Palavra final? Sócios decidem esta noite o futuro do Brinco

Campinas, SP, 31 (AFI) – Perto de completar 97 anos de história e no meio da crise, o Guarani terá um capítulo importante na novela sobre a venda da área onde está localizado o Estádio Brinco de Ouro. Na noite desta segunda-feira, acontece a Assembléia Geral com os sócios do clube, quando será apresentada a proposta para a autorização da venda do local.

O local de 82 mil metros quadrados já teve a venda aprovada, por unanimidade, na última quinta-feira, quando aconteceu a Assembléia Geral com os conselheiros. O terreno do Brinco de Ouro pertence ao Guarani, diferente da área do Centro de Treinamento, que foi doada pela prefeitura e que fica do lado do estádio, porém, está penhorada no caso do processo trabalhista movido pelo ex-meia Liberman.

Estádio e história
Além da péssima campanha do Guarani, há um certo descaso da diretoria do clube que vê na venda do Estádio Brinco de Ouro a única saída para a sua crise financeira. Os dirigentes alegam que o clube tem R$ 90 milhões de dívidas, mas que têm propostas para vencer o estádio por algo em torno de R$ 220 milhões.

E teria dinheiro suficiente para quitar suas dívidas e construir um estádio moderno, com capacidade para 32 mil torcedores. Mas, talvez, o plano fosse esse mesmo: deixar o time num plano inferior, não achar soluções criativas para administrar as dívidas do clube e arrumar muitas razões para fazer uma negociata duvidosa, que envolve milhões e pouca transparência.

Dívidas irreais
No meio de tantos clubes mergulhados em dívidas no Brasil, só a dívida do Guarani é real, segundo seus dirigentes. Eles fazem pose para mostrar que o clube deve R$ 90 milhões. Um absurdo! Mesmo porque qualquer pessoa esclarecida sabe, muito bem, que as dívidas trabalhistas (oficialmente R$ 55 milhões) são irreais e que podem ser negociadas.

E também que as dívidas com o governo, como Fundo de Garantia, INSS e outros encargos federais (oficialmente R$ 30 milhões) também podem ser parcelados a perder de vista, a ainda mais agora nom a economia brasileira crescendo a 5% ao ano e com o crédito em inacreditável expansão. E há um resíduo de débitos com fornecedores que, realmente, exige um esforço maior, mas nada que um bom banco privado não possa ajudar.

A situação é bem clara. Só não vê quem não quer.

Quem são os responsáveis?
Não há dúvidas de que o ex-presidente José Luiz Lourencetti foi o pior administrador do clube na sua história quase centenária. Mas é preciso também chamar a responsabilidade ao atual presidente Leonel Martins de Oliveira, há quase dois anos no cargo e sempre com um discurso de lamentação.