FI entrevista um dos responsáveis pela ascensão do Paulista

Jundiaí, SP, 10 (AFI) – A recuperação do Paulista na temporada 2008 tem como mote a manutenção de uma base. O técnico Giba, desde que assumiu o time, definiu os seus jogadores de confiança e está indo com eles até o fim.

Um dos que jogou as treze partidas do Galo no Campeonato Paulista é o meia Ricardinho. Com 32 anos, ele chegou pela terceira vez em Jundiaí sob olhares de muita desconfiança. Porém, vêm mostrando dentro de campo que ainda pode e muito ajudar o clube.

Ricardinho foi substituído em apenas quatro das treze partidas do
Paulista neste ano: na vitória contra o Sertãozinho deu lugar a Itaqui; na derrota para o São Paulo, saiu para a entrada de Júlio
César; quando o Paulista venceu o São Caetano, Ricardinho foi
substituído pelo volante Edimar e, na derrota para a Ponte Preta,
quando Marcus Vinícius dirigia o time, ele cedeu lugar a Rafinha.

Confira na íntegra a entrevista que o jogador concedeu ao jornalista Marcel Capretz.

MC – Você tem 32 anos e jogou até agora as treze partidas do Paulista no Campeonato Estadual. Qual o segredo para manter tanta regularidade?
R – Acredito que atualmente todos os jogadores com mais de 30 anos estão conseguindo atuar bem. Não vejo a idade como algo que atrapalhe um atleta de futebol. Desde que ele se cuide e isso eu procurei fazer durante toda a minha carreira.

MC – Quando você chegou, muitos duvidavam de sua condição física. Ter jogado todas as partidas da equipe mostra a sua vontade de ajudar o clube?
R – Não sei quem duvidou de qualquer coisa a meu respeito. Eu nunca duvidei e o Paulista também não. Estou fazendo a minha parte dentro de campo. Apenas isso. Eu gosto muito aqui do clube. Nunca escondi isso de ninguém. Até porque eu vinha jogando no Coritiba. Se eu tivesse vindo de uma contusão e estivesse fora, tudo bem se existisse qualquer desconfiança. Essa já é a minha terceira passagem por aqui (2001, 2005 e 2008) e todos me conhecem aqui. Retornei para o Paulista sabendo o que eu poderia render.

MC – O que estava acontecendo com o time que nos primeiros cinco jogos do Campeonato Paulista foram quatro derrotas?
R – Futebol é complicado. Às vezes não dá “liga” e fica difícil. O Marcus Vinícius é uma grande pessoa e tem um futuro brilhante pela frente. Nós jogadores tivemos grande parte de culpa naquelas derrotas iniciais, também. Não estávamos encaixando como equipe e isso ficou evidente para todos.

MC – Qual a parcela do Giba nesta mudança de postura?
R – As mudanças que ele fez no time foram mínimas. Trocou algumas peças e mexeu no esquema. Acredito que quando se começa a ganhar tudo fica melhor e as qualidades começam a aparecer mais do que os defeitos. Poxa, o Giba chegou e sem nenhum treinamento nós conseguimos jogar bem e empatar com o Santos. Ele é um grande treinador. Eu já tinha trabalhado com ele aqui mesmo em Jundiaí, no ano de 2001, e sei o quanto ele entende de futebol.

MC – Percebe-se que o ambiente no elenco está mais leve, agora. Você concorda?
R – Concordo, sim. É aquilo que eu falei anteriormente; quando só se têm derrotas, fica mais difícil trabalhar e parece que tudo é ruim. Já quando vivemos um bom momento, perdendo poucos jogos, tudo fica mais tranqüilo. O nosso grupo está bem unido e estamos focados em vencer as próximas partidas.

MC – Você tem contrato com o Paulista apenas até maio. O clube já se mostrou disposto a renovar com a maioria dos jogadores do atual elenco. Você fica para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro?
R – Não sei. Não estou pensando nisso ainda. Chance de ficar, sempre existe. Mas vai depender de uma série de coisas. Por enquanto, estou pensando apenas em fazer um bom campeonato paulista.

MC – Você já jogou e venceu a terceira divisão com a camisa do próprio Paulista, em 2001 quando Giba também era o técnico do time. Qual a receita para se dar bem neste tipo de competição?
R – Quando nós jogamos e vencemos era ainda mais difícil, até porque só subiam dois times (atualmente sobem quatro). Mas a Série C é um campeonato que exige muita pegada. Tem que entrar forte em toda bola, senão perde.

MC – O título da Copa do Brasil em 2005 foi um marco na história do Paulista. Apesar de você não ter ficado até o final, essa competição marcou você também? O que mais te agradava naquele time?
R – Com certeza. Aquele time foi inesquecível. Tínhamos um espírito, uma coletividade que poucas vezes eu vi na minha carreira. O Vagner Mancini tinha o grupo nas mãos e merecemos ganhar. Aquela safra do Paulista com certeza marcou toda a história do clube como a da minha vida também.