto), Miranda e Dagoberto fizeram os gols da goleada por 3 a 0 e levantaram a taça.

2008: O que esperar?
O São Paulo terá um importante desfalque para a disputa da próxima temporada. O zagueiro Breno foi vendido ao Bayern de Munique, da Alemanha, por US$ 19 milhões. Sem o jogador, o Tricolor agiu rápido e contratou Juninho, capitão do Botafogo na última temporada.

Mas o grande reforço para 2008 é mesmo Adriano (foto). O Imperador assinou com o clube do Morumbi por seis meses e é o grande trunfo para a conquista da Libertadores. O ex-atacante da Inter de Milão deve formar parceria com Dagoberto, revivendo uma dupla que já fez sucesso nas categorias de base da Seleção Brasileira.

No Paulistão, a equipe deve mesclar suas forças, já que o grande objetivo é mesmo a Libertadores. Deve chegar às semifinais do Paulista, e (se Adriano estiver totalmente em forma) deve brigar até o fim pelo título continental, ao lado de Flamengo, Fluminense e Boca Júniors.

No Campeonato Brasileiro, fica a dúvida de quem entrará em campo no segundo semestre. Como a prioridade é a Libertadores, alguns jogadores devem deixar o clube após o torneio, e por isso a diretoria terá de procurar peças de reposição, se quiser o inédito tricampeonato brasileiro seguido.

Destaques!
Rogerio Ceni 0013 2001. Rogério Ceni (foto):
O capitão tricolor esteve mais uma vez presente nos momentos decisivos. Vivendo seu melhor momento como agarrador de bolas, Rogério Ceni liderou a defesa menos vazada do Campeonato Brasileiro e voltou a freqüentar a lista de pedidos para a Seleção Brasileira.

O ídolo não marcou tantos gols (foram apenas 10, sendo dois de falta), mas fez a alegria do Morumbi. Ao final da partida contra o Botafogo, após muita espera, levantou a cobiçada taça de campeão brasileiro e tornou-se o único goleiro bicampeão brasileiro pelo São Paulo.

breno 2002. Breno (foto): Em janeiro, o jovem zagueiro era uma das promessas do time na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em outubr, era campeão brasileiro e um dos destaques do time principal. Foi essa a trajetória de Breno, beque dotado de boa técnica e precisão nos desarmes.

O jogador mostrou que era capaz de resolver os problemas da retaguarda tricolor, após a saída de Fabão, e ainda assim marcar seus golzinhos lá na frente. Foi assim contra o Cruzeiro, em bela cabeçada, e contra o Santos, num belo gol que deixou Petkovic no chão. Em 2008, Breno desfilará em campos alemães, com a camisa do Bayer, mas deixará muita saudade no Morumbi.

hernanes 0001 2003. Hernanes (foto): Tratado como simples moeda de troca tempos atrás, o polivalente jogador se revelou um grande volante. Hernanes formou com Richarlyson uma dupla tão segura quanto Mineiro e Josué, fato que fez a torcida são-paulina esquecer os antigos donos da posição.

Bom na marcação e forte no apoio ao ataque, Hernanes ainda ficará marcado pelos belos gols marcados no Campeonato Brasileiro. O primeiro foi contra o Cruzeiro, em um belo chute no ângulo esquerdo de Fábio. Já o outro foi na decisão contra o América-RN, em bomba de fora da área, que morreu no canto do goleiro Sérvulo.

Richar jogo 2004. Richarlyson (foto): O jogador foi alvo de muitos polêmicas no ano, principalmente em relação a sua sexualidade. No entanto, em campo, Richarlyson teve uma brilhante temporada, principalmente a partir do segundo semestre, quando se firmou entre os titulares da equipe.

Dono de um fôlego invejável, a habilidade de jogar em várias posições trouxe tranquilidade ao técnico Muricy Ramalho, que sabe que pode contar com o jogador para jogar em diversas posições pelo lado esquerdo do campo. Para coroar a brilhante temporada, o camisa 20 ainda foi agraciado com a Bola de Prata da Revista Placar, como um dos melhores volantes do Brasileirão.

Decepções!
1. Jadílson (foto):
Em nada lembrou o grande lateral que despontou no Goiás, nas últimas temporadas. Jadílson chegou ao Morumbi com status de craque, sonhando com Seleção Brasileira, e acabou o ano… no banco de reservas, perdendo a posição para o veterano Júnior.

O camisa 16 assumiu a condição de titular logo no começo de fevereiro, mas, após péssimas atuações no Paulista e Libertadores, foi barrado (após a eliminação contra o Grêmio) e nunca mais voltou aos onze titulares.

Após uma temporada ruim, em que nunca se encontrou com a camisa do Tricolor, o lateral (chamado de Roberto Carlos do Cerrado) ainda se achou no direito de sair reclamando do treinador… menos Jadílson, bem menos!

Souza 1302. Souza (foto): Um dos jogadores mais decisivos na conquista do Campeonato Brasileiro de 2006 pelo clube do Morumbi, Souza murchou em 2007. Alçado como novo camisa 10, após a saída de Danilo, o meia não voltou aos bons tempos e deixou a torcida tricolor frustrada.

É fato que uma contusão no tornozelo direito o atrapalhou, principalmente após a eliminação na Libertadores. Mas Souza não parecia se esforçar tanto em campo, o que deixava o torcedor ainda mais nervoso com o desempenho de seu camisa 10. Feliz 2008, Souza, porque 2007 realmente não existiu…

hugo 1303. Hugo (foto): Trazido a peos de ouro do Grêmio, após uma brilhante temporada no Tricolor gaúcho, o meia começou bem, sebndo, inclusive, artilheiro do time na disputa do Campeonato Paulista. Mas a queda na Libertadores acabou com seu prestígio, e Hugo foi para o banco.

No Brasileirão, quando teve suas oportunidades, foi atrapalhado pela indisciplina. As expulsões contra Santos e Paraná fizeram com que o jogador caísse no conceito de Muricy Ramalho, que passou a contar menos com ele e mais com Jorge Wágner.

ilsinho 001 1504. Ilsinho (foto): Estranho?! Nem um pouco. O destaque do time na reta final do Brasileiro de 2006 mal chegou aos pés das suas grandes exibições na última temporada. Ilsinho ficou devendo no Paulista e principalmente na Libertadores, quando a má fase do time realmente atrapalhava.

Quando começava a melhorar seu desempenho e recuperar os bons tempos nos gramados, surgiu uma proposta da gelada Ucrânia pelos seus serviços. O jogador não pensou duas vezes e decidiu se juntar a Jádson e Fernandinho noS haktar Donetks, deixando o São Paulo e ficando ainda mais longe de uma vaga na Seleção Brasileira que disputa os Jogos Olímpicos, em 2008.