Lei Pelé: Marco Polo comanda Tropa de Elite em Brasília
São Paulo, SP, 3 (AFI) – Antes tarde do que nunca. O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo del Nero, tirou este começo de semana para fazer política em Brasília. Ele está capitaneando um grupo de dirigentes paulistas para pressionar os deputados federais na elaboração de mudanças na malfadada Lei Pelé.
O presidente passou rapidamente na sede da entidade, nesta segunda-feira, preocupado em arrumar as malas e confirmar as presenças de outros dirigentes na delegação que formaria uma verdadeira “tropa de elite”.
A relação oficial não foi confirmada pela assessoria de imprensa da FPF, mas incluía representantes dos grandes clubes paulistas, como São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, além de alguns clubes do Interior, justamente, os mais prejudicados com a implementação da Lei Pelé. As despesas devem correr por conta da FPF, dados não confirmados pela assessoria.
Roteiro na capital federal
A “tropa de elite” deixaria São Paulo no final da tarde, embarcando no Aeroporto de Congonhas, direto para Brasília. À noite já estava agendado um jantar com o deputado Rodrigo Maia, do DEM, e de grande influência nesse processo de modificações. Além dos paulistas, haveria dirigentes de outros Estados, como do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mesmo porque as mudanças visam beneficiar os clubes de todo o Brasil.
”A Lei Pelé foi feita para mediar a relação dos clubes com os jogadores, mas ela tem distorções graves”, costuma defender Marco Polo na frente de dirigentes. Ele sempre apontou como saída, o diálogo e trabalho político para que a lei sofresse “adequações e atendesse às reais necessidades dos clubes”.
Após o jantar, a noite seria livre. E as atrações em Brasília são variadas. Alguns preferem teatro, outros shows e outros boates ou lugares mais agitados. Na terça-feira, todos voltam ao batente, com contatos livres no período da manhã e encontro com o presidente da Câmara Federal, o deputado Arlindo Chinaglia (PT) à tarde.
Lei Pelé: uma lei rancorosa
Pelé, o maior jogador de todos os tempos e eleito o esportista do século XX teve seu nome usado para a aprovação de uma lei unilateral, que praticamente acabou com a fonte de receita de 90% dos clubes do futebol brasileiros.
A lei foi promulgada em 24 de março de 1998, ainda sob o impacto na nova Constituição do país e passou a vigora em 2001. Havia na época um clima de liberalização e uma contra-marcha de tudo que ainda lembrasse o nefasto período do regime militar e da ditadura. Houve, na ocasião, um confronto direto entre os dirigentes da época, muitos deles retrógrados, contra uma elite jornalística, bastante tecnocrata. O resultado desta disputa foi desastroso: a aprovação da Lei Pelé aconteceu na base da pressão, do rolo compressor, sem a devida discussão que o caso merecia.
É bem verdade que os jogadores, na época, tinham muitas dificuldades para garantir os direitos sobre seu atestado liberatório. Os jogadores recebiam 15% do valor da transação em caso de venda, o que era um pequeno percentual. E ficavam com percentual maior do passe conforme a idade. Em média, um jogador com 28 anos já tinha praticamente seu passe em mãos, o que não era de todo ruim.
Craques e empresários ficaram com o bolo
A Lei Pelé, porém, “só pensou” nos jogadores. Extinguiu a Lei do Passe, taxada de lei escrava, tirando todos os direitos dos clubes. Estes, por sua vez, perderam então o interesse em ser formadores, uma vez que só acumulavam prejuízos. Além dos grandes craques da época, foram diretamente beneficiados com a nova lei os empresários. Eles ficaram com o “bolo” sem investir nada. Ou seja: lucro certo com investimento zero.
Já os clubes formadores perderam força e estímulo para continuar trabalhando. Ao receber dezenas de garotos, a maioria oriunda das classes mais desfavorecidas (pobres), os clubes os alimentava, os educava e os preparava para a vida. Centenas de clubes fecharam suas escolinhas de futebol e muitos craques deixaram de ser revelados. O futebol brasileiro já sofre diretamente com os efeitos da Lei Pelé e a situação vai piorar ainda mais se a mesma não for mudada. Tomara que a Tropa de Elite tenha sucesso.





































































































































